A apenas 25 minutos de carro de Belo Horizonte, Sabará surpreende quem espera encontrar mais uma cidade histórica previsível. No coração da Região Metropolitana, a antiga Vila Real esconde painéis orientais dentro de uma capela barroca, o segundo teatro mais antigo do Brasil em funcionamento e uma fruta que virou patrimônio com selo nacional.
Por que Sabará tem uma igreja com arte chinesa?
A Capela de Nossa Senhora do Ó, erguida em 1717, reserva uma das maiores surpresas do barroco brasileiro. Por fora, a fachada é simples: adobe, cal e uma torre central discreta. Por dentro, painéis vermelhos, azuis e dourados imitam laca chinesa e exibem pagodes, pássaros e figuras orientais.
Esse tipo de ornamentação é chamado de chinesice, um estilo decorativo inspirado na arte do Extremo Oriente que chegou ao Brasil via Portugal. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), supõe-se que o pintor Jacinto Ribeiro, nascido na Índia portuguesa e morador em Minas Gerais desde 1711, tenha executado as pinturas. O historiador francês Germain Bazin classificou a capela como uma das criações mais requintadas da arte barroca. O tombamento federal veio em 1938.

O que fazer em um bate-volta histórico saindo de BH?
O centro histórico de Sabará concentra atrações a poucos minutos de caminhada umas das outras. Uma manhã inteira é suficiente para os principais pontos, mas o ideal é reservar o dia completo para aproveitar sem pressa:
- Capela de Nossa Senhora do Ó: a joia oriental do barroco mineiro. Funciona de 8h às 12h e de 13h às 17h (domingos até 12h).
- Igreja de Nossa Senhora do Carmo (1763): portada em pedra-sabão atribuída a Aleijadinho, com púlpitos e esculturas de sua autoria. Tombada pelo IPHAN.
- Teatro Municipal (1819): segundo mais antigo do Brasil em atividade, com 400 lugares em três galerias de camarotes. Eleito uma das Sete Maravilhas da Estrada Real. Tombado pelo IPHAN desde 1963.
- Museu do Ouro: instalado na antiga Casa de Intendência e Fundição (1730), única construção com essas características ainda de pé no país. Inaugurado em 1946, é administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Atenção: o prédio original está fechado para restauração. O acervo será transferido para o Solar do Padre Correia, no centro.
- Chafariz do Kaquende (1750): fonte colonial preservada em pedra, próxima ao centro.
- Igreja do Rosário dos Pretos (1767): construída por escravizados, ficou inacabada após a abolição. Abriga o Museu de Arte Sacra na sacristia.
Quem quer conhecer o centro histórico de Sabará, vai curtir esse vídeo do canal De fora em Juiz de Fora, com mais de 83 mil visualizações, onde Tati Marmon apresenta as belezas e curiosidades de Minas Gerais:
Jabuticaba com selo nacional e festival de 200 mil visitantes
Sabará é conhecida como a Terra da Jabuticaba. O solo fértil da região favoreceu o cultivo da fruta, e os moradores transformaram a safra em licores, geleias, compotas e molhos transmitidos de geração em geração. Em 2018, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu o selo de Indicação Geográfica (IG) aos derivados produzidos no município.
O Festival da Jabuticaba, realizado anualmente desde 1987, atrai cerca de 200 mil visitantes em quatro dias de programação nas praças Melo Viana e Santa Rita. A Prefeitura de Sabará organiza o evento com shows, oficinas de culinária e concursos de melhor licor e geleia. A 39ª edição aconteceu em novembro de 2025. A jabuticaba é registrada como patrimônio imaterial e cultural do município.

Quando o clima favorece os passeios na cidade colonial?
O clima de Sabará acompanha o padrão da Grande BH, com verões chuvosos e invernos secos. A tabela abaixo mostra o que esperar em cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Sabará saindo de Belo Horizonte?
A rota mais direta sai pela Avenida Cristiano Machado, sentido Vitória (ES), e leva cerca de 25 minutos sem trânsito. São aproximadamente 23 km até o centro histórico. O trajeto passa pela MG-262 e é bem sinalizado.
Quem prefere transporte público pode usar linhas de ônibus metropolitanas que partem do centro de BH em direção a Sabará. De táxi ou aplicativo, o trajeto custa entre R$ 50 e R$ 70. Para quem vem de São Paulo, o caminho mais prático é pela BR-381 (Fernão Dias) até BH e depois seguir pela Cristiano Machado.
Uma manhã na Terra da Jabuticaba já muda o olhar
Sabará reúne em poucas quadras o que muitas cidades históricas distribuem por roteiros extensos: arte oriental em capela barroca, um teatro bicentenário com acústica elogiada até por imperadores e uma fruta transformada em identidade cultural com certificação nacional.
Você precisa separar uma manhã, cruzar a Cristiano Machado e deixar Sabará mostrar que a cidade mais perto de BH é também a mais surpreendente do circuito colonial mineiro.




