Implantado em Las Rozas, na área metropolitana de Madri, o novo edifício sustentável da UNED foi concebido para funcionar como peça central do futuro campus científico da universidade. O prédio de médio porte reúne laboratórios, escritórios e áreas de convivência em um único conjunto, projetado desde o início para consumir menos energia e produzir parte da eletricidade que utiliza. O desenho arquitetônico traduz a aposta da instituição em pesquisa aplicada e em soluções de baixo impacto ambiental, articulando eficiência energética e conforto dos usuários.
Como funciona o conceito de edifício universitário sustentável na UNED?
O edifício sustentável da UNED combina organização interna eficiente, uso de energias renováveis e estratégias de arquitetura bioclimática. A disposição dos ambientes prioriza iluminação natural e ventilação cruzada, reduzindo a necessidade de sistemas artificiais durante muitas horas do dia e favorecendo o conforto térmico e visual.
Ao mesmo tempo, a cobertura foi transformada em um grande plano produtor de eletricidade, integrando tecnologia fotovoltaica à estrutura do telhado. Assim, consumo e geração de energia passam a dialogar de forma mais equilibrada, aproximando o prédio de um modelo operacional de menor pegada de carbono e maior autonomia energética.

Como o telhado fotovoltaico transforma a cobertura em área de geração de energia?
O destaque do edifício sustentável da UNED é o uso intensivo de energia solar incorporada à própria arquitetura, seguindo o conceito de BIPV. A cobertura concentra mais de 4.000 módulos fotovoltaicos de silício cristalino, distribuídos ao longo de praticamente toda a área de telhado, deixando de ser um complemento e passando a integrar a envoltória do edifício.
Nesse projeto, parte dos módulos assume a forma de venezianas e painéis de vidro fotovoltaico, fornecidos pela Onyx Solar, atuando como filtro entre exterior e interior. Eles protegem contra a incidência direta do sol, ajudam a controlar o ganho de calor e convertem a radiação em eletricidade, reduzindo a carga sobre os sistemas de climatização e atendendo prioritariamente às demandas do próprio prédio.
Como a arquitetura bioclimática orienta o campus científico em Las Rozas?
Além dos módulos solares, o campus científico tecnológico em Las Rozas adota uma série de recursos de arquitetura bioclimática para tirar proveito do clima local. O posicionamento dos blocos, a configuração de pátios internos e a escolha de materiais buscam responder à intensidade do sol, às variações de temperatura ao longo do ano e ao regime de ventos, minimizando o uso de sistemas mecânicos.
Os pátios internos funcionam como núcleos de ventilação e iluminação, complementados por jardins, lâminas d’água e áreas sombreadas. Para detalhar essas estratégias, é possível destacar alguns elementos-chave que atuam de forma integrada na melhoria do desempenho ambiental:
- Sombreamento controlado: brises, venezianas de vidro fotovoltaico e marquises reduzem o ganho de calor nas horas mais quentes.
- Ventilação cruzada: aberturas em fachadas opostas facilitam a renovação do ar sem uso constante de equipamentos.
- Uso da luz natural: janelas altas, claraboias e pátios iluminam áreas internas profundas e reduzem o uso de lâmpadas.
- Elementos paisagísticos: vegetação e espelhos d’água contribuem para microclimas mais amenos ao redor do edifício.

Qual é o impacto dos laboratórios no desempenho energético do edifício?
Uma parte significativa da área total, estimada em 12.000 m², é destinada a laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, que concentram equipamentos de alta potência. Cerca de 2.700 m² do edifício abrigam espaços técnico-científicos com sistemas de exaustão e climatização constante, elevando o consumo elétrico em comparação com escritórios convencionais.
Nesse contexto, o telhado fotovoltaico e a envoltória eficiente ganham relevância ao reduzir a carga térmica e, consequentemente, a demanda de resfriamento. O restante da área construída, ocupado por escritórios, setores administrativos, salas de reunião, auditórios e espaços de convivência, apresenta consumo mais moderado e se beneficia diretamente da iluminação natural e das soluções bioclimáticas implantadas.
Como o edifício dialoga com a cidade e a transição energética?
Ao reunir vidro fotovoltaico, BIPV, arquitetura bioclimática e telhado solar em larga escala, o campus científico tecnológico da UNED em Las Rozas se torna um caso concreto de aplicação de energia solar em ambiente urbano. Em contextos de solo disputado, transformar fachadas, coberturas e brises em superfícies ativas de geração representa um caminho relevante para a descarbonização de curto e médio prazo.
Com orçamento em torno de 10,5 milhões de euros, o projeto reforça o papel das universidades como laboratórios vivos de inovação. O desempenho dos módulos integrados, a resposta térmica dos pátios e o comportamento dos sistemas de climatização podem ser monitorados por equipes de engenharia, arquitetura e ciências ambientais, fazendo com que o prédio seja, ao mesmo tempo, consumidor, produtor de energia e objeto permanente de estudo.




