Entre chás, garrafadas e plantas de quintal, as ervas medicinais seguem presentes na rotina de muitas famílias brasileiras em 2026. O uso dessas plantas atravessa gerações e costuma ser repassado por avós, vizinhos e feiras populares. Ao mesmo tempo, a ciência vem avaliando, com mais critério, o que realmente faz sentido do ponto de vista terapêutico e o que precisa de cuidado para não causar problemas.
Quais são as ervas medicinais mais comuns no dia a dia?
Algumas plantas ganham destaque justamente por estarem presentes em quintais, mercados e casas há décadas. Entre elas, alecrim, erva-doce, boldo, camomila, hortelã, guaco e espinheira-santa formam um grupo frequentemente mencionado quando o assunto é cuidado natural com a saúde.
Cada uma delas é ligada, na cultura popular, a um tipo de desconforto: digestivo, respiratório, nervoso ou misto. A ciência, porém, não avalia essas ervas como soluções completas, e sim como recursos auxiliares, úteis em desconfortos leves e por tempo limitado.

O que a ciência já sabe sobre as ervas medicinais populares?
Entre as ervas medicinais populares, o alecrim costuma ser relacionado à memória e à circulação. Estudos sugerem que seus compostos podem ter efeito antioxidante e leve impacto na atenção, mas ainda faltam pesquisas amplas em humanos para confirmar esse uso de forma rotineira.
A erva-doce aparece em chás para gases e cólicas leves, com suporte científico moderado para uso digestivo, inclusive em bebês, desde que com dose adequada e orientação profissional. Já o boldo tem papel mais claro no estímulo da digestão de gorduras, e não na “limpeza” do fígado, como se repete no senso comum.
Como camomila e hortelã podem ajudar na rotina?
A camomila é uma das plantas mais estudadas entre as ervas calmantes. Ensaios clínicos indicam que o chá pode auxiliar em quadros leves de ansiedade e dificuldade para dormir, além de colaborar com a digestão, sem substituir tratamentos formais para transtornos ansiosos ou insônia persistente.
A hortelã é associada à sensação de refrescância, alívio de náuseas e cólicas. O óleo essencial de hortelã-pimenta, em cápsulas padronizadas, já foi investigado para síndrome do intestino irritável, com resultados interessantes, mas bem diferentes do efeito esperado de um simples chá caseiro de hortelã comum.
Por que guaco e espinheira-santa aparecem em políticas de fitoterapia?
Duas plantas chamam atenção por estarem presentes em listas e materiais oficiais de fitoterápicos no Brasil: guaco e espinheira-santa. O guaco é tradicionalmente usado para tosse e catarro em quadros respiratórios leves, e estudos apontam efeito broncodilatador e expectorante de alguns de seus compostos.
Já a espinheira-santa costuma ser relacionada a azia, gastrite leve e má digestão. Documentos regulatórios brasileiros descrevem uso tradicional para sintomas dispépticos, com dose e tempo de uso bem definidos, além de listar contraindicações, como em gestantes e lactantes, devido ao potencial risco em determinadas situações clínicas.
Conteúdo do canal Ronny Dandelion, com mais de 85 mil de inscritos e cerca de 141 mil de visualizações:
Quais cuidados são importantes ao usar ervas medicinais?
Apesar da ampla popularidade, o uso de plantas medicinais exige atenção à segurança. A ideia de que “por ser natural não faz mal” não é compatível com o conhecimento atual, pois várias ervas podem interagir com medicamentos e agravar condições pré-existentes em algumas pessoas.
Alguns pontos merecem cuidado especial no uso rotineiro de ervas medicinais, especialmente em grupos mais vulneráveis e em tratamentos prolongados:
- Algumas plantas não são recomendadas para gestantes ou lactantes.
- Crianças exigem cuidado especial com dose, frequência e forma de preparo.
- Pessoas com doenças crônicas podem reagir de forma diferente a certos compostos.
- Uso prolongado sem orientação pode sobrecarregar fígado e rins, além de mascarar doenças.
Como usar ervas medicinais de forma mais segura?
Para tornar o uso de ervas medicinais mais seguro, especialistas sugerem medidas simples, que ajudam a reduzir riscos de efeitos indesejados. Essas orientações valem tanto para chás caseiros quanto para cápsulas e extratos adquiridos em farmácias ou feiras.
- Identificar corretamente a planta, evitando confusão entre espécies parecidas.
- Preferir fontes confiáveis de folhas, cascas ou cápsulas, com origem conhecida.
- Respeitar doses indicadas em materiais técnicos ou prescrições profissionais.
- Interromper o uso e buscar avaliação médica se surgirem sintomas diferentes do esperado.
No fim, as ervas medicinais podem funcionar como aliadas no cuidado cotidiano, principalmente em desconfortos leves e por períodos curtos. O ponto central é diferenciar tradição de evidência científica e reconhecer que chá, xarope ou cápsula de planta não substituem acompanhamento adequado quando sinais de alerta aparecem ou quando os sintomas não passam.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




