Dois destinos brasileiros disputam o posto de água mais surreal do país. Bonito, no Mato Grosso do Sul, tem o Rio Sucuri, apontado entre os três mais cristalinos do mundo. Alter do Chão, no Pará, virou Caribe amazônico com o azul-turquesa do Tapajós.
O rio do Cerrado que entrou no pódio mundial
A cerca de 300 km de Campo Grande, Bonito vive do que corre debaixo d’água. O Rio Sucuri, localizado na Fazenda São Geraldo a 19 km do centro, foi apontado pela Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio de Bonito como um dos três rios mais cristalinos do planeta.
A flutuação percorre 1.800 metros de água tão transparente que o visitante consegue ver peixes a vários metros de distância e um jardim subaquático parecido com fundo de mar. O passeio é feito com colete e snorkel, e até quem não sabe nadar entra na água. O nome Sucuri, curiosamente, não veio da cobra, mas do movimento ondulado do leito do rio, que lembra a serpente deslizando.

Por que o calcário transforma Bonito em um aquário natural
A explicação para o azul do Sucuri está na geologia. A Bacia do Rio Formoso, que abrange o Sucuri, tem nascente na Serra da Bodoquena e solo de rochas predominantemente calcárias. O calcário funciona como um filtro natural, ele captura sedimentos e se deposita no fundo, deixando a água com transparência rara no mundo.
Esse mesmo sistema alimenta outros atrativos da região, como o Rio da Prata, o Rio Mimoso e o Rio Formoso. Por causa desse conjunto, Bonito foi eleito pela 19ª vez o melhor destino de ecoturismo do Brasil no Prêmio Melhores Destinos, segundo a Prefeitura Municipal de Bonito. A cidade também recebeu o selo de Carbono Neutro antes da meta do Acordo de Paris.
Quem deseja planejar a viagem perfeita para o Mato Grosso do Sul, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 59 mil visualizações, onde Marcelo e Luiza apresentam os 20 melhores atrativos de Bonito e região, incluindo flutuações, grutas e cachoeiras:
O Caribe que existe no meio da Amazônia
A 2.400 km de Bonito em linha reta, o segundo azul aparece onde ninguém espera. Alter do Chão é um distrito de Santarém, no oeste do Pará, e fica a 37 km da cidade pela Rodovia Everaldo Martins (PA-457). A vila foi apelidada de Caribe da Amazônia pela National Geographic Brasil por causa das praias de areia branca banhadas pelo Rio Tapajós.
O contraste com o resto da Amazônia é o que surpreende. Enquanto o Rio Amazonas desce barrento, o Tapajós é um rio de águas claras, com tom esverdeado que vira azul-turquesa nas margens de Alter. A Ilha do Amor, um banco de areia acessível em menos de cinco minutos de catraia, é o cartão-postal. Na seca, entre agosto e dezembro, as praias aparecem por toda parte. Na cheia, entre janeiro e julho, a floresta alaga e canoas substituem o banho de rio.

A vila de 400 anos que virou tendência global
Alter do Chão não é novidade para o mundo. Em 2009, o jornal britânico The Guardian elegeu a vila como a praia de água doce mais bonita do planeta, título que aparece em praticamente toda reportagem internacional desde então. A fundação do povoado sobre a aldeia Borari aconteceu em 6 de março de 1626, o que dá à vila quase quatro séculos de história.
Hoje a lista de passeios vai muito além da Ilha do Amor:
- Floresta Nacional do Tapajós: unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com 527 mil hectares e trilhas pela comunidade de Jamaraquá.
- Ponta do Cururu: faixa de areia sem infraestrutura, conhecida por ser o melhor ponto para ver o pôr do sol com botos.
- Canal do Jari: navegação por floresta alagada na cheia, com vitórias-régias e avistamento de fauna.
- Festival do Çairé: celebrado em setembro há mais de três séculos, mistura ritual católico com tradição indígena e a disputa dos botos Cor-de-Rosa e Tucuxi.
Quem planeja ir para Alter do Chão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 65 mil visualizações, onde mostram um guia completo de preços e passeios no Pará:
Como encaixar os dois destinos numa única jornada
A combinação faz sentido para quem quer uma viagem longa de natureza extrema. Um bom recorte são 12 a 15 dias, divididos em dois trechos de avião com conexão por São Paulo ou Brasília. O primeiro bloco começa pelo aeroporto de Bonito ou por Campo Grande, com 5 a 7 dias para flutuações no Sucuri e no Rio da Prata, visita à Gruta do Lago Azul e ao Abismo Anhumas.
O segundo bloco se liga pelo Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca, que recebe voos diretos de Belém, Manaus e Brasília. De lá são 34 km até Alter do Chão por estrada asfaltada, em um trajeto de menos de uma hora. Mais 5 a 7 dias na vila dão tempo de ver a Ilha do Amor, a Flona do Tapajós e as comunidades ribeirinhas do Arapiuns.
Quando cada azul aparece no ano
Os dois destinos têm janela oposta, o que também pesa no planejamento. Em Bonito, a melhor transparência acontece entre abril e setembro, quando as chuvas diminuem e o calcário da Bodoquena deixa a água no auge do azul. No verão, chuvas fortes podem fechar passeios de flutuação por questão de segurança e visibilidade.
Em Alter do Chão, a seca entre agosto e dezembro revela as praias e é o período mais procurado. Setembro concentra o pico de terra exposta, o Festival do Çairé e o Festival dos Botos. A sobreposição ideal para combinar os dois destinos é entre agosto e setembro, com Bonito no fim da temporada seca do Cerrado e Alter em plena temporada de areia branca.
Monte sua rota dos dois azuis
Bonito e Alter do Chão provam que o Brasil consegue produzir azul em biomas completamente diferentes. De um lado, rios filtrados pelo calcário do Cerrado e listados entre os mais cristalinos do mundo. Do outro, um rio amazônico que vira Caribe e entrou em ranking britânico como a praia de água doce mais bonita do planeta.
Você precisa reservar aquele período longo de férias e encarar a viagem dos dois azuis, porque poucos lugares no mundo conseguem entregar duas paisagens tão diferentes num mesmo passaporte nacional.




