Em uma liga dominada por arenas de concreto e aço, o Forest Green Rovers, clube da quarta divisão inglesa frequentemente apontado como o clube mais ecológico do mundo, decidiu seguir um caminho diferente. O futuro Eco Park Stadium será construído com madeira como material principal, em um momento em que cresce a pressão global por reduzir emissões na construção civil. A arena pretende unir desempenho esportivo, inovação arquitetônica e responsabilidade ambiental em um mesmo complexo.
Por que o Eco Park Stadium se tornou referência em estádio de madeira?
O ponto central do Eco Park é o uso intenso de madeira engenheirada em componentes que, em estádios tradicionais, costumam ser de concreto armado ou aço. Pilares, vigas principais, trechos de arquibancada e partes da cobertura serão formados por elementos laminados industrializados, dimensionados para suportar o peso de público, equipamentos e esforços do vento.
Essa escolha não está ligada apenas à aparência, mas também ao desempenho ambiental ao longo do ciclo de vida da construção. A madeira certificada funciona como depósito de carbono, enquanto cimento e aço estão entre os materiais que mais emitem gases de efeito estufa na produção, o que torna o Eco Park um raro estádio de madeira no futebol profissional europeu.

Como será o projeto arquitetônico e a capacidade do Eco Park Stadium?
O desenho do Eco Park Stadium é assinado pelo escritório Zaha Hadid Architects, conhecido por soluções de formas fluidas e forte presença estrutural. No caso do Forest Green Rovers, a proposta prioriza linhas simples, volumes compactos e possibilidade de crescimento em fases, acompanhando a evolução esportiva e financeira do clube.
A primeira etapa prevê algo em torno de 5.000 assentos, número adequado à atual dimensão do time, com expansão planejada para cerca de 10.000 lugares. Essa estratégia evita uma arena superdimensionada e contribui para reduzir desperdícios de material, uso excessivo de solo e custos de operação ao longo do tempo.
- Capacidade inicial planejada para cerca de 5.000 torcedores;
- Possibilidade de expansão para aproximadamente 10.000 lugares;
- Arquitetura pensada para crescimento modular em fases;
- Estrutura dominante em madeira engenheirada de origem responsável.
Como o Eco Park Stadium se integra ao entorno e à mobilidade?
O Eco Park Stadium é apresentado não apenas como arena, mas como parte de um parque esportivo e ecológico conectado à paisagem local. O plano inclui o plantio de centenas de árvores, longos trechos de cercas vivas e amplas faixas verdes, aproximando o conjunto da ideia de um campus aberto, com campos de treino, trilhas e áreas de lazer integrados.
Esse arranjo favorece a biodiversidade e ajuda a mitigar ilhas de calor e escoamento superficial típicos de grandes áreas impermeáveis. Caminhos para pedestres e ciclistas, estacionamentos de bicicletas e recarga de veículos elétricos buscam incentivar meios de transporte menos poluentes, fazendo do deslocamento do público parte da estratégia de futebol sustentável.

Quais desafios técnicos um estádio de madeira precisa superar?
A adoção de madeira em um equipamento desse porte exige rigor técnico em vários aspectos de desempenho. Regras de segurança contra incêndio, dimensionamento para grandes vãos, comportamento da madeira em ambiente úmido e exigências de manutenção periódica são pontos avaliados detalhadamente pelos responsáveis pelo Eco Park Stadium.
Para que a promessa de redução de emissões seja confirmada, é necessário acompanhar todo o ciclo de vida da arena. Isso inclui origem da madeira, transporte até o canteiro, eficiência energética em operação, substituição de componentes ao longo dos anos e destino final dos materiais, com monitoramento transparente de indicadores até pelo menos 2026.
- Garantir desempenho estrutural equivalente ao de estruturas metálicas ou de concreto;
- Atender às normas de segurança contra incêndio e evacuação em massa;
- Proteger a madeira da umidade e de agentes biológicos ao longo das décadas;
- Planejar manutenção acessível para uso contínuo e intenso do estádio;
- Monitorar emissões em todas as fases do ciclo de vida da construção.
Que impacto o Eco Park Stadium pode ter na arquitetura esportiva sustentável?
O peso simbólico do projeto ultrapassa os resultados em campo do Forest Green Rovers e sua presença em divisões inferiores. Um clube de orçamento modesto, ao anunciar um estádio de madeira assinado por um grande escritório de arquitetura, amplia a visibilidade de soluções de baixo carbono em um setor acostumado a obras de alto consumo de materiais convencionais.
O Eco Park Stadium se encaixa na tendência de usar infraestruturas esportivas como vitrine para mudanças de padrão na construção civil. A associação entre Forest Green Rovers, Zaha Hadid Architects, madeira de origem responsável e integração paisagística transforma o projeto em referência acompanhada por clubes, federações, gestores públicos e empresas de engenharia, reforçando a ideia de que é possível reorganizar a relação entre futebol, cidade e clima.




