Pontes, viadutos e túneis de concreto armado convivem diariamente com um processo silencioso que desgasta a infraestrutura: a corrosão das barras de aço internas. Com o tempo, esse aço se deteriora, aumenta de volume e gera fissuras no concreto, abrindo caminho para ainda mais umidade e contaminantes. Esse ciclo afeta diretamente a vida útil das estruturas e obriga governos e empresas a planejarem reparos constantes, muitas vezes complexos e onerosos, o que torna urgente o uso de materiais mais duráveis.
Como o aço resistente à corrosão aumenta a durabilidade das pontes?
Nesse cenário, ganha destaque o desenvolvimento de um aço resistente à corrosão criado pela startup Allium Engineering, formada por ex-alunos do MIT. A empresa aposta em um vergalhão de aço convencional recoberto por uma fina camada de aço inoxidável, pensado para suportar décadas de exposição em ambientes agressivos.
O funcionamento desse aço anticorrosão está ligado à presença da camada inoxidável, que atua como barreira entre o concreto e o núcleo de aço de base. Estudos indicam que, em condições agressivas, uma ponte que dependeria de intervenções em cerca de 30 anos pode ultrapassar 100 anos de serviço com poucas manutenções estruturais.

Por que o vergalhão revestido é vantajoso para a engenharia civil?
Do ponto de vista da engenharia civil, o diferencial não está apenas na proteção anticorrosiva, mas também na compatibilidade com as práticas atuais de projeto e obra. O vergalhão revestido mantém o formato corrugado, podendo ser cortado, dobrado e amarrado de forma semelhante ao aço tradicional.
Esse material pode ser integrado a diferentes tipos de infraestrutura, como pontes, viadutos e túneis sujeitos a ambientes agressivos, mantendo o modo tradicional de construir. Ao prolongar a vida útil de pontes e viadutos, o aço resistente à corrosão contribui para uma infraestrutura resiliente, preparada para chuvas intensas, enchentes e variações de temperatura.
Onde o aço anticorrosão pode ser aplicado na infraestrutura?
Além de pontes rodoviárias e ferroviárias, o aço resistente à corrosão tem aplicações diversas em obras expostas à umidade, sais e poluentes. Em muitos casos, ele substitui o vergalhão comum sem exigir grandes mudanças de projeto estrutural ou de métodos construtivos.
Entre as principais aplicações em engenharia civil, destacam-se:
- pontes rodoviárias e ferroviárias próximas ao mar ou sujeitas a névoa salina;
- viadutos urbanos expostos à poluição e ciclos intensos de umidade;
- túneis e passarelas com contato frequente com água;
- estruturas em regiões com uso constante de sais descongelantes.

Como é produzido o aço anticorrosão da Allium Engineering?
A tecnologia da Allium foi concebida para se encaixar em linhas industriais já existentes, o que facilita sua escalabilidade. O processo começa com a produção de lingotes, muitas vezes usando aço reciclado de automóveis, eletrodomésticos e sucata metálica.
Antes da laminação, uma fina camada de aço inoxidável é soldada à superfície do lingote com equipamentos industriais comuns. Depois dessa etapa, o material segue para o processo tradicional de laminação, gerando até 1,6 quilômetro de vergalhão corrugado contínuo com a camada inoxidável aderida ao núcleo de aço de base.
Quais são os impactos ambientais e econômicos desse aço resistente à corrosão?
Estruturas mais duráveis tendem a exigir menos intervenções ao longo do tempo, reduzindo a necessidade de escavação, demolição parcial e substituição de vergalhões. Cada manutenção evitada significa menor consumo de cimento, aço, energia, transporte e mão de obra, além de menos emissões de gases de efeito estufa.
Com o uso de aço resistente à corrosão, a manutenção de pontes e viadutos pode se tornar menos frequente. Isso contribui para a construção sustentável e para a infraestrutura sustentável, com diminuição de entulho enviado a aterros, menor produção de novos materiais e redução de interdições que afetam o tráfego e as emissões.
Em quais outras estruturas o aço anticorrosão pode ser utilizado?
Embora o foco inicial seja a corrosão em pontes e viadutos, o conceito se estende a outras frentes da engenharia civil e da indústria. Em muitas obras de reforço estrutural, a troca de vergalhões comuns por versões revestidas aumenta o intervalo entre futuras intervenções.
O mesmo tipo de aço anticorrosão pode ser incorporado a linhas férreas, vigas de edifícios em áreas costeiras, tubulações industriais e usinas de energia. A experiência recente da Allium Engineering em projetos na Califórnia e na Flórida mostra que a solução já integra obras reais e tende a ganhar escala, ajudando cidades a construir menos vezes e conservar por mais tempo o que já está de pé.




