Desde o início de abril de 2026, quem chega à Europa vindo de fora da União Europeia enfrenta um cenário bem diferente nos principais aeroportos, com filas longas na imigração, cancelamentos sucessivos de voos e uma sensação geral de caos, justamente às vésperas da alta temporada do verão europeu.
O que é o novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia
O Entry/Exit System (EES) é um sistema eletrônico que substitui o antigo carimbo manual no passaporte, registrando de forma automatizada a entrada e a saída de viajantes que não são cidadãos da União Europeia nem residentes de longa duração. O passageiro passa a fornecer dados biométricos, como impressões digitais e imagem facial, além de informações pessoais básicas.
Esses dados ficam em uma base comum aos países do espaço Schengen, permitindo acompanhar com precisão quem entra, quanto tempo permanece e quando sai da região. A meta é reforçar o controle migratório, evitar fraudes em vistos de curta duração e identificar com mais facilidade a permanência irregular, tornando futuras viagens potencialmente mais rápidas após a fase inicial de cadastro.

Como o novo sistema está impactando filas e tempo de espera na imigração
Com a entrada em vigor plena do EES, relatos de espera superior a duas ou três horas na imigração se tornaram frequentes em vários destinos europeus. O maior gargalo ocorre na primeira passagem pelo sistema, quando o viajante precisa fazer o cadastro completo em terminais específicos ou diretamente com agentes de fronteira, muitas vezes em número insuficiente para a demanda.
Dados de entidades do setor indicam que, em alguns aeroportos, o tempo médio de processamento aumentou cerca de 70% em comparação ao período anterior. Para reduzir o risco de perda de conexões, companhias aéreas e operadores de turismo recomendam que os passageiros cheguem com antecedência ampliada, sobretudo em grandes hubs como Frankfurt, Paris, Amsterdã, Madri e Milão.
- Primeira passagem pelo EES: mais demorada, pois reúne cadastro e checagem.
- Viagens seguintes: tendem a ser mais rápidas, com dados já registrados.
- Aeroportos menores: podem ter filas maiores se não ampliaram equipes e estruturas.
Por que greves, combustível e alta temporada agravam o cenário atual
O novo sistema de fronteiras não é o único responsável pelos transtornos recentes: greves em grandes companhias aéreas, especialmente em grupos que atuam na Alemanha e em outros países, já geraram milhares de voos cancelados ou remarcados em 2026. Isso concentra passageiros em menos opções de horário, aumenta filas de remarcação e pressiona ainda mais a infraestrutura dos terminais.
Problemas de abastecimento de combustível de aviação, influenciados por tensões geopolíticas, também obrigam empresas a redimensionar rotas, incluir escalas técnicas e ajustar frequências. Quando essa instabilidade se soma às filas do EES, qualquer troca de aeroporto ou horário torna-se mais complexa, pois cada novo embarque internacional pode significar enfrentar novamente controles de imigração sobrecarregados.
Quais atitudes práticas ajudam o viajante a enfrentar o novo cenário
Diante desse contexto, especialistas em aviação e turismo recomendam adotar estratégias de planejamento para mitigar riscos e atrasos. A principal orientação é ampliar a margem de segurança entre o horário de chegada ao aeroporto e o embarque, sobretudo em rotas com conexão dentro da Europa e em aeroportos muito movimentados.

Também é essencial acompanhar de perto as comunicações da companhia aérea e as informações oficiais dos aeroportos sobre filas e tempos médios de processamento. Com base nisso, o viajante pode se organizar melhor e adotar medidas simples, mas decisivas, como as listadas a seguir.
- Chegar ao aeroporto com antecedência maior que a recomendada no período pré-EES.
- Evitar conexões muito curtas entre voos internacionais e internos na Europa.
- Verificar previamente regras de entrada, documentos e exigências de cada país Schengen.
- Acompanhar notícias sobre greves, escassez de combustível e ajustes operacionais das companhias.
Qual é a tendência para os próximos meses e como o viajante deve agir agora
À medida que o sistema biométrico se consolida e os aeroportos ajustam equipamentos, equipes e fluxos internos, a tendência é de redução gradual nos tempos de espera, mas esse equilíbrio não será imediato, especialmente com o avanço da alta temporada de verão. Até que essa fase de adaptação termine, quem viajar para a Europa precisará considerar filas, instabilidade de voos e conexões mais arriscadas como parte real do planejamento.
Se você pretende ir à Europa nos próximos meses, não espere a situação piorar para se organizar: revise seu roteiro agora, aumente folgas entre voos, confira documentos e monitore diariamente seu bilhete e as condições dos aeroportos. Agir com antecedência pode ser a diferença entre uma viagem intensa, porém administrável, e uma experiência frustrante marcada por horas perdidas em filas e remarcações de última hora.




