O debate sobre o aumento salarial para empregados federais nos EUA ganhou novo fôlego após a apresentação do orçamento fiscal de 2027 pela Casa Branca, no início de abril de 2026. Com cerca de 1,5 trilhão de dólares destinados à defesa e cortes expressivos em áreas civis, a ausência de previsão de reajuste para o funcionalismo federal acende um alerta sobre o futuro do poder de compra desses trabalhadores em um cenário de inflação ainda persistente.
O que diz o orçamento de 2027 sobre o aumento salarial nos EUA
Na proposta orçamentária encaminhada ao Congresso, não há menção a reajuste para empregados civis federais. Isso indica, na prática, um congelamento de 0% em 2027, afetando diretamente o sistema General Schedule (GS), que reúne milhões de servidores em agências espalhadas pelo país.
Esse quadro vem após dois anos de aumentos limitados: cerca de 2% em 2025 e apenas 1% em 2026, sem ampliação do locality pay. Com a inflação pressionando custos de moradia, alimentação e serviços, cresce o temor de nova perda de renda real, especialmente em grandes centros urbanos.

Como está a política salarial dos servidores públicos no Brasil em 2026
Em fevereiro de 2026, o presidente Lula sancionou reajustes para servidores do Poder Legislativo e do Tribunal de Contas da União (TCU), após negociações iniciadas em 2025. O aumento recompõe parcialmente perdas inflacionárias e integra uma agenda de reestruturação de carreiras, sobretudo em áreas técnicas e de controle.
Ao sancionar a lei, o presidente vetou os chamados “penduricalhos” — benefícios extras pouco transparentes que elevavam vencimentos acima do teto constitucional, hoje em torno de R$ 46.000,00. Paralelamente, o salário mínimo de 2026 foi reajustado para R$ 1.621,00, com ganho real atrelado à inflação e ao PIB, impactando milhões de trabalhadores e beneficiários.
Como a legislação federal permite o congelamento salarial nos EUA
A proposta de manter o aumento salarial dos empregados federais civis em 0% para 2027 se apoia na Federal Employees Pay Comparability Act (FEPCA). Essa lei prevê reajustes automáticos com base em comparações com o setor privado, mas admite exceções por meio do alternative pay plan, previsto no Título 5 do Código dos Estados Unidos.
Esse mecanismo autoriza o presidente a propor aumentos menores ou até um congelamento em caso de “condições econômicas graves”. Com cortes estimados em cerca de 73 bilhões de dólares em despesas não militares, próximos de 10% do gasto discricionário civil, as agências podem enfrentar mais restrições para contratar, investir em tecnologia e repor pessoal.

Quais alternativas e impactos cercam o congelamento salarial em 2027
Apesar de o orçamento prever congelamento do aumento salarial dos empregados federais em 2027, a medida ainda não é definitiva. O texto da Casa Branca é uma proposta inicial, sujeita a alterações pela Câmara dos Representantes e pelo Senado, com o FAIR Act sugerindo um reajuste em torno de 4,3% para aproximar salários públicos dos privados.
Nesse contexto, sindicatos, associações de servidores e especialistas alertam para efeitos estruturais do congelamento sobre o serviço público. Entre os principais riscos apontados, destacam-se:
- Redução contínua do poder aquisitivo frente à inflação acumulada.
- Dificuldade crescente para atrair e reter profissionais qualificados.
- Aumento da rotatividade em cargos estratégicos e de alta complexidade.
- Pressão maior sobre negociações salariais futuras e sobre carreira.
- Risco de queda na qualidade, inovação e agilidade dos serviços públicos.
Qual pode ser o futuro do aumento salarial para empregados federais
O desfecho para o aumento salarial dos empregados federais em 2027 dependerá das negociações entre governo e Congresso, influenciadas por inflação, déficit público, cenário político e mobilização social. O contraste entre reajustes previstos para militares, entre 5% e 7%, e o congelamento para civis tende a colocar o tema no centro do debate público.
Diante desse quadro, é essencial que servidores, sindicatos e sociedade acompanhem cada etapa da tramitação orçamentária e se mobilizem já. A pressão organizada e urgente pode ser decisiva para evitar mais um ano de perda real de renda e para proteger a capacidade do serviço público federal de atrair talentos e garantir serviços essenciais à população.




