A Intersport Espanha declarou encerramento de atividades em mais de 120 pontos de venda após um complexo processo de liquidação judicial. A decisão decorre de uma profunda crise de insolvência que impactou todo o grupo no país.
Como a rede de loja de artigos esportivos chegou à liquidação?
A crise começou a se tornar evidente no verão de 2024, quando a empresa comunicou o estado de pré-insolvência ao juízo mercantil. A falta de capital externo impediu a manutenção das operações, forçando o pedido de concurso de acreedores — o equivalente espanhol da recuperação judicial — em fevereiro de 2025.
As sociedades que compunham o grupo carregavam passivos milionários, incluindo 34 milhões de euros na Intersport CCS. Como as propostas de reestruturação de dívidas não obtiveram o apoio de 66% do passivo, a magistrada Berta Pellicer, do Juzgado nº 3 de lo Mercantil de Barcelona, ordenou a liquidação total em 30 de julho de 2025.
O que aconteceu com as unidades e o estoque da empresa?
A estrutura de vendas contava com aproximadamente 30 lojas próprias e o restante operando via franquia. Após a decisão judicial, os ativos foram consolidados em dois blocos para leilão, envolvendo a Central de Compras e a rede de 34 estabelecimentos.
Veja na tabela abaixo a distribuição aproximada dos ativos durante o processo de insolvência:

A Intersport France adquiriu a central por 300.000 euros para manter a marca operante no mercado ibérico. Enquanto isso, estoques foram escoados em campanhas de queima de preços sob supervisão do escritório RCD Legal.
Por que a tentativa de aquisição pela Decathlon enfrentou obstáculos?
A Decathlon, principal concorrente no setor, notificou a Comisión Nacional de los Mercados y la Competencia (CNMC) em dezembro de 2025 sobre o interesse em adquirir lojas estratégicas. Contudo, a operação foi barrada inicialmente por preocupações com a concentração de mercado.
A autoridade reguladora elevou a análise para uma segunda fase em abril de 2026. A preocupação central foca em regiões como a ilha de Tenerife, onde a compra poderia resultar em uma posição dominante excessiva para a gigante francesa, limitando a concorrência local.
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Qual o futuro da marca no mercado espanhol e português?
A marca não desaparecerá do mercado ibérico, pois a Intersport France realizou a compra dos ativos da subsidiária espanhola ainda em novembro de 2025. A matriz francesa planeja abrir novas lojas em Espanha e Portugal, buscando uma operação mais enxuta e controlada diretamente da sede.
Essa nova fase ignora as antigas sociedades locais endividadas, permitindo que a marca tente um recomeço operacional. O plano de expansão foca em unidades que garantam rentabilidade sem o peso dos passivos acumulados pelas gestões anteriores das franquias.
O que este caso ensina sobre o varejo esportivo europeu?
O colapso reflete a pressão sofrida por redes multimarca frente ao avanço do e-commerce e a estratégia de venda direta ao consumidor das grandes fornecedoras como Nike e Adidas. A preferência dessas fabricantes em liquidar o devedor, recusando perdão de dívidas, sinaliza a fragilidade de modelos de negócios baseados em franquias descentralizadas.
O episódio destaca a necessidade de adaptação rápida para as redes de varejo físicas na Europa. A sobrevivência no setor esportivo atual depende de uma integração logística eficiente e de um controle financeiro rigoroso que minimize a dependência de grandes estruturas cooperativas vulneráveis a crises econômicas.




