As lesões de cartilagem do joelho, especialmente a condromalácia patelar e outras formas de condropatia, estão entre os motivos mais comuns de atendimento em consultórios de ortopedia em 2025. Esse tipo de alteração costuma gerar dor ao subir escadas, permanecer sentado por longos períodos ou após atividades de impacto, podendo limitar tarefas simples do dia a dia.
O que é condromalácia patelar e por que a cartilagem do joelho dói
No vídeo do @Dr. Oliver Ulson, são explicadas as principais causas da condromalácia do joelho, os tipos de dor envolvidos e como o tratamento clínico e a reabilitação ajudam a preservar a articulação no dia a dia:
A condromalácia patelar é caracterizada por alteração na textura e na resistência da cartilagem que recobre a patela e o fêmur. O termo condromalácia costuma ser usado para o amolecimento inicial da cartilagem, enquanto condropatia indica um espectro mais amplo de desgaste, que pode ir de pequenas fissuras até a exposição do osso subcondral.
Apesar de a cartilagem não possuir terminações nervosas, o joelho dói por mecanismos indiretos. Quando o desgaste atinge o osso subcondral, a região passa a suportar cargas anormais, gerando dor mecânica e sensação de peso, além da liberação de fragmentos microscópicos na articulação, que desencadeiam inflamação, inchaço e desconforto persistente.
Como diferenciar dor mecânica e dor inflamatória na condropatia do joelho
Na condropatia do joelho, a dor pode se apresentar de forma inflamatória, mecânica ou combinada. A dor inflamatória costuma ser mais contínua, por vezes presente em repouso, com inchaço visível, sensação de calor ao toque e rigidez acentuada pela manhã ou após longos períodos sentado.
Já a dor mecânica está associada à sobrecarga e ao atrito, piorando com corrida, agachamentos repetidos, saltos ou longas caminhadas. É comum o relato de estalos, sensação de “areia” no joelho ou pequenos travamentos, em geral, sem sinais importantes de inflamação aparente, o que orienta a escolha do tratamento.
Quais remédios são usados na condromalácia patelar e nas condropatias
O tratamento medicamentoso costuma ser dividido em fase de crise e fase de manutenção. Na fase aguda, com dor intensa que limita movimentos simples, o foco é aliviar o sintoma para permitir o início da reabilitação, usando anti-inflamatórios não esteroidais por tempo limitado e, em situações pontuais, corticoides sob rigoroso acompanhamento.
Quando a dor é leve ou moderada, géis e pomadas anti-inflamatórias podem ser suficientes, associados a analgésicos como dipirona e paracetamol. Em casos refratários, opioides de baixa potência, como codeína ou tramadol, podem ser considerados por curto período, sempre avaliando riscos de dependência, efeitos colaterais e doenças pré-existentes.
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Qual é o papel dos condroprotetores e dos fitoterápicos no tratamento do joelho
Na fase crônica, o uso contínuo de anti-inflamatórios e opioides costuma ser evitado, dando lugar aos condroprotetores ou fármacos de ação lenta. Entre eles, o colágeno tipo II não desnaturado (C2) é um dos mais estudados, podendo reduzir dor e rigidez em parte dos pacientes, enquanto a diacereína é usada em protocolos selecionados, embora limitada por efeitos gastrointestinais.
Além dos condroprotetores clássicos, substâncias fitoterápicas, com efeito, anti-inflamatório e analgésico vêm ganhando espaço em esquemas de uso prolongado. Entre as opções frequentemente citadas na prática clínica estão:
- Curcumina, com potencial efeito anti-inflamatório em uso contínuo.
- Harpagofito, utilizado como coadjuvante para dor crônica leve a moderada.
- Preparações à base de arnica, sobretudo em formulações tópicas.
- Compostos como MSM, piascledine e ácido hialurônico oral, com nível de evidência variável.
Quando considerar infiltrações com corticoide ou ácido hialurônico no joelho

As infiltrações intra-articulares são opção quando os sintomas persistem mesmo com medicação oral e reabilitação bem conduzida. A infiltração com corticoide pode proporcionar alívio rápido da inflamação, mas deve ser indicada com cautela em condropatias isoladas, já que doses repetidas podem prejudicar a cartilagem ao longo do tempo.
A infiltração com ácido hialurônico busca melhorar a lubrificação e a nutrição da articulação, oferecendo efeito mais duradouro em alguns casos e possível retardamento da progressão para artrose. A indicação depende da idade, grau de desgaste, nível de atividade e da avaliação custo-benefício para cada paciente.
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Como reabilitação, fortalecimento e controle do peso ajudam na condromalácia
Mesmo com o avanço dos medicamentos, o pilar central no manejo da condromalácia do joelho continua sendo a reabilitação. Programas de fortalecimento muscular do quadríceps, glúteos e músculos do quadril ajudam a estabilizar a patela e redistribuir as cargas, enquanto alongamentos reduzem tensões anormais e melhoram a mobilidade.
O controle do peso corporal também exerce papel relevante, pois o excesso de carga aumenta o estresse sobre a cartilagem fragilizada e o tecido adiposo libera substâncias pró-inflamatórias. Embora não exista medicamento capaz de restaurar integralmente a cartilagem, o cuidado diário com fortalecimento, ajuste de hábitos, sono adequado e, em casos selecionados, técnicas cirúrgicas pode manter o joelho funcional e reduzir o impacto das condropatias na rotina.




