A posição em que você dorme pode deixar marcas que vão além do travesseiro amassado pela manhã. Segundo um estudo publicado no Aesthetic Surgery Journal, dormir de lado ou de bruços aplica compressão, tensão e atrito sobre o rosto, favorecendo as chamadas rugas do sono ao longo dos anos.
Dormir de lado realmente pode marcar o rosto?
O estudo conduzido por Goesel Anson, Matthew Kane e Val Lambros analisou como a pele facial reage à pressão repetida durante o sono. Quando o rosto fica apoiado contra o travesseiro, forças mecânicas empurram, dobram e distorcem a pele em regiões como bochechas, testa, lábios e colo.
Isso não significa que uma noite de lado vá mudar o rosto de alguém. O ponto é a repetição. Com o envelhecimento, a pele perde colágeno, elasticidade e espessura, ficando menos capaz de voltar totalmente ao estado original depois de horas sob a mesma pressão.

Por que as rugas do sono são diferentes?
As rugas de expressão surgem principalmente pela contração dos músculos faciais, como acontece ao sorrir, franzir a testa ou apertar os olhos. Já as rugas do sono aparecem por compressão externa, quando a pele é dobrada contra uma superfície durante muitas noites.
Essa diferença explica por que tratamentos com toxina botulínica costumam ter pouco efeito nesse tipo de marca. Como a causa não é o movimento muscular, mas a pressão do travesseiro, a prevenção depende mais de reduzir a distorção facial do que de bloquear expressões.
Quais posições aumentam mais a pressão?
Nos estudos citados pelos autores, dormir de lado aparece como a posição mais comum, representando cerca de 65% do tempo observado. Dormir de costas ficou em torno de 30%, enquanto dormir de bruços foi menos frequente, mas tende a gerar maior compressão direta no rosto.
Alguns fatores ajudam a entender por que as marcas podem se acumular com o tempo:
- O rosto passa horas pressionado contra o travesseiro;
- A pele perde elasticidade naturalmente com a idade;
- Mudamos menos de posição ao envelhecer;
- Atrito, ressecamento e sol podem intensificar as linhas.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Dra. Marina Hayashida dando dicas de como evitar as rugas no colo e no pescoço.
Como reduzir o impacto sem piorar o sono?
A forma mais direta de diminuir a pressão facial é tentar dormir de costas, mas isso nem sempre é confortável ou indicado para todos. Pessoas com ronco intenso, refluxo, dor nas costas ou suspeita de apneia devem priorizar orientação profissional antes de forçar qualquer mudança.
Também ajudam medidas simples, como usar fronha macia, manter a pele hidratada, aplicar protetor solar durante o dia e evitar tabagismo. Travesseiros anatômicos podem reduzir o contato do rosto com a superfície, mas nenhum acessório substitui uma boa rotina de sono e cuidado com a pele.
O que essa descoberta muda na sua rotina?
A principal lição não é vigiar cada movimento durante a noite, mas perceber que pequenas pressões repetidas também contam na história da pele. Dormir bem continua sendo essencial para saúde, humor e recuperação do corpo, então a busca por menos marcas não deve virar ansiedade.
Comece pelo que é possível hoje: hidrate a pele, proteja-se do sol, observe sua posição ao deitar e reduza o atrito quando puder. O tempo passa de qualquer forma, mas suas escolhas diárias podem transformar esse processo em cuidado, consciência e respeito pelo próprio rosto.




