O Brasil tem um novo documento de identidade. A Carteira de Identidade Nacional (CIN) superou a marca de 50 milhões de emissões em abril de 2026, segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, e promete acabar de vez com a bagunça do velho RG estadual. Um único número, válido em todo o território nacional, integrado ao CPF, com biometria obrigatória e versão digital no celular. O antigo RG ainda vale até 2032 — mas para quem recebe benefício social, o relógio já está correndo.
O que é a CIN e por que ela substitui o RG?
Por décadas, cada estado emitiu seu próprio Registro Geral com numeração independente, sem comunicação entre os sistemas. Uma mesma pessoa podia acumular registros diferentes em estados diferentes, criando brechas para fraudes e dificuldades no acesso a serviços públicos. A CIN resolve esse problema ao adotar o CPF como identificador único nacional, válido em todo o país.
Criada com base na Lei nº 14.534/2022, a nova carteira está disponível em formato físico e digital. A versão digital fica acessível pelo aplicativo Gov.br imediatamente após a emissão do modelo físico, com o mesmo valor legal. Entre os diferenciais práticos estão o código MRZ de leitura automática, a integração biométrica com impressão digital e reconhecimento facial, e a possibilidade de vincular outros documentos como CNH, carteira de trabalho e título de eleitor. A primeira via é gratuita em todo o país.

Quem precisa trocar o documento e em qual prazo?
A resposta depende de dois fatores: se você recebe algum benefício social e se já possui biometria cadastrada em outro documento oficial. O governo federal publicou a Portaria SGD/MGI nº 2.907/2026, que redefiniu os prazos e garantiu que nenhum pagamento será bloqueado de forma abrupta durante a transição. O quadro abaixo resume quem precisa agir e quando.
| Perfil do cidadão | Prazo para emitir a CIN | Impacto em benefícios |
|---|---|---|
| Sem nenhuma biometria cadastrada e recebe benefício social | Até janeiro de 2027 | Novos pedidos exigem CIN a partir de maio de 2026 |
| Com biometria no TSE, CNH ou passaporte e recebe benefício | Até janeiro de 2028 | Cadastros atuais válidos até dezembro de 2027 |
| Não recebe benefício social | Até 2032 (quando o RG antigo expira) | Nenhum impacto imediato |
| Já emitiu a CIN | Nenhuma ação necessária | Biometria já está cadastrada na base nacional |
Quem está dispensado da biometria?
A portaria prevê exceções formais para grupos com dificuldade de comparecer presencialmente ao posto de identificação. A dispensa não é automática — precisa ser comprovada junto ao órgão responsável.
- Pessoas com 80 anos ou mais, independentemente da condição de saúde.
- Cidadãos residentes no exterior com comprovante de domicílio fora do país.
- Pessoas com impossibilidade de deslocamento por estado de saúde ou condição de deficiência, mediante laudo médico.
- Moradores de localidades de difícil acesso, conforme critério definido pelos estados.
- Migrantes, refugiados e apátridas com documentação específica para esse grupo.

Como emitir a CIN gratuitamente passo a passo?
O processo é simples e pode ser iniciado pelo celular. O comparecimento presencial é necessário apenas para a coleta biométrica — impressão digital das duas mãos e fotografia facial. Após isso, a versão digital já fica disponível no Gov.br e a física é entregue no prazo definido pelo posto de cada estado.
- Acesse gov.br/identidade e entre no link de agendamento do seu estado.
- Escolha data, horário e unidade de atendimento disponíveis.
- No dia marcado, leve a certidão de nascimento ou casamento — original ou cópia autenticada.
- Realize a coleta biométrica: digitais e foto facial serão registradas na base nacional.
- Aguarde a emissão do documento físico e acesse a versão digital pelo aplicativo Gov.br — ela tem validade imediata.
Qual é a validade da CIN por faixa etária?
Diferente do RG antigo, que não tinha prazo de validade definido na maioria dos estados, a CIN segue um cronograma vinculado à idade do titular na data de emissão. O objetivo é manter a biometria atualizada no sistema de identificação nacional, especialmente para crianças, cujos dados físicos mudam com rapidez. A validade a partir dos 60 anos é indeterminada — o documento emitido a partir dessa idade não precisa ser renovado, segundo a Agência Brasil.
- De 0 a 11 anos: validade de 5 anos.
- De 12 a 59 anos: validade de 10 anos.
- A partir de 60 anos: validade indeterminada.
Vale emitir a CIN mesmo sem prazo imediato?
Para quem ainda não recebe benefício e tem o RG antigo em dia, não há urgência legal até 2032. Mas há vantagens práticas em não esperar: a emissão da CIN física libera automaticamente o nível Ouro na conta Gov.br, que dá acesso ao conjunto mais amplo de serviços digitais federais — de declaração de IR a certidões e agendamentos. Além disso, bancos, concursos públicos e empresas privadas já estão priorizando o novo documento em seus processos de cadastro. Quanto mais o tempo passa, mais o RG antigo vai sendo tratado como documento de segunda linha. A emissão é gratuita, leva menos de 30 minutos e pode ser feita sem pressa — desde que você agende antes de os postos ficarem sobrecarregados à medida que os prazos de 2027 e 2028 se aproximam.

