Se você anda de moto ou conhece alguém que anda, vale prestar atenção numa mudança que já está batendo à porta. A partir de julho de 2026, todo capacete para motociclista vendido no Brasil vai precisar ter um selo digital com QR Code do Inmetro. A boa notícia? Quem já tem um capacete em dia pode ficar tranquilo, porque a regra vale para produtos novos nas prateleiras.
O selo que muda de cara e ganha tecnologia
A Portaria nº 314/2025 do Inmetro substituiu o antigo selo físico de conformidade por um modelo digital, produzido exclusivamente pela Casa da Moeda do Brasil. Na prática, o velho adesivo dá lugar a um sistema bem mais robusto, com QR Code, tinta especial resistente à cópia e elementos de segurança visíveis e invisíveis.
A iniciativa faz parte do programa Inmetro na Palma da Mão, alinhado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Além dos capacetes, a medida também abrange extintores de incêndio e cilindros de GNV (Gás Natural Veicular).

Como verificar a autenticidade na hora da compra?
A grande sacada do novo selo digital é a praticidade para quem compra. Basta apontar a câmera do celular para o QR Code no capacete e, em poucos segundos, acessar informações oficiais sobre o produto, como certificação, fabricante e lote. É como ter uma espécie de “RG digital” do equipamento na palma da mão.
Essa verificação em tempo real dificulta a circulação de capacetes falsificados, um problema sério no mercado brasileiro. Segundo o próprio Inmetro, para cada 720 milhões de selos legítimos produzidos, existem cerca de 437 milhões de selos falsificados circulando no país.
Prazos que fabricantes e lojistas precisam cumprir
A transição para o novo selo de conformidade digital seguiu um cronograma escalonado, pensado para dar tempo ao mercado. Confira as datas mais importantes:
- Desde 31 de dezembro de 2025: fabricantes e importadores só podem utilizar o novo selo, confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil.
- Até 31 de março de 2026: era o prazo final para fabricantes e importadores escoarem produtos com o selo antigo.
- Até 30 de junho de 2026: distribuidores e comerciantes ainda podem vender itens com o modelo anterior de selo.
- A partir de 1º de julho de 2026: só poderão ser comercializados capacetes, extintores e cilindros de GNV com o novo selo digital.
Quem já tem capacete precisa trocar?
Essa é a dúvida mais comum, e a resposta é simples: não. Quem já possui um capacete certificado pelo Inmetro, em bom estado de conservação e com os itens obrigatórios (adesivos retrorrefletivos, viseira ou óculos de proteção e afivelamento correto), pode seguir usando normalmente. A nova regra para capacetes impacta diretamente fabricantes, importadores e lojistas.
Agora, se você pretende comprar um capacete novo a partir de julho de 2026, fique de olho: o produto precisa vir com o selo digital. Desconfie de preços muito abaixo do mercado e de equipamentos sem identificação clara, já que a falsificação é justamente o problema que a Portaria nº 314/2025 quer resolver.

Nem todo mundo aplaudiu a mudança
Apesar dos objetivos de segurança, a nova regra para capacetes e os demais produtos abrangidos pela Portaria nº 314/2025 também geram controvérsia. Empresas do setor de impressão de segurança e de extintores de incêndio questionam judicialmente a exclusividade conferida à Casa da Moeda na fabricação dos selos, apontando que o custo dos selos de conformidade teria subido cerca de 240%, passando de uma média de R$ 0,22 para algo em torno de R$ 0,70 por unidade.
Representações já foram protocoladas junto à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU), além de ações na Justiça Federal. O setor argumenta que existem alternativas tecnológicas mais acessíveis e igualmente eficazes para garantir a rastreabilidade. O Inmetro, por sua vez, defende que a parceria com a Casa da Moeda oferece um nível de segurança impossível de ser replicado por gráficas terceirizadas, eliminando a possibilidade de reprodução ilegal dos selos.
A mudança é significativa e toca em aspectos que vão além do adesivo no capacete. De um lado, a promessa de combater a pirataria num mercado onde quase metade dos selos em circulação eram falsificados. Do outro, a preocupação de fabricantes e comerciantes com o aumento de custos que pode, no fim, chegar ao bolso do consumidor. Independentemente do desfecho dessas disputas, vale a pena acompanhar de perto os desdobramentos, especialmente se você depende de um capacete para motociclista no dia a dia.
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