A 390 km de Curitiba, uma cidade planejada por ingleses sobre a terra roxa do norte do Paraná guarda seis obras de Vilanova Artigas, um lago desenhado por Burle Marx e a memória de ter sido a capital mundial do café. Londrina tem cerca de 585 mil habitantes e combina vida universitária, gastronomia multiétnica e um dos melhores índices de desenvolvimento humano do Sul do país.
Por que a cidade se chama Londrina?
Em 1924, a Missão Montagu, chefiada por Lord Lovat, percorreu o norte do Paraná e ficou impressionada com a fertilidade do solo. O plano original era plantar algodão, mas o fracasso levou à criação da Paraná Plantations, em Londres, e de sua subsidiária brasileira, a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). Em 21 de agosto de 1929, o engenheiro Alexandre Razgulaeff fincou o primeiro marco no local chamado Patrimônio Três Bocas.
O nome foi uma homenagem direta à capital britânica, sugerido por João Domingues Sampaio, um dos diretores da CTNP. A cidade virou município em 10 de dezembro de 1934. A neblina matinal frequente, típica da altitude de 610 metros, reforçou o apelido de Pequena Londres no imaginário popular.

A terra roxa que alimentou o planeta
Entre as décadas de 1940 e 1960, o café transformou Londrina em uma das cidades que mais cresciam no Brasil. A região norte do Paraná chegou a responder por mais da metade de todo o café consumido no mundo, segundo registros históricos amplamente citados sobre a safra de 1961. A riqueza dos grãos atraiu imigrantes italianos, japoneses, árabes, alemães e portugueses, moldando uma identidade cultural plural.
A grande geada de 1975 devastou os cafezais e encerrou o ciclo. A cidade, porém, já havia construído universidades, hospitais e um comércio forte. Londrina se reinventou como centro de serviços, agronegócio diversificado e tecnologia. A Universidade Estadual de Londrina (UEL), com cerca de 25 mil pessoas na comunidade acadêmica, é referência em medicina, direito e agronomia.
Como é viver na Princesa do Norte?
O IDHM de 0,778 coloca Londrina na faixa de alto desenvolvimento humano. A cidade é a segunda maior economia do Paraná e funciona como centro regional de saúde, educação e comércio para dezenas de municípios vizinhos. Bairros como Gleba Palhano e Jardim Universitário atraem famílias e estudantes pela arborização e infraestrutura.
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) complementa o cenário acadêmico, e o Parque Tecnológico de Londrina reúne empresas de TI. O custo de vida é considerado atrativo em comparação com Curitiba e São Paulo, e o calçadão no centro pulsa com o ritmo do comércio local.

O que fazer na cidade de Artigas e Burle Marx?
Londrina concentra um acervo arquitetônico modernista raro para o interior do Brasil. Parques, lagos e museus completam o roteiro.
- Museu de Arte de Londrina: antiga rodoviária projetada por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi (1948-1952), tombada pelo IPHAN em 2021 como Patrimônio Cultural do Brasil. Primeira obra de Artigas tombada nacionalmente.
- Lago Igapó: inaugurado em 1959, com 4.500 m de extensão e paisagismo de Burle Marx (187 espécies nativas). Ciclovia, chafariz e Teatro do Lago nas margens.
- Museu Histórico Padre Carlos Weiss: na antiga estação ferroviária, com mais de 40 mil peças sobre os pioneiros e o ciclo do café.
- Zerão: área de lazer com pista de cooper em formato de zero (1.050 m), quadras e gramado para eventos como o FILO.
- Jardim Botânico de Londrina: espaço de preservação de espécies nativas e pesquisa, aberto à visitação.
Quem sonha em conhecer o Paraná, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Viagens e Histórias, que conta com mais de 10 mil visualizações, onde o apresentador mostra um roteiro de um dia pela “Pequena Londres”, a cidade de Londrina:
Gastronomia de muitas origens em uma só cidade
A mesa londrinense reflete as ondas migratórias que formaram a cidade. A Feira da Lua, realizada semanalmente, reúne barracas de comida japonesa, árabe, italiana e regional em um mesmo espaço a céu aberto.
- Culinária japonesa: Londrina tem uma das maiores comunidades nipo-brasileiras do Paraná. Sushis, tempurás e izakayas se espalham por vários bairros.
- Esfihas e quibes: a imigração árabe deixou marcas nas padarias e restaurantes do centro.
- Café especial: torrefações locais resgatam a tradição cafeeira com grãos da região e métodos artesanais. O Museu do Café, no SESC, conta a história dos grãos com 750 itens.
Quando o clima favorece os passeios em Londrina?
O clima é subtropical úmido, com verões quentes e invernos amenos. No inverno, os ipês florescem e colorem as avenidas. Abril é especial pela ExpoLondrina, uma das maiores feiras agropecuárias do Brasil.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Pequena Londres do Paraná?
Londrina fica a 390 km de Curitiba pela BR-376, cerca de 4 horas de carro. O Aeroporto Governador José Richa, a 3 km do centro, opera voos para São Paulo, Curitiba e outros destinos. A Viaje Paraná indica também o acesso pela BR-369 para quem vem de Maringá (1h30). A rodoviária, com projeto original de Oscar Niemeyer, recebe linhas de todo o país.
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A cidade que trocou o café pelo futuro sem perder a alma
Londrina nasceu de capital britânico, cresceu com o café e se reinventou como metrópole universitária e tecnológica. Poucos lugares no interior do Brasil reúnem Artigas, Burle Marx e Niemeyer no mesmo perímetro urbano, com um lago no centro e a memória de ter alimentado o mundo com grãos de uma terra vermelha que não cansa de surpreender.
Você precisa caminhar pela margem do Igapó ao entardecer e sentir por que 585 mil pessoas escolheram viver na Pequena Londres do Paraná.




