A Lei do Inquilinato dispensa pintura nova ao fim do aluguel quando há apenas desgaste natural. Tribunais exigem reparo só em danos efetivos, como riscos profundos, manchas excessivas ou mudança de cor sem autorização.
O fim de um contrato de aluguel costuma gerar conflitos sobre a pintura do imóvel. Apesar do que muitos contratos indicam, a lei e os tribunais deixam claro que o inquilino só deve pintar novamente quando houver dano além do uso normal.
O que a Lei do Inquilinato realmente exige do inquilino?
A regra central está no Artigo 23, inciso III, da Lei nº 8.245/1991, conhecida como Lei do Inquilinato. O dispositivo determina que o locatário deve devolver o imóvel no estado em que recebeu, excetuando desgastes naturais do uso cotidiano.
Na prática, isso significa que o aluguel já remunera a depreciação natural do imóvel. Marcas leves, desgaste da tinta e envelhecimento das paredes não geram obrigação automática de pintura nova, segundo entendimento consolidado dos tribunais.

Quais situações exigem ou não pintura na devolução do imóvel?
Para evitar interpretações equivocadas, a Justiça diferencia claramente uso normal de dano efetivo. Essa distinção define quando a pintura é responsabilidade do proprietário ou do inquilino, conforme os exemplos listados a seguir.
- Desbotamento por luz solar: uso normal causado pelo tempo e exposição natural.
- Marcas leves de quadros ou móveis: desgaste comum da moradia diária.
- Paredes riscadas por crianças ou animais: dano efetivo que exige reparo.
- Furos excessivos com buchas e parafusos: dano estrutural atribuível ao inquilino.
- Mudança da cor original sem autorização: alteração indevida do padrão do imóvel.
- Manchas de gordura ou sujeira excessiva: má conservação que exige correção.
Cláusula contratual pode obrigar pintura completa?
Muitos contratos impõem a devolução do imóvel totalmente pintado, mas essa exigência nem sempre é válida. O Artigo 45 da Lei nº 8.245/1991 declara nulas cláusulas que contrariem os objetivos da legislação.
Os tribunais entendem que exigir pintura nova sem dano configura enriquecimento sem causa do proprietário. Mesmo constando no contrato, a cláusula pode ser anulada se ignorar o estado real de conservação do imóvel.

Como o inquilino deve agir para evitar cobranças indevidas?
Para se proteger de retenção de caução ou cobranças abusivas, o locatário deve adotar medidas preventivas e documentais durante todo o contrato e, principalmente, na entrega das chaves. Entre as ações mais importantes estão as seguintes.
- Vistoria de entrada detalhada: registre fotos das paredes e da pintura original.
- Reparos pontuais: feche pequenos furos e faça correções localizadas.
- Vistoria de saída acompanhada: documente tudo com fotos e vídeos.
O que dizem os tribunais sobre pintura e desgaste natural?
O entendimento dos Tribunais de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça é uniforme ao reconhecer que o desgaste natural é inerente à locação. O proprietário não pode transferir ao inquilino custos de manutenção periódica.
Assim, a devolução deve refletir uso normal do imóvel, e não uma reforma completa. Esse equilíbrio protege ambas as partes e evita conflitos, reforçando que a locação não transforma o inquilino em financiador da valorização patrimonial.




