Estado de Minas - Em foco
Gerais Política Economia Nacional Internacional Cultura Degusta Turismo
Sem resultado
Veja todos os resultados
Assine Entrar
Estado de Minas - Em foco
Gerais Política Economia Nacional Internacional Cultura Degusta Turismo
Sem resultado
Veja todos os resultados
Assine Entrar
Estado de Minas - Em foco
Sem resultado
Veja todos os resultados
Início Cidades

O solo mais antigo do Brasil tem 2,1 bilhões de anos e nenhum fóssil: a vida simplesmente não existia quando ele se formou e hoje se tornou um dos destinos mais visitados por turistas brasileiros

Vitor Bruno Por Vitor Bruno
07/03/2026
Em Cidades
Chapada dos Veadeiros oferece o privilégio de caminhar por um dos solos mais antigos e místicos da Terra // Créditos: depositphotos.com / Elena Skalovskaia

Chapada dos Veadeiros oferece o privilégio de caminhar por um dos solos mais antigos e místicos da Terra // Créditos: depositphotos.com / Elena Skalovskaia

O chão que se pisa na Chapada dos Veadeiros já existia antes de qualquer forma de vida surgir na Terra. No nordeste de Goiás, entre cânions de 300 metros e centenas de cachoeiras, um pedaço de Cerrado de altitude guarda a geologia mais antiga do continente, uma comunidade quilombola de 262 mil hectares e um parque nacional que quase desapareceu do mapa.

Por que não existem fósseis na Chapada dos Veadeiros?

As formações geológicas da região pertencem ao chamado Supergrupo Veadeiros, com idades que variam entre 650 milhões e 2,1 bilhões de anos. Quando essas rochas se formaram, a vida multicelular simplesmente não existia. Não há fósseis porque não havia o que fossilizar. Esse período, anterior à explosão de vida no planeta, é classificado como pré-Cambriano.

O encontro tectônico entre os grupos geológicos Araí, Traíras, Paranoá e Bambuí moldou serras, vales e cânions ao longo de bilhões de anos. A abundância de quartzito, com suas estratificações cruzadas e marcas de onda de maré, é visível até em trilhas curtas. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), as altitudes variam de 600 a 1.650 metros e os cânions alcançam 300 metros de altura.

Chapada dos Veadeiros encanta com cachoeiras e Cerrado preservado // Créditos: Wikimedia Commons

O parque que perdeu 90% do território e depois ressuscitou

Em 1961, o presidente Juscelino Kubitschek criou o Parque Nacional do Tocantins com 625 mil hectares, abrangendo toda a Chapada. A história que se seguiu foi de encolhimento. Em 1972, uma comissão do Ministério da Agricultura reduziu a área para 171 mil hectares, alegando prejuízo à agropecuária. Em 1981, novo corte: restaram 65 mil hectares, cerca de 10% do tamanho original, para dar passagem à rodovia GO-239.

LeiaTambém

O paraíso chamado de Jardim Flutuante, onde o mar azul encontra montanhas verdes em cenários cinematográficos

A ilha que pegou fogo por sete anos sem parar e hoje é um dos destinos turísticos mais procurados do mundo

07/03/2026
Essa cidade do Triângulo Mineiro é uma das melhores para se viver no Brasil

A primeira do Brasil a instalar fibra óptica: essa cidade é uma das melhores para se viver em Minas Gerais, mas antes era parte de Goiás

07/03/2026
Uma capital fundada em 1535 que já teve 50 ilhas, engoliu a maioria com aterros e hoje mantém 33 delas conectadas por 7 pontes

Uma capital fundada em 1535 que já teve 50 ilhas, engoliu a maioria com aterros e hoje mantém 33 delas conectadas por 7 pontes

07/03/2026
Esse lugar no Triângulo Mineiro parece um parque natural com quedas d’água por todos os lados

A 989 m de altitude, essa cidade abriga um viaduto de 89 m de altura e a história do “morto” que reapareceu vivo

07/03/2026

O parque ficou assim por décadas. Em 2001, uma tentativa de ampliação foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por falhas no processo de consulta pública. Somente em junho de 2017, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o governo federal assinou o decreto que expandiu a área para 240 mil hectares, conforme reportou a Agência Brasil. A ampliação passou a proteger 466 nascentes e 32 espécies de fauna ameaçadas de extinção.

O maior quilombo do Brasil fica ao norte do parque

O Território Quilombola Kalunga se estende por 262 mil hectares entre os municípios de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás. Cerca de 9 mil pessoas vivem ali, distribuídas em 39 comunidades que mantêm 83% do Cerrado nativo preservado. A história começou no século XVIII, quando escravizados fugiam para os vãos entre as montanhas e fundavam comunidades isoladas.

O contato mais amplo com o restante do país veio apenas em 1982, quando antropólogos alertaram sobre uma usina hidrelétrica no Rio Paranã que desalojaria centenas de famílias. O projeto foi cancelado, e o território acabou reconhecido como Sítio Histórico e Patrimônio Cultural. Em 2021, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu o Kalunga como o primeiro TICCA do Brasil, ou seja, território conservado por comunidades locais, segundo informações da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ).

A Chapada dos Veadeiros se tornou atração indispensável para os amantes da natureza – By Marcelo Camargo/Agência Brasil / Wikimedia Commons

A expedição que mapeou a futura capital atravessou a Chapada

Em 1892, a Comissão Exploradora do Planalto Central, comandada pelo astrônomo belga Luís Cruls, cruzou a região da Chapada dos Veadeiros para delimitar a área que receberia a nova capital do país. A missão traçou o chamado Quadrilátero Cruls, referência que orientou, décadas depois, a construção de Brasília.

Antes de Cruls, os primeiros a chegar foram os bandeirantes da Bandeira do Anhanguera, por volta de 1730, em busca de ouro. Os escravizados que os acompanhavam fugiam para os vales e formavam quilombos. Em 1926, a célebre Coluna Prestes também passou pela Chapada. Esses cruzamentos históricos ajudam a explicar por que o nome “Veadeiros” não vem do animal, mas dos cães que farejavam veados na antiga fazenda que deu origem à região.

A Chapada dos Veadeiros se tornou atração indispensável para os amantes da natureza // Créditos: depositphotos.com / pedromoraesphotos

1.476 espécies de plantas e o Cerrado mais alto do país

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros protege um Cerrado de altitude com diversidade rara. De acordo com o IPHAN, foram identificadas 1.476 espécies de plantas dentro do parque, de um total de 6.429 catalogadas no bioma. Cinquenta espécies de fauna são classificadas como raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção, incluindo onça-pintada, lobo-guará, tatu-canastra e o raríssimo pato-mergulhão, que vive nos trechos encachoeirados do Rio Preto.

O parque funciona também como divisor de águas entre as bacias dos rios Paraná e Maranhão, este último afluente do Rio Tocantins e, portanto, parte da bacia Amazônica. Rios e córregos formam os saltos de 80 e 120 metros do Rio Preto, cartão-postal da Chapada, além de dezenas de cachoeiras espalhadas por fazendas e comunidades no entorno. Gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o parque foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 2001.

Quem busca o guia definitivo para a Chapada dos Veadeiros, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 109 mil inscritos, onde Bruno mostra um roteiro épico por Goiás, incluindo as águas cristalinas de Cavalcante e Alto Paraíso:

Leia também: Essas 5 praias brasileiras são perfeitas para nadar em águas cristalinas e conhecer os golfinhos bem de perto

Caminhe sobre o solo mais antigo do continente

A Chapada dos Veadeiros reúne o que poucos destinos no mundo conseguem: geologia bilionária, cultura quilombola viva, biodiversidade protegida por selo da UNESCO e um parque que sobreviveu a décadas de tentativas de encolhimento. Tudo isso a cerca de 230 km de Brasília, no Cerrado mais alto do Brasil.

Você precisa calçar a bota, encarar a trilha e deixar que a Chapada mostre por que esse pedaço de Goiás merece ser chamado de patrimônio do planeta.

Tags: Chapada dos VeadeiroscidadesGoiás

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Estado de Minas

Política Economia Internacional Nacional Cultura Saúde e Bem Viver EM Digital Fale com EM Assine o Estado de Minas

Entretenimento

Entretenimento Famosos Séries e TV Cinema Música Trends Comportamento Gastronomia Tech Promoções

Estado de Minas

Correio Braziliense

Cidades DF Política Brasil Economia Mundo Diversão e Arte Ciência e Saúde Eu Estudante Concursos Concursos

Correio Web

No Ataque

América Atlético Cruzeiro Vôlei Futebol Nacional Futebol Internacional Esporte na Mídia Onde Assistir

Vrum

Classificados MG Classificados DF Notícias

Lugar Certo

Classificados MG Classificados DF

Jornal Aqui

Cidades Esporte Entretenimento Curiosidades

Revista Encontro

Notícias Cultura Gastrô

Tv Alterosa

Alterosa Alerta Jornal da Alterosa Alterosa Esporte

Sou BH

Tupi FM

Apresentadores Programação PodCasts Melhores da Bola Tupi

© Copyright 2025 Diários Associados.
Todos os direitos reservados.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Gerais
  • Política
  • Economia
  • Nacional
  • Internacional
  • DiversEM
  • Saúde
  • Colunistas
  • Cultura
  • BBB
  • Educação
  • Publicidade Legal
  • Direito e Justiça Minas
  • Regiões de Minas
  • Opinião
  • Especiais
  • #PRAENTENDER
  • Emprego
  • Charges
  • Turismo
  • Ciência
  • Feminino e Masculino
  • Degusta
  • Tecnologia
  • Esportes
  • Pensar
  • Podcast
  • No Ataque
    • América
    • Atlético
    • Cruzeiro
  • Agropecuário
  • Entretenimento
  • Horóscopo
  • Divirta-se
  • Apostas
  • Capa do Dia
  • Loterias
  • Casa e Decoração
  • Mundo Corporativo
  • Portal Uai
  • TV Alterosa
  • Parceiros
  • Blogs
  • Aqui
  • Vrum
  • Sou BH
  • Assine
  • Anuncie
  • Newsletter
  • Classificados
  • Clube do Assinante
  • EM Digital
  • Espaço do Leitor
  • Fale com o EM
  • Perguntas Frequentes
  • Publicidade Legal Aqui
  • Conteúdo Patrocinado
  • Política de privacidade

© Copyright 2025 Diários Associados.
Todos os direitos reservados.