Quando as raízes de árvore do vizinho ultrapassam a divisa entre imóveis e começam a aparecer no quintal ao lado, é comum surgirem conflitos sobre danos, responsabilidade e até pedidos de indenização. Em áreas residenciais, isso afeta pisos, muros e tubulações, e entender o que o Código Civil permite fazer com essas raízes é fundamental para agir com segurança jurídica e evitar decisões precipitadas.
O que diz o Código Civil sobre raízes de árvore do vizinho
O artigo 1.283 do Código Civil estabelece que o proprietário pode cortar raízes e ramos que ultrapassem a linha divisória e invadam seu terreno. Esse direito pode ser exercido sem autorização judicial prévia, desde que a intervenção se limite estritamente à parte que está dentro do imóvel afetado.
Isso significa que a lei reconhece o direito de proteção do imóvel contra a vegetação do terreno vizinho, mas não autoriza remover toda a árvore ou entrar na propriedade alheia. A atuação deve ser restrita ao lado de quem se sente prejudicado, respeitando integralmente a divisa física e jurídica entre as propriedades.

É permitido cortar raízes de árvore do vizinho por conta própria
O corte das raízes de árvore do vizinho que invadem o terreno é permitido, desde que realizado apenas na parte situada dentro do seu imóvel. Se a intervenção ultrapassar essa fronteira, causar a morte desnecessária da árvore ou envolver invasão de propriedade, pode haver configuração de abuso de direito e responsabilidade civil.
Também é essencial considerar a segurança estrutural da árvore, pois um corte mal planejado pode desestabilizá-la e aumentar o risco de queda, trazendo danos a pessoas, veículos ou construções. Por isso, é recomendável contratar profissionais habilitados, como engenheiros agrônomos ou empresas especializadas em poda e manejo arbóreo.
Quando o vizinho pode ser responsabilizado pelos danos da árvore
A responsabilidade do vizinho surge quando as raízes invasoras causam prejuízos concretos, como rachaduras, pisos levantados ou danos em tubulações. Aplica-se a regra geral da responsabilidade civil: é preciso provar o dano, o nexo entre a árvore e o problema e, quando for o caso, a negligência do proprietário da árvore.
Nessas situações, a produção de provas é decisiva para uma eventual ação judicial ou acordo extrajudicial. Para organizar melhor esse processo, vale seguir alguns passos práticos:
- Registrar por fotos, vídeos e documentos todos os danos observados.
- Obter laudo técnico que relacione o problema às raízes da árvore.
- Tentar acordo com o vizinho, preferencialmente por escrito, antes de litigar.
- Se necessário, ingressar em juízo para reparação e adoção de medidas preventivas.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Me Julga – Cíntia Brunelli falando sobre o que fazer em caso de galhos e frutos de árvores do vizinho estarem invadindo seu terreno.
Como agir corretamente quando as raízes invadem o terreno
Embora a lei autorize o corte das raízes que invadem o terreno, a prática mostra que o diálogo costuma ser a solução mais eficiente. Conversar com o vizinho pode viabilizar poda programada, contratação conjunta de um profissional ou até remoção consensual da árvore, quando tecnicamente indicada e permitida pela legislação ambiental.
Também é importante verificar se há normas municipais sobre poda, supressão de árvores e manejo de vegetação urbana, já que muitas cidades exigem autorização da prefeitura. Ignorar essas regras pode gerar multas administrativas, mesmo que exista um conflito de vizinhança legítimo em discussão.
Qual é o objetivo da lei e como decidir o que fazer agora
Ao regulamentar o corte de raízes de árvore do vizinho, o Código Civil busca equilibrar o direito de propriedade com a convivência pacífica entre moradores. A ideia é permitir que cada proprietário proteja seu imóvel, sem autorizar abusos ou intervenções desnecessárias no terreno alheio, algo ainda mais relevante com o adensamento urbano e construções cada vez mais próximas.
Se você está enfrentando esse problema, não adie: registre a situação, busque orientação técnica e jurídica e tente um acordo imediato com o vizinho. Agir rápido, com informação e cautela, pode evitar danos maiores, processos longos e um desgaste emocional intenso na relação de vizinhança — comece hoje a resolver o conflito antes que ele saia do controle.


