O anúncio de que o Grupo Supernosso iniciou um projeto piloto com jornada 5×2 em parte de suas lojas recolocou a discussão sobre escalas de trabalho no centro do debate trabalhista no Brasil, em um contexto de busca por mais equilíbrio entre vida pessoal, saúde e produtividade sem redução salarial.
O que é a escala 6×1 e por que a jornada 5×2 ganha destaque no varejo?
A escala 6×1 é um regime em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa um, bastante usado em comércios que funcionam todos os dias, como supermercados, farmácias e lojas de shopping. Já a jornada 5×2 prevê cinco dias de trabalho e dois de folga na semana, oferecendo um intervalo maior para descanso, lazer e compromissos pessoais.
No setor supermercadista, a jornada 5×2 é vista como tentativa de equilibrar o funcionamento contínuo das lojas com uma organização mais previsível de folgas. A carga de 44 horas semanais, prevista na legislação trabalhista brasileira, permanece a mesma; o que muda é a distribuição das horas, com dias de trabalho um pouco mais longos em troca de mais descanso.
Como a jornada 5×2 em supermercados funciona na prática?
No projeto do Grupo Supernosso, a jornada 5×2 é adotada inicialmente em poucas unidades, em formato de teste e com avaliação constante de resultados. A escala tradicional costuma prever cerca de 7 horas e alguns minutos por dia, em seis dias, enquanto o novo arranjo aproxima a jornada diária de 9 horas, concentradas em cinco dias de trabalho.
Essa reorganização altera a rotina de profissionais operacionais, como caixas, repositores, açougueiros, operadores de estoque e frente de loja, exigindo novos turnos, coberturas em horários de pico e rodízios de fins de semana e feriados. A empresa relaciona a proposta à redução de desgaste físico e emocional, à diminuição de deslocamentos semanais e à possibilidade de melhora no clima organizacional.
A escala 6×1 corre risco de acabar no Brasil?
Enquanto redes como o Supernosso testam a jornada 5×2, o Congresso Nacional discute restringir ou até extinguir a escala 6×1 em nível nacional. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ainda será analisada em plenário, antes de seguir para a Câmara dos Deputados.
Integrantes do governo federal afirmam que qualquer mudança na jornada não deve reduzir salários, ponto observado de perto por centrais sindicais e categorias que atuam seis dias por semana. O debate envolve direitos trabalhistas, custos de folha, possíveis contratações adicionais e ajustes em operações contínuas, como supermercados, hospitais e indústrias.

Quais são os principais impactos da jornada 5×2 para o setor supermercadista?
No varejo alimentar, a adoção da jornada 5×2 gera efeitos diferentes para trabalhadores e empresas. Para os colaboradores, dois dias de folga podem significar mais tempo com a família, cuidados com saúde, estudo e redução de gastos e cansaço com deslocamentos, podendo refletir positivamente na motivação e na permanência na empresa.
Para as redes de supermercados, a mudança exige um redesenho minucioso de escalas para garantir atendimento pleno em horários de maior movimento. Nesse cenário, alguns pontos críticos costumam ser avaliados com atenção pelos gestores e por institutos especializados em políticas públicas e produtividade:
- Organização de pessoal: revisão de turnos, remanejamentos internos e possíveis novas contratações.
- Custos operacionais: impacto em folha de pagamento, encargos e gestão de horas extras.
- Produtividade: análise de ganhos com colaboradores mais descansados e engajados.
- Competitividade: comparação entre redes que adotam ou não o modelo 5×2 e seus resultados.
Quais são as perspectivas futuras para a jornada de trabalho no varejo?
A experiência do Grupo Supernosso com a jornada 5×2 funciona como um laboratório em um momento em que equilíbrio entre trabalho e descanso ganha força no Brasil e em outros países. Os próximos meses serão decisivos para medir a percepção de empresa, colaboradores e sindicatos, influenciando tanto outras redes de supermercados quanto o próprio debate legislativo sobre a escala 6×1.
Se você atua no varejo, em RH, sindicato ou gestão, este é o momento de acompanhar de perto projetos-piloto, participar de negociações coletivas e se posicionar nas discussões públicas. As decisões que estão sendo tomadas agora podem redefinir sua rotina de trabalho, seus custos e sua qualidade de vida nos próximos anos, não fique de fora desse movimento.
![Escala 5x2 pode mudar o trabalho em supermercados no Brasil]](https://www.em.com.br/emfoco/wp-content/uploads/2026/04/Gemini_Generated_Image_dwwid0dwwid0dwwi-1-750x375.png)



