A justiça brasileira reafirmou a responsabilidade das unidades de saúde sobre a precisão dos laudos ocupacionais. Um candidato reprovado injustamente devido a uma falha técnica garantiu o direito de ser reparado pelos danos sofridos.
Como ocorreu a condenação pelo erro no exame admissional?
A 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso confirmou a sentença que obriga um hospital a indenizar um trabalhador. O candidato foi impedido de assumir uma vaga de emprego após um diagnóstico médico equivocado apontar uma inaptidão inexistente.
A decisão, ratificada em abril de 2026, destaca que o erro técnico no laudo gera responsabilidade civil imediata. Para os magistrados, a falha comprometeu a subsistência do profissional, configurando uma negligência que deve ser punida independentemente de má-fé por parte do médico examinador.

Qual é a base legal para o exame admissional no Brasil?
O exame admissional é uma exigência prevista no Consolidação das Leis do Trabalho, especificamente no artigo 168. Sua função é atestar se o cidadão possui condições físicas e mentais para desempenhar as tarefas da função pretendida.
Embora o médico do trabalho possua autonomia técnica, ele responde civilmente por falhas que causem prejuízos a terceiros, conforme os artigos 186 e 927 do Código Civil. Quando um laudo de inaptidão é emitido sem sustentação clínica real, a clínica e a empresa contratante podem responder de forma solidária pelo dano causado.
Como essa mudança afeta os brasileiros que moram nesse lugar?
No Brasil, essa decisão abre um precedente vital para proteger candidatos que enfrentam barreiras injustas no ingresso ao mercado de trabalho. A teoria da perda de uma chance foi aplicada, reconhecendo que o trabalhador perdeu uma oportunidade concreta de renda e carreira devido ao erro.
Para quem busca emprego, a segurança jurídica aumenta, pois as clínicas ocupacionais deverão redobrar o cuidado com os exames laboratoriais e clínicos. O valor da indenização, fixado em mais de R$ 5.000,00, serve como caráter educativo para evitar que novos diagnósticos superficiais prejudiquem a vida de outros profissionais.
Confira os principais direitos do trabalhador nessa situação:
- Realizar novos exames em laboratórios independentes imediatamente após a reprovação para servir de prova.
- Solicitar a cópia integral do prontuário e do laudo de inaptidão emitido pelo médico examinador.
- Buscar orientação jurídica para verificar a viabilidade de uma ação por danos morais ou perda de chance.
- Apresentar documentos médicos anteriores que comprovem a plena aptidão para o exercício da função desejada.

O que diz a jurisprudência sobre a perda de uma chance?
A teoria da perda de uma chance pune a interrupção de um processo que muito provavelmente resultaria em um benefício para a vítima. No caso do TJ-MT, o candidato já estava nas etapas finais da contratação, e apenas o exame admissional equivocado impediu a formalização do vínculo empregatício.
A justiça entende que o abalo psicológico e a frustração financeira gerados por um erro técnico são passíveis de reparação in re ipsa. Isso significa que o dano é presumido pela gravidade do fato, não exigindo que o trabalhador comprove um quadro depressivo clínico para ter direito ao valor indenizatório.
Como garantir a validade das provas em um processo judicial?
A realização de uma perícia médica judicial é o passo mais importante para confirmar se o diagnóstico inicial foi realmente falho. O perito nomeado pelo juiz analisará o histórico de saúde do autor e os exames realizados na época da reprovação, confrontando-os com as normas da Ministério do Trabalho e Emprego.
Manter exames clínicos e laudos de outros especialistas atualizados ajuda a construir uma tese defensiva sólida contra diagnósticos genéricos. A transparência no processo de contratação e o respeito aos direitos fundamentais do trabalhador são pilares que, quando violados, exigem a intervenção rigorosa do Poder Judiciário para restabelecer o equilíbrio nas relações de trabalho.




