Imagine uma sala cheia de pessoas em chamadas de vídeo, filmes em streaming e vários dispositivos inteligentes conectados ao mesmo tempo. De repente, a internet começa a travar, o vídeo perde qualidade e tudo fica mais lento. Pensando nisso, pesquisadores do Reino Unido apresentaram um sistema de comunicação sem fio por luz que atinge até 362,7 gigabits por segundo, sugerindo uma nova forma de distribuir internet em ambientes internos.
Por que o Wi-Fi está sob tanta pressão hoje
O Wi-Fi atual opera em faixas de rádio muito disputadas, usadas por diversos equipamentos ao mesmo tempo. Em escritórios cheios de notebooks, celulares e tablets, ou em casas com inúmeros dispositivos inteligentes, todos disputam o mesmo espaço no ar. Isso causa congestionamento, perda de desempenho e aumento de latência, especialmente nos horários de pico.
Além disso, pontos de acesso mais potentes precisam consumir mais energia para dar conta da demanda. Nesse cenário, a chamada comunicação óptica sem fio surge como uma alternativa complementar, usando feixes de luz em vez de ondas de rádio. A luz permite maior largura de banda, menos interferência e melhor controle de cobertura, o que pode melhorar muito a qualidade da conexão.

Leia também: Adeus a pia simples: a nova tendência de 2026 transforma a cozinha com tecnologia e praticidade
Como funciona a internet por luz na prática
O novo sistema de internet por luz tem como peça central um chip compacto com uma matriz de pequenos lasers chamados VCSEL. Eles já são usados em centros de dados, mas aqui são organizados para criar vários feixes simultâneos, cada um enviado para um ponto específico do ambiente. É como se cada usuário ganhasse um “feixe dedicado” de alta velocidade.
Nos testes em laboratório, a matriz tinha 25 posições e 21 lasers foram acionados ao mesmo tempo, com cada feixe operando entre 13 e 19 Gbps. Somados, chegaram a 362,7 Gbps em um enlace de cerca de dois metros. Embora seja um cenário controlado, o resultado mostra potencial para uso em curtas distâncias, como mesas de trabalho, salas de reunião e estações domésticas.
Quais ganhos de eficiência de energia e desempenho essa tecnologia traz
Um ponto que chama atenção nesse sistema é a eficiência energética. O consumo relatado foi de aproximadamente 1,4 nanojoule por bit transmitido, valor considerado menor do que o de tecnologias Wi-Fi com desempenho parecido. Em um mundo em que centros de dados e redes móveis gastam cada vez mais energia, qualquer economia faz diferença em grande escala.
Na prática, isso significa que é possível oferecer velocidades muito altas sem que o consumo de energia dispare na mesma proporção. Em empresas, escolas, hospitais ou ambientes industriais, esse equilíbrio entre alto desempenho e menor gasto energético pode se tornar um grande diferencial na hora de planejar a infraestrutura.

Quais são as principais vantagens em relação ao Wi-Fi tradicional
Entre os principais diferenciais desse tipo de conectividade óptica estão a taxa de transmissão e o controle da área de cobertura. Como cada feixe pode ser direcionado para uma região específica, o risco de interferência entre sinais é bem menor que em ambientes cheios de ondas de rádio. Para isso, a plataforma utiliza microlentes e um arranjo em grade, ajustando a iluminação para que cada usuário receba um feixe adequado à sua posição.
Para entender melhor esses benefícios no dia a dia, vale observar alguns pontos que os pesquisadores destacam como os mais relevantes dessa tecnologia:
- Velocidade elevada: somas acima de 300 Gbps superam com folga o desempenho típico das redes Wi-Fi domésticas e corporativas atuais.
- Menos interferência: o uso de luz visível ou infravermelha reduz conflitos com outros equipamentos que também usam rádio.
- Eficiência energética: menor energia por bit transmitido tende a reduzir custos operacionais e impacto ambiental.
- Compartimentação do sinal: o feixe direcionado ajuda a manter conexões estáveis em áreas com alta densidade de dispositivos.
A internet por luz vai mesmo substituir o Wi-Fi
Os responsáveis pelo projeto reforçam que a internet por luz não foi pensada para aposentar o Wi-Fi tradicional. A rádiofrequência continua útil para mobilidade ampla, cobertura através de paredes e compatibilidade com a maioria dos aparelhos atuais. Já a comunicação óptica sem fio funciona melhor em situações de linha de visada, como salas abertas, auditórios ou ambientes industriais controlados.
Em um cenário futuro, o mais provável é que as duas tecnologias trabalhem juntas, cada uma onde faz mais sentido. O Wi-Fi seguiria cobrindo áreas gerais, enquanto a rede óptica assumiria aplicações mais pesadas, como realidade estendida, colaboração remota avançada e vídeos em resoluções altíssimas. Para isso se tornar comum, ainda será preciso avançar em padrões, produtos comerciais e questões de segurança, já que usar luz para dados traz novos desafios de design e instalação.
