A chamada terra das pirâmides voltou ao centro das atenções em 2026 com a revelação de um monumento até então desconhecido em Luxor, no Egito. A descoberta, feita por uma equipe de pesquisadores da Holanda na região de Sheikh Abd el-Qurna, parte da Necrópole Tebana, trouxe à tona uma infraestrutura subterrânea complexa, com muros, escadarias e um cemitério sob o solo. A partir dessa estrutura e das inscrições preservadas nas paredes, surgiu o nome que se tornou o foco do estudo: Pas, possivelmente um governante regional do período do Império Novo, ainda pouco documentado pelas fontes tradicionais.
Por que esse novo monumento no Egito é tão importante
Esse novo complexo arqueológico se insere na área de Sheikh Abd el-Qurna, dentro da Necrópole Tebana, associada ao Império Neoegípcio (cerca de 1550 a 1069 a.C.). Diferentemente de templos e tumbas já conhecidos, o monumento apresenta elementos que sugerem função múltipla: espaço de culto, área funerária e possível centro de poder local.
Os muros que circundam o monumento, aliados ao cemitério subterrâneo, indicam uma organização planejada do espaço. A presença de uma porta principal e de escadas conectando diferentes níveis aponta para um controle rigoroso de acesso, típico de edificações ligadas a autoridades políticas ou religiosas de alto prestígio.

Quem foi Pas e qual foi seu papel na história egípcia
O nome Pas, identificado nas inscrições hieroglíficas do monumento, aparece vinculado a funções administrativas e rituais. Ainda não há consenso se ele atuava como um príncipe regional, um alto funcionário do Estado faraônico ou um administrador com poderes delegados, mas o conjunto arquitetônico indica acesso a recursos significativos.
Nas paredes do complexo, cenas coloridas retratam Pas realizando oferendas, participando de cerimônias religiosas e interagindo com outras figuras de status elevado. A iconografia segue padrões do Império Novo, permitindo comparações com túmulos de outros dignitários e ajudando a revisar relações de poder entre Tebas e outras cidades.
O que a infraestrutura subterrânea revela sobre a terra das pirâmides
A infraestrutura subterrânea encontrada em Luxor mostra que a terra das pirâmides abriga, além das gigantescas construções de pedra, uma vasta rede de espaços ocultos. O pátio de acesso com escadas que conduzem a câmaras inferiores é típico de tumbas do Império Novo, mas o monumento de Pas revela uma organização especialmente elaborada.
No subsolo foram localizados corredores estreitos, câmaras funerárias com nichos, ambientes decorados com pinturas e inscrições, além de áreas estruturadas com tijolos de barro. Essa combinação de pedra e alvenaria reforça a ideia de monumentos operando em dois planos: um visível e cerimonial e outro subterrâneo, reservado a práticas religiosas e funerárias complexas.

Quais avanços científicos impulsionam novas descobertas no Egito
O caso de Pas destaca a importância de técnicas modernas de investigação do subsolo, que vêm transformando a arqueologia egípcia. As equipes combinam métodos tradicionais de escavação com tecnologias avançadas, tornando possível localizar estruturas ocultas em áreas já exploradas.
Essas ferramentas ajudam a identificar vazios, câmaras e corredores antes invisíveis, orientando melhor onde escavar e preservando zonas sensíveis. Entre os recursos mais usados hoje pelos pesquisadores, destacam-se:
- Radares de penetração terrestre para mapear camadas subterrâneas sem escavação imediata.
- Mapeamento 3D para registrar digitalmente monumentos e túmulos com alta precisão.
- Análises de solo que indicam áreas com possíveis restos orgânicos ou estruturas soterradas.
- Bancos de dados digitais que conectam inscrições, objetos e imagens de diferentes sítios.
O que essa descoberta sinaliza sobre o futuro das escavações no Egito
A identificação do monumento de Pas sugere que as próximas décadas ainda reservarão surpresas em regiões como Luxor, Gizé, Saqqara e o Delta do Nilo. Na área de Sheikh Abd el-Qurna, a tendência é aprofundar o mapeamento da infraestrutura subterrânea, comparar inscrições com outros sítios do Império Novo e analisar restos humanos para entender o perfil social dos enterrados.
Cada novo monumento que vem à luz, como o de Pas, expande o “arquivo vivo” da história egípcia e revela uma rede de lideranças mais complexa do que se imaginava. Se você se interessa por arqueologia e pela história do Egito, este é o momento de acompanhar as próximas campanhas de escavação: descobertas capazes de mudar livros e narrativas podem estar sendo feitas agora, debaixo da areia, antes que se perca mais desse passado único.




