A 290 quilômetros de Campo Grande, aninhada na Serra da Bodoquena, uma cidade de pouco mais de 22 mil almas esconde rios de uma limpidez tão absurda que mais se assemelham a piscinas ao ar livre. Bonito é um município que acumula uma coleção de troféus e reconhecimentos que nenhuma outra cidade brasileira de porte semelhante jamais conseguiu reunir.
Os 19 títulos consecutivos da revista Viagem e Turismo
Em março de 2026, Bonito foi alçada mais uma vez ao topo. Pela 19ª vez, a cidade levou o prêmio de “Melhor Destino de Ecoturismo do Brasil” concedido pela revista Viagem e Turismo, da Editora Abril. A cerimônia de anúncio aconteceu no Rio de Janeiro, e o município despontou na votação popular com 17,6% dos votos, deixando para trás pesos pesados como Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu, conforme divulgou a Prefeitura de Bonito.
Mas o reconhecimento de maior peso talvez tenha vindo de Londres. Em 2013, a cidade venceu a categoria de Melhor Destino de Turismo Responsável no World Responsible Tourism Awards, uma premiação que ocorre dentro da World Travel Market, um dos maiores eventos do setor de turismo em escala global. Em 2022, Bonito foi além e se tornou o primeiro destino de ecoturismo do mundo a conquistar a certificação de carbono neutro, de acordo com informações da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul.

Por que a água é tão transparente?
O grande segredo está escondido no subsolo. A Serra da Bodoquena, que faz a moldura do município, é formada por imensos maciços de rocha calcária. É essa rocha que atua como um gigantesco filtro natural: ela dissolve as impurezas que vêm na água e deposita carbonato de cálcio no fundo dos leitos dos rios, num processo de decantação que deixa tudo extremamente límpido.
A consequência direta desse fenômeno são rios cuja visibilidade debaixo d’água pode facilmente superar a marca dos 50 metros nos períodos de estiagem. É essa mesma explicação geológica que dá conta das grutas, das dolinas e dos lagos que correm no subterrâneo da região. A cidade ocupa uma faixa de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica, o que torna a fauna e a flora incrivelmente diversificadas em um espaço de poucos quilômetros.

O sistema de Voucher Único que virou modelo mundial
Desde o ano de 1995, a cidade opera com o chamado Sistema de Voucher Único. Na prática, isso significa que o número de pessoas que podem visitar cada atração a cada dia é rigidamente controlado. Os ingressos só podem ser adquiridos em agências que são credenciadas para tal, e todos os preços são devidamente tabelados.
É justamente esse rígido controle da capacidade de carga que os jurados de premiações internacionais costumam apontar como o grande diferencial que permite que os rios se mantenham cristalinos mesmo recebendo centenas de milhares de turistas todos os anos. Foi esse modelo de gestão que garantiu a Bonito o prêmio da WTM em Londres e que a consolidou como uma referência de abrangência mundial quando o assunto é turismo sustentável.
O que se pode fazer em Bonito para além da flutuação?
A Secretaria de Turismo da cidade tem catalogadas pelo menos 46 opções diferentes de passeios. Para conseguir aproveitar os principais atrativos com um mínimo de calma, o mais recomendado é separar um período de quatro a cinco dias no destino.
- Rio Sucuri: flutuação de cerca de 1.800 metros em águas cristalinas, entre cardumes de piraputangas e jardins subaquáticos.
- Rio da Prata: trilha pela mata seguida de flutuação com uma das maiores visibilidades da região.
- Gruta do Lago Azul: descida por cerca de 300 degraus até o lago subterrâneo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1978. Agendamento obrigatório.
- Abismo Anhumas: rapel de 72 metros de descida até um lago subterrâneo com cones calcários submersos.
- Buraco das Araras: dolina de cerca de 100 metros de profundidade habitada por araras-vermelhas, melhor observadas ao amanhecer.
- Cachoeira Boca da Onça: maior queda d’água do Mato Grosso do Sul, com 156 metros de altura, acessada por trilha que passa por outras sete cachoeiras.
Quem planeja visitar o paraíso do ecoturismo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 40 mil visualizações, onde Guilherme e Paula apresentam um guia definitivo de 7 dias por Bonito, no Mato Grosso do Sul:
Qual é a melhor época para as flutuações?
O clima em Bonito tem duas estações bem marcadas. A escolha depende do tipo de passeio, já que chuvas fortes podem turvar os rios temporariamente.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. A temperatura dos rios fica entre 20°C e 24°C o ano inteiro.
As rotas para se chegar a Bonito partindo de Minas Gerais
O Aeroporto Regional de Bonito opera voos diretos que partem de São Paulo, com opções das companhias Gol, Azul e Latam. A frequência desses voos costuma variar de duas a três vezes por semana. Para quem está saindo de Belo Horizonte, o mais comum é fazer uma conexão em São Paulo ou então em Campo Grande. Para quem prefere ir de carro, o trajeto que parte de Campo Grande até Bonito leva cerca de 4 horas, seguindo pela BR-060 e depois pela MS-382, em rodovias que são asfaltadas. O terminal aeroportuário fica a 13 quilômetros de distância do centro da cidade.
Conheça a cidade que se transformou em um modelo mundial de ecoturismo
Bonito é um daqueles raríssimos destinos brasileiros onde a fama que corre o mundo não foi capaz de afetar a qualidade daquilo que tornou o lugar famoso. O calcário da Serra da Bodoquena continua fazendo o seu trabalho de filtrar a água, os rios seguem com sua transparência de sempre e o sistema de voucher único segue cumprindo o seu papel de controlar a capacidade de cada atração.
Você precisa conhecer Bonito e entender, de uma vez por todas, as razões que levaram 19 edições de um dos prêmios mais importantes do país a escolher essa pequena cidade do interior do Mato Grosso do Sul como sendo a melhor de todo o Brasil.




