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Pressão alta não avisa: novas diretrizes acendem alerta para quem ignora os números

André Rangel  Por André Rangel 
16/01/2026
Em Notícias, Saúde
Por que medir a pressão com frequência faz toda a diferença

Por que medir a pressão com frequência faz toda a diferença

A hipertensão arterial é hoje um dos maiores desafios de saúde pública, afetando milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Mesmo sendo uma condição silenciosa, que quase nunca dói nem dá sinais claros, ela pode causar danos graves ao coração, cérebro e rins ao longo do tempo, por isso entender o que é pressão alta, por que ela acontece e como controlá-la é fundamental para evitar complicações sérias e preservar a qualidade de vida.

O que é hipertensão arterial e como a pressão é medida corretamente

A hipertensão arterial é o aumento persistente da pressão do sangue contra as paredes das artérias, avaliada pelos valores de pressão sistólica (o número “maior”) e diastólica (o número “menor”). Considera-se pressão elevada quando os níveis ficam em torno ou acima de 140 x 90 mmHg em diferentes medições, feitas em condições adequadas de repouso.

De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2025, publicadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e válidas a partir de 2026, a antiga categoria de “pressão ótima” foi extinta. Agora, qualquer valor abaixo de 120/80 mmHg é considerado “pressão normal” e entre 120/80 e 139/89 mmHg passa a ser classificado como pré-hipertensão ou “pressão limítrofe”, exigindo atenção redobrada e acompanhamento.

Classificação Pressão sistólica (máxima) Pressão diastólica (mínima)
Normal Abaixo de 120 mmHg Abaixo de 80 mmHg
Pré-hipertensão 120 a 139 mmHg 80 a 89 mmHg
Hipertensão estágio 1 140 a 159 mmHg 90 a 99 mmHg
Hipertensão estágio 2 160 a 179 mmHg 100 a 109 mmHg
Hipertensão estágio 3 Igual ou acima de 180 mmHg Igual ou acima de 110 mmHg
Importante: esta classificação segue as diretrizes atualizadas de 2025/2026. Valores elevados devem ser avaliados por um profissional de saúde para diagnóstico e acompanhamento adequados.

Como é feito o diagnóstico de hipertensão e quais são as novas metas

O diagnóstico formal de hipertensão em consultório continua sendo feito a partir de 140/90 mmHg, em medidas repetidas e em dias diferentes, sempre em ambiente calmo. Para evitar erros, a SBC recomenda exames como o MAPA (monitorização ambulatorial de 24 horas) ou a MRPA (medidas residenciais), que ajudam a reduzir o “efeito do avental branco” e a confirmar se a pressão se mantém elevada fora do consultório.

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As novas diretrizes definem uma meta de tratamento única para a maioria dos pacientes em uso de medicação: manter a pressão abaixo de 130/80 mmHg, independentemente da idade, desde que o tratamento seja bem tolerado. Pessoas em pré-hipertensão (120/80 a 139/89 mmHg) devem receber orientações imediatas sobre mudanças de estilo de vida e avaliação de outros fatores de risco cardiovascular para evitar a progressão.

Quais são as principais causas e fatores de risco da pressão alta

Na maioria das vezes, a causa exata da pressão alta não é identificada, sendo chamada de hipertensão essencial, fortemente influenciada por genética e estilo de vida. Excesso de peso, consumo elevado de sal, sedentarismo, uso abusivo de álcool, tabagismo, envelhecimento e estresse crônico aumentam progressivamente o risco de desenvolver a doença.

Algumas situações levam à chamada hipertensão secundária, em que a pressão alta é consequência direta de outro problema de saúde, como doença renal crônica, alterações hormonais, apneia do sono ou uso prolongado de certos medicamentos. Com a nova classificação, pessoas com pré-hipertensão e esses problemas associados entram em uma faixa de maior vigilância, pois a chance de evoluir para hipertensão estabelecida é ainda maior.

As novas diretrizes para a gestão da pressão arterial

Quais são os sintomas, como prevenir e controlar a hipertensão no dia a dia

A hipertensão é conhecida como “assassina silenciosa” porque, na maior parte do tempo, não provoca sintomas perceptíveis e muitas pessoas convivem anos com pressão elevada sem notar qualquer mudança. Medir a pressão regularmente em unidades básicas de saúde, farmácias habilitadas ou em casa com aparelhos validados é essencial, especialmente em adultos com fatores de risco ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce.

O controle da hipertensão combina mudanças consistentes no estilo de vida com, quando necessário, uso contínuo de medicamentos prescritos por profissional habilitado. Algumas medidas práticas ajudam a prevenir e controlar a pressão alta e devem ser incorporadas à rotina de forma planejada:

  • Redução do sal: evitar sal em excesso, temperos prontos, embutidos e ultraprocessados.
  • Alimentação equilibrada: priorizar frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras.
  • Atividade física regular: caminhar, pedalar ou dançar ao menos 150 minutos por semana.
  • Controle do peso e do álcool, sem tabaco: perder alguns quilos, moderar a bebida e não fumar.
  • Gestão do estresse e sono adequado: incluir descanso, lazer e técnicas de relaxamento na rotina.

Quais são os impactos da hipertensão e por que o acompanhamento é vital

Quando não é bem controlada, a hipertensão aumenta muito o risco de infarto, AVC, insuficiência renal, alterações na visão e outras complicações graves, que surgem após anos de agressão silenciosa aos órgãos. Pessoas em pré-hipertensão (120/80 a 139/89 mmHg) já estão em “alerta amarelo”, sobretudo se tiverem diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo ou histórico familiar de doença cardiovascular.

Não espere um susto para cuidar da sua pressão: faça uma aferição ainda nesta semana, marque uma consulta e converse abertamente com um profissional de saúde sobre seus riscos e rotinas. Cada dia sem controle é um dia a mais de desgaste no coração, no cérebro e nos rins; agir agora, mantendo a pressão abaixo de 130/80 mmHg quando em tratamento e evitando a progressão da pré-hipertensão, pode ser a diferença entre manter sua autonomia com qualidade de vida ou enfrentar consequências irreversíveis no futuro.

Tags: hipertensãoNovas regrasnovas regras da hipertensãopressão alta

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