Em vários polos produtores de mármore, o corte e o polimento das chapas geram toneladas de pó fino todos os anos. Esse material, sem uso definido, costuma ser acumulado em bacias de contenção ou terrenos próximos às indústrias, exigindo monitoramento e causando preocupação ambiental. Nesse contexto, o tijolo com resíduo de mármore surge como alternativa para transformar esse excedente em um produto de valor agregado, integrado à cadeia da construção civil, alinhado à economia circular.
O que é o tijolo com resíduo de mármore?
O tijolo com resíduo de mármore é uma unidade de alvenaria que incorpora o pó gerado no beneficiamento de chapas de mármore à sua composição. Em vez de deixar esse resíduo parado em depósitos, ele passa a integrar a mistura de cimento, água e agregados usados na fabricação de blocos e tijolos.
Pesquisas acadêmicas, incluindo trabalhos desenvolvidos na Universidade Autónoma de Coahuila, investigam como aproveitar esse pó em altas proporções, sem prejudicar o desempenho da alvenaria. O resultado é um tipo de tijolo ecológico que concilia reaproveitamento de materiais com requisitos de resistência, durabilidade e desempenho em obra.

Como o tijolo com resíduo de mármore é fabricado?
O tijolo com resíduo de mármore é produzido a partir de uma mistura de cimento, água, agregados miúdos e o próprio pó de mármore. Em formulações estudadas, o resíduo pode representar cerca de 60% da parte sólida, tornando o produto um exemplo de materiais reciclados na construção e reduzindo o uso de matérias-primas virgens como a areia natural.
A granulometria muito fina do resíduo permite que o pó ocupe vazios entre partículas maiores, deixando a estrutura interna mais compacta. Em muitos casos, usam-se aditivos superplastificantes para manter a mistura fluida com menos água, técnica comum em concretos de alto desempenho, permitindo moldagem, vibração e cura semelhantes às de blocos de concreto tradicionais.
O tijolo com resíduo de mármore é resistente para uso em alvenaria?
Ensaios laboratoriais mostram que esse tipo de tijolo pode alcançar valores relevantes de resistência à compressão, comparáveis aos de blocos convencionais. Em estudos conduzidos no México, amostras com alta proporção de resíduo marmóreo atenderam às exigências de normas locais para elementos de alvenaria, como documentos da família NMX.
O desempenho também envolve menor absorção de água em certas formulações, quando comparadas a tijolos cerâmicos comuns, o que tende a favorecer a durabilidade. A densidade geralmente mais alta contribui para paredes mais robustas e com possível ganho em isolamento acústico, desde que o traço seja corretamente ajustado e controlado em produção.
- Resistência compatível com limites fixados em normas mexicanas para elementos de alvenaria;
- Possibilidade de menor absorção de água, favorecendo a durabilidade;
- Densidade superior à de várias divisórias leves, gerando paredes mais sólidas;
- Geometria relativamente regular, que contribui para o alinhamento da alvenaria.

Quais são os principais benefícios ambientais do tijolo com resíduo de mármore?
Do ponto de vista ambiental, o principal efeito está na redução do volume de resíduo armazenado em áreas abertas. O acúmulo de pó de mármore gera poeira, altera a paisagem e ocupa terrenos que poderiam ter outros usos, além de exigir monitoramento constante por parte de órgãos ambientais e das indústrias.
Ao incorporar esse material em tijolos alternativos, uma fração do passivo passa a integrar um ciclo produtivo, alinhado ao conceito de economia circular na construção. Parte da areia e de outros agregados naturais é substituída pelo resíduo, reduzindo impactos associados à mineração, ao transporte de insumos e à disposição final de rejeitos minerais.
- Transformação de um resíduo abundante em insumo de valor agregado;
- Redução da necessidade de áreas de deposição para pó de mármore;
- Diminuição parcial da extração de areia e outros agregados naturais;
- Contribuição para estratégias de construção civil sustentável.
O uso em larga escala do tijolo com resíduo de mármore já é viável?
Apesar do avanço das pesquisas, a adoção ampla do tijolo com resíduo de mármore ainda requer consolidação de parâmetros. É necessário padronizar traços para diferentes teores de resíduo, aprimorar o controle de qualidade industrial e avaliar o comportamento das paredes em longo prazo, sob variações de temperatura, umidade e carregamentos reais.
Questões econômicas também influenciam a viabilidade da tecnologia. Em regiões com forte presença da indústria do mármore, a proximidade entre fontes de resíduo e locais de obra pode tornar a solução competitiva, sobretudo se a produção ocorrer em unidades próximas aos canteiros, reforçando o uso de materiais de baixo impacto na construção contemporânea.




