Ter um poço artesiano dentro do próprio quintal não libera o uso da água. A perfuração e a captação dependem de regras estaduais. Sem outorga, pode haver multa e embargo; se a obra causar poluição, a penalidade ambiental pode chegar a R$ 50 milhões.
Posso perfurar um poço dentro do meu próprio terreno?
Ser dono do imóvel não dispensa a autorização para perfurar e retirar água do subsolo. A regulação das águas subterrâneas e a autorização dos poços pertencem aos estados e ao Distrito Federal.
Por isso, o procedimento muda conforme o local. Alguns estados exigem autorização antes da perfuração e, depois da obra, a outorga para usar a água. Outros também possuem cadastro para captações consideradas pequenas.

Quais documentos costumam ser exigidos antes do uso?
A outorga é o documento que permite captar determinada quantidade de água durante um prazo e seguindo condições definidas. A Lei 9.433/1997 inclui a retirada de água de aquífero subterrâneo entre os usos sujeitos a esse controle.
Um exemplo é o Paraná, onde a anuência prévia deve ser pedida antes da perfuração. Depois, o responsável solicita a outorga ou o cadastro de uso insignificante.
- Autorização ou anuência antes de perfurar, quando exigida pelo estado.
- Projeto assinado por profissional habilitado.
- Anotação de Responsabilidade Técnica, conhecida como ART.
- Cadastro do poço e informações sobre sua localização.
- Teste de bombeamento para medir a capacidade de retirada.
- Outorga ou declaração de uso que não precisa de outorga.
- Licença ambiental ou municipal, quando a atividade exigir.
Quando a multa pode chegar a R$ 50 milhões?
A falta de outorga, sozinha, não leva automaticamente a uma cobrança de R$ 50 milhões. Pela regra federal de recursos hídricos, usar água sem autorização pode gerar advertência, multa simples ou diária de R$ 100 a R$ 10 mil, além do embargo da obra ou da captação.
O teto milionário aparece quando existe poluição capaz de prejudicar a saúde, matar animais ou causar destruição importante da natureza. O artigo 61 do Decreto 6.514/2008 prevê multa de R$ 5 mil a R$ 50 milhões para esse tipo de dano.
- Perfurar sem autorização pode levar à paralisação da obra.
- Retirar água sem outorga pode gerar multa e embargo.
- Captar acima da quantidade autorizada também é infração.
- Deixar produtos químicos entrarem no poço pode contaminar o aquífero.
- Um poço abandonado e aberto pode virar caminho para poluentes.
- As leis estaduais podem definir valores e punições adicionais.
Qual é a diferença entre falta de documento e dano ambiental?
O valor depende da conduta, do risco, do dano causado e das regras do estado. O fiscal também pode mandar interromper o bombeamento, lacrar o poço ou exigir sua regularização.

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Como regularizar um poço que já existe no quintal?
O primeiro passo é procurar o órgão de recursos hídricos do estado e informar que o poço já está pronto. Estados como o Rio Grande do Sul mantêm procedimentos próprios para regularização, outorga, dispensa e fechamento de captações antigas.
O órgão pode exigir projeto, relatório técnico, medição da vazão e análise da água. Quando ela for usada para beber ou cozinhar, a aparência limpa não basta para provar que é segura. Se o poço não puder ser regularizado, pode ser necessário fechá-lo de forma técnica para impedir a entrada de sujeira no aquífero.
