Quando a dor da pedra nos rins vira rotina, qualquer novidade que amplie opções de cuidado no sistema público importa — e é isso que está em jogo com a chegada de um fitoterápico industrializado à base de quebra-pedra ao SUS. A planta Phyllanthus niruri, muito usada na medicina popular para queixas urinárias, está sendo transformada em medicamento com padrão farmacêutico, com produção em laboratório público e caminho regulatório até a Anvisa, o que pode mudar a forma como você previne recidivas e lida com episódios de litíase urinária no dia a dia (Fiocruz).
Quebra-pedra: o que é e como age
A quebra-pedra é o nome popular de uma planta tradicionalmente associada a distúrbios urinários e, no contexto de cálculos renais, o que se busca não é uma “quebra” literal de pedras grandes já formadas, e sim efeitos que atrapalhem etapas do processo de formação do cálculo. Em linguagem simples: a ideia é dificultar a cristalização e a agregação de partículas que, com o tempo, viram pedra, além de favorecer a eliminação de microcristais e fragmentos em situações específicas (Metrópoles).
Também é importante separar “chá caseiro” de medicamento: o fitoterápico industrializado é padronizado, com controle de qualidade e estabilidade, justamente para reduzir riscos como variação de dose, troca de espécie e contaminação, problemas que podem ocorrer em preparações artesanais sem rastreabilidade (Fiocruz).

Benefícios da quebra-pedra no tratamento
Para você, o principal benefício esperado é ampliar a prevenção e o manejo de recorrência, especialmente se já teve episódios repetidos. Especialistas citam que a planta pode atuar mais como aliada preventiva do que como solução para cálculos grandes, com possível apoio na eliminação de pequenos fragmentos após tratamentos como litotripsia, quando indicado pela equipe de saúde (Metrópoles).
Na prática, o ganho potencial se concentra em frentes como estas:
- Prevenção de novas pedras, ao interferir na formação e na “cola” dos cristais.
- Redução de recorrência em pessoas com histórico repetido de litíase.
- Complemento ao cuidado (hidratação, dieta e acompanhamento), sem substituir avaliação médica.
- Mais segurança quando comparado ao uso caseiro sem padronização, por ter dose e qualidade controladas.
Como o SUS incorporará a planta
A incorporação não é “liberar a planta”, e sim desenvolver um medicamento a partir dela. O projeto envolve Farmanguinhos/Fiocruz e parceria com o PNUD, além de acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para estimular pesquisa e desenvolvimento de fitoterápicos derivados da biodiversidade, seguindo regras de acesso ao conhecimento tradicional e repartição de benefícios (Fiocruz).
Evidências científicas sobre a eficácia
O que existe hoje é um conjunto de dados considerados promissores para prevenção e apoio no manejo da litíase, mas ainda com limitações: fontes que acompanham o tema apontam que faltam grandes ensaios clínicos randomizados e controlados para cravar, com o mesmo nível de certeza de muitos fármacos clássicos, o tamanho do benefício em humanos em diferentes perfis de pacientes (Metrópoles).
Por isso, a estratégia do SUS (e de qualquer sistema de saúde) é transformar o uso tradicional em produto farmacêutico, com padronização e dossiê regulatório. A própria Fiocruz descreve o caminho de lotes-piloto, estudos de estabilidade e submissão à Anvisa como etapas necessárias antes de fornecimento em larga escala (Fiocruz).
Impactos para pacientes com cálculos renais
Se o fitoterápico chegar à rotina do SUS com indicação bem definida, você pode ver impacto principalmente em prevenção de crises e redução de recidivas — o que, em cadeia, tende a diminuir idas ao pronto-socorro, uso de analgésicos e necessidade de procedimentos em parte dos casos. A expectativa é oferecer uma opção padronizada para um problema frequente que pressiona atendimentos e exige intervenções que nem sempre estão disponíveis rapidamente (Metrópoles).
Ao mesmo tempo, vale manter o pé no chão: “natural” não significa inofensivo. Há alertas de possíveis efeitos gastrointestinais e de interações (por exemplo, com diuréticos e medicamentos para diabetes), e grupos como gestantes, lactantes e crianças costumam ser orientados a evitar por falta de evidência robusta de segurança — então a regra prática é não se automedicar, mesmo quando o produto for disponibilizado (Metrópoles).
Próximos passos para o acesso ao fitoterápico
O acesso depende de uma sequência técnica e regulatória, que vai além do anúncio: produção de lotes-piloto, estudos de estabilidade, submissão e avaliação pela Anvisa, e só então a definição de fornecimento e protocolos no SUS (Fiocruz).
Para se preparar sem cair em atalhos, faça o básico bem feito enquanto a incorporação avança:
- Converse com seu urologista sobre seu tipo de cálculo e risco de recorrência.
- Evite substituir tratamentos (dieta, hidratação, controle metabólico) por soluções “naturais”.
- Se o fitoterápico for prescrito, siga dose e tempo orientados e avise sobre outros medicamentos em uso.




