A notícia sobre o fechamento da principal fábrica de biscoitos Tia Maruca em San Juan, na Argentina, reacendeu o debate sobre a fragilidade das indústrias médias no país, trazendo à tona o impacto direto sobre dezenas de famílias, a desindustrialização regional e os desafios de competir em um mercado dominado por grandes grupos alimentícios.
Por que a fábrica de biscoitos Tia Maruca em San Juan fechou?
O fechamento da fábrica de biscoitos Tia Maruca em Albardón está ligado à combinação de queda no consumo interno e aumento expressivo dos custos de produção. Insumos básicos como farinha, açúcar, óleo e embalagens sofreram reajustes constantes, comprimindo as margens de lucro da empresa.
Além disso, energia, transporte e manutenção de máquinas se tornaram mais caros, elevando o custo por unidade fabricada justamente em um momento de perda de poder de compra da população. Com consumidores migrando para marcas mais baratas e cortando itens industrializados, manter escala passou a ser inviável para uma indústria que dependia fortemente de volume.

Como o crédito caro e a carga tributária afetaram a Tia Maruca?
Outro fator decisivo foi a dificuldade de acessar crédito em condições favoráveis, o que impediu a empresa de modernizar linhas de produção e automatizar processos. Sem financiamento sustentável, a fábrica de San Juan ficou atrás em produtividade frente a concorrentes mais capitalizados.
A perspectiva de alto endividamento somada a uma carga tributária pesada formou um cenário pouco atrativo para manter investimentos. Diante da instabilidade macroeconômica argentina, a Tia Maruca se viu pressionada entre custos crescentes, queda de vendas e poucas ferramentas financeiras para reagir.
Qual é o impacto do fim da Tia Maruca para trabalhadores e região?
O encerramento da principal planta em Albardón traz efeitos imediatos para trabalhadores especializados em produção de biscoitos, manutenção industrial, logística e controle de qualidade. Em um mercado com poucas vagas formais na indústria alimentícia, muitos profissionais enfrentam incerteza e perda brusca de renda.
Para o município e arredores, a saída da fábrica reduz a circulação de dinheiro no comércio local, atinge serviços e rompe uma cadeia de fornecedores que dependiam do fluxo de pedidos. Esse impacto pode ser observado em diferentes frentes da economia regional:
- Perda de empregos diretos, afetando especialmente trabalhadores com longa trajetória na fábrica.
- Queda no consumo local, com famílias priorizando apenas gastos essenciais.
- Enfraquecimento da base industrial regional, reduzindo a diversidade de empresas em San Juan.
- Efeito em cadeia sobre fornecedores, que precisam buscar novos contratos e mercados.

O que a história da Tia Maruca revela sobre a crise dos biscoitos?
A trajetória da Tia Maruca, iniciada no fim dos anos 1990 como negócio familiar com apelo de sabor caseiro e preços competitivos, mostra o potencial e a vulnerabilidade de marcas médias. A rápida expansão na década de 2010 exigiu altos investimentos em maquinário, logística e distribuição pelo país e para exportação.
Quando a economia entrou em forte instabilidade, com inflação alta e retração do consumo, empresas que haviam apostado em crescimento acelerado ficaram mais expostas. O caso Tia Maruca escancara a dependência do consumo interno, a sensibilidade ao preço dos insumos, a necessidade de escala produtiva e a pressão de grandes grupos que negociam melhor com fornecedores e redes varejistas.
Quais são as perspectivas e lições para o setor de biscoitos na Argentina?
O futuro do setor de biscoitos na Argentina depende da recuperação do poder de compra, de maior estabilidade nos preços de insumos e de acesso a crédito produtivo que permita modernizar fábricas. Empresas que apostarem em eficiência, diversificação de linhas, canais digitais de venda e parcerias estratégicas terão mais chances de sobreviver em ciclos econômicos adversos.
O fechamento da Tia Maruca em San Juan é um alerta contundente para governos, empresários e sociedade: sem políticas de apoio à indústria e respostas rápidas às mudanças de consumo, outras marcas tradicionais podem seguir o mesmo caminho. É hora de agir — pressionar por crédito acessível, fortalecer produtores locais e valorizar empresas que geram emprego e renda antes que mais portões se fechem em silêncio.




