3.299 espécies de plantas e um distrito que trocou de nome para virar a porta do Jardim do Brasil
A 100 km de Belo Horizonte, um vilarejo de pouco mais de 2.600 habitantes concentra a maior oferta de pousadas, restaurantes e acesso direto ao Parque Nacional da Serra do Cipó. O lugar se chamava Cardeal Mota até 2003, quando adotou oficialmente o nome Serra do Cipó.
Por que um distrito inteiro mudou de nome em 2003
Criado pela lei estadual nº 2.764 de 1962 junto à emancipação de Santana do Riacho, o distrito nasceu como Cardeal Mota. Com o crescimento do turismo ecológico a partir dos anos 1980, o nome Serra do Cipó ganhou força entre visitantes e moradores. Em 12 de maio de 2003, a lei nº 336 oficializou a troca. A mudança refletiu o que já acontecia na prática: o distrito era reconhecido no país inteiro pelo nome da serra, não pelo antigo topônimo.
A região abriga 40 sítios arqueológicos catalogados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). No Grande Abrigo de Santana do Riacho, pesquisadores encontraram enterramentos ritualizados com datação entre 8.500 e 12.000 anos, considerados entre os mais antigos do continente.

O Jardim do Brasil que a UNESCO ajudou a proteger
Na década de 1950, o paisagista Roberto Burle Marx visitou a serra e a chamou de Jardim do Brasil. O apelido não era exagero. O Projeto Flora da Serra do Cipó, coordenado pela Universidade de São Paulo (USP), já registrou 3.299 espécies de plantas terrestres na região, muitas delas endêmicas. O parque nacional, criado em setembro de 1984, protege 33.800 hectares de campos rupestres, cerrado e mata atlântica.
A proteção se estende além dos limites do parque. A Serra do Espinhaço, cadeia montanhosa que abriga a Serra do Cipó, foi reconhecida em 2005 como Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A reserva cobre mais de 10 milhões de hectares em 172 municípios de Minas Gerais.

O que fazer no distrito e no parque nacional
A vila funciona como base para explorar dezenas de cachoeiras, trilhas e cânions. A oferta de atrações atende desde famílias com crianças até praticantes de trekking de longa distância:
- Cachoeira da Farofa: queda de cerca de 30 metros dentro do Parque Nacional, acessível por trilha de 8 km a partir da portaria. Entrada gratuita.
- Cânion das Bandeirinhas: formação rochosa a 12 km da sede do parque, com poços para banho e paredões de quartzito.
- Circuito das Lagoas: percurso de 2 km, possível a pé ou de bicicleta, ideal para crianças e caminhantes iniciantes.
- Cachoeira Véu da Noiva: queda de cerca de 70 metros em paredão rochoso, localizada em área particular com estrutura de camping.
- Estátua do Juquinha: homenagem a José Patrício, andarilho que vivia na serra e vendia flores silvestres aos viajantes. A escultura, criada pela artista Virgínia Ferreira em 1987, fica às margens da MG-010.
Quem ama ecoturismo e cachoeiras, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Arruma Essa Mala, que conta com mais de 27 mil visualizações, onde a apresentadora mostra um guia completo sobre a Serra do Cipó, em Minas Gerais:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio
O clima na serra é tropical de altitude, com temperaturas médias entre 17°C e 19°C nas partes mais elevadas. A estação seca concentra os meses ideais para trilhas longas, enquanto o período chuvoso enche as cachoeiras:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme a altitude.
Como chegar ao distrito da Serra do Cipó
A partir de Belo Horizonte, o trajeto de 100 km pela MG-010 leva cerca de 1h40 de carro. De ônibus, as empresas Saritur e Serro fazem o percurso saindo da rodoviária da capital, com duração média de 2h30. Quem chega pelo Aeroporto de Confins está a 77 km do distrito. A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais recomenda veículo próprio para maior autonomia nos passeios, já que parte das atrações fica distante do centro.
Conheça o vilarejo que virou portal da serra
Serra do Cipó mistura a simplicidade de um distrito mineiro com a força de uma das biodiversidades mais ricas do planeta. São rochas de 1,7 bilhão de anos, flores que não existem em nenhum outro canto do mundo e cachoeiras que recompensam cada quilômetro de trilha.
Você precisa subir a MG-010, cruzar a ponte sobre o rio Cipó e sentir por que Burle Marx chamou esse pedaço de Minas de Jardim do Brasil.




