A cerca de duas horas e meia de viagem a partir de Maceió, o pequeno vilarejo de Penedo se ergue de forma imponente sobre um rochedo que está situado às margens do Rio São Francisco, ostentando mais de 60 edificações de arquitetura colonial que são oficialmente tombadas pelo IPHAN. Chamada de “Atenas Alagoana”, a cidade teve a honra de ser incluída na Rede de Cidades Criativas da UNESCO da UNESCO no ano de 2023 e ainda guarda igrejas de estilo barroco que foram capazes de encantar o imperador Dom Pedro II por ocasião de sua visita em 1859.
O imperador que quis mudar a capital ao ver a cidade
Fundada ainda no século XVI para servir como um ponto de controle estratégico da navegação que se fazia pelo rio, Penedo viveu sob a ocupação holandesa a partir de 1637 e prosperou enormemente nos séculos que se seguiram, graças ao intenso comércio ribeirinho. Em outubro de 1859, Dom Pedro II desembarcou na cidade durante uma de suas expedições pelo São Francisco e não hesitou em registrar em seu diário pessoal a seguinte impressão: “O local é muito bonito e creio que deveria estar aqui a capital da província.” O casarão que serviu de hospedagem para o imperador funciona atualmente como o Museu do Paço Imperial, onde estão expostos o mobiliário, as louças e diversos documentos que datam daquele período.
A grande riqueza que foi acumulada naquela época foi a responsável por financiar a construção de templos religiosos que, até os dias de hoje, causam uma forte impressão em quem se aventura a percorrer o centro histórico a pé. A Igreja de Nossa Senhora da Corrente, que foi erguida em 1764, é um exemplo notável, pois guarda em seu interior belos azulejos de origem portuguesa, um piso que veio da Inglaterra e um altar que exibe detalhes que são folheados a ouro. O Convento Franciscano de Santa Maria dos Anjos, cuja construção foi idealizada no século XVII e que é tombado pelo IPHAN desde 1941, passou por um amplo processo de restauração que custou cerca de R$ 10 milhões e hoje em dia funciona como um dinâmico espaço cultural, que conta com uma hospedaria, um auditório e um museu dedicado à arte sacra. O apelido carinhoso de “Atenas Alagoana” surgiu ainda no século XIX, época em que o convento oferecia aos seus alunos aulas de filosofia, de latim e de francês.

As razões que levaram a UNESCO a reconhecer Penedo no ano de 2023
No mês de outubro de 2023, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) tomou a decisão de incluir a cidade de Penedo em sua Rede de Cidades Criativas, mais especificamente na categoria dedicada ao Cinema. De acordo com informações do Governo de Alagoas, o município foi uma das apenas duas cidades brasileiras que foram selecionadas naquele ano, um feito que foi compartilhado com a cidade do Rio de Janeiro (que foi reconhecida na categoria Literatura). Essa importante distinção veio para reconhecer o valioso legado deixado pelo Festival de Cinema Brasileiro de Penedo, um evento que já transformou as praças e os edifícios de valor histórico da cidade em verdadeiras salas de exibição que funcionam ao ar livre. Com a sua entrada nessa rede, Penedo passou a fazer parte de um seleto grupo que reúne 350 cidades espalhadas por mais de 100 países ao redor do mundo.
O que fazer na Ouro Preto do Nordeste
O centro histórico concentra os principais atrativos em ruas de pedra que podem ser percorridas a pé em uma manhã. As atrações que merecem lugar no roteiro:
- Igreja de Nossa Senhora da Corrente: construída em 1764, tem fachada barroca, altar folheado a ouro e vista privilegiada do São Francisco a partir do campanário.
- Convento Franciscano de Santa Maria dos Anjos: complexo do século XVII com claustro azulejado, pinturas no forro e museu de arte sacra com peças dos séculos XVII e XVIII.
- Museu do Paço Imperial: casarão do século XVIII que hospedou Dom Pedro II. Abriga acervo imperial com mobiliário, porcelanas e documentos originais.
- Theatro Sete de Setembro: inaugurado em 1884, é o primeiro teatro de Alagoas. No telhado, quatro estátuas representam as deusas da música, poesia, pintura e dança.
- Forte da Rocheira: erguido durante a ocupação holandesa, oferece mirante panorâmico do rio e da cidade. Também chamado de Forte Maurício de Nassau.
- Passeio de barco até a Foz do São Francisco: navegação de cerca de 30 km que termina nos chamados Lençóis Alagoanos, com dunas e lagoas no encontro do rio com o mar.
Quem tem o interesse de descobrir as relíquias que se escondem às margens do Rio São Francisco vai gostar deste vídeo do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que já conta com a expressiva marca de mais de 255 mil visualizações. Nele, Matheus Boa Sorte mostra em detalhes as igrejas históricas e a rica cultura popular que pulsam na cidade de Penedo:
Quando visitar a Pérola do São Francisco
O clima quente e úmido favorece visitas durante quase todo o ano, mas cada estação tem suas vantagens:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O caminho para se chegar até o sul do estado de Alagoas
A cidade de Penedo está localizada a uma distância de 170 quilômetros da capital Maceió, e o acesso se dá pela rodovia BR-101 Sul, em um trajeto que tem duração de cerca de duas horas e meia. Para aqueles que partem da cidade de Aracaju, no estado vizinho de Sergipe, a distância a ser percorrida é de aproximadamente 120 quilômetros. O aeroporto que se encontra mais próximo é o Zumbi dos Palmares, que fica em Maceió e que opera voos regulares vindos de várias capitais do país. Ônibus de linhas intermunicipais fazem a conexão de Penedo tanto com Maceió quanto com outras cidades da região, como Piaçabuçu e Neópolis.
O ponto onde a riqueza do barroco se encontra com a imponência do Velho Chico
Penedo consegue proporcionar o encontro que é bastante raro entre um patrimônio colonial que se mantém praticamente intacto e uma paisagem fluvial de proporções verdadeiramente grandiosas. São séculos e mais séculos de uma rica história que se encontram concentrados em ruas de pedra que descem suavemente até a margem do maior rio que é inteiramente brasileiro, tudo isso coroado por um selo de reconhecimento da UNESCO e por altares que são folheados a ouro, muitas vezes localizados em um mesmo quarteirão.
Você precisa subir até o campanário da Igreja da Corrente no final da tarde, contemplar a visão do São Francisco sendo tingido por uma luz dourada do sol que se põe e, só então, conseguirá compreender as razões que levaram Dom Pedro II a desejar que a capital da província fosse transferida para aquele lugar.




