O fechamento da Intersport na Espanha marca uma nova etapa para o varejo de loja de artigos esportivos no país. A rede, que durante décadas abasteceu tanto praticantes amadores quanto atletas profissionais, entrou em um processo de liquidação judicial que levou ao encerramento de aproximadamente 120 lojas, redesenhando o mapa do comércio esportivo e apontando para um cenário mais concentrado até 2026.
Por que a Intersport fechou suas lojas de artigos esportivos na Espanha
A crise da Intersport ganhou força em março de 2025, quando a operação espanhola entrou oficialmente em processo de falência. As três principais empresas do grupo — Intersport CCS, Intersport Retail One e Intersport SL — acumulavam dívidas entre 14 e mais de 30 milhões de euros, pressionando o caixa e inviabilizando a continuidade das operações.
Para tentar evitar a liquidação, foram propostas reestruturações de dívida com cortes de até 70% do valor devido e prazos de carência de até dez anos. Entre os principais credores estavam grandes bancos, como Santander, BBVA e Sabadell, além de marcas globais como Nike, Adidas e Puma, mas nenhuma proposta alcançou o apoio mínimo de 66% exigido para o plano de recuperação.

Como o tribunal conduziu a liquidação das lojas de artigos esportivos
Com o fracasso das negociações, o Tribunal Comercial nº 3 de Barcelona determinou a liquidação dos ativos, fixando como referência o dia 30 de julho de 2025. O objetivo foi transformar bens, estoques e unidades em recursos financeiros para pagar, ao menos em parte, as dívidas com bancos, fornecedores e demais credores, encerrando a trajetória da Intersport de forma ordenada.
Nessa fase, a administração judicial assumiu o comando, e o escritório RCD Legal foi designado para conduzir o procedimento. A prioridade se dividiu entre a preservação de empregos, dentro do possível, e a venda de ativos, incluindo lojas, estoques e direitos comerciais, em um contexto de forte pressão por resultados rápidos.
Como funcionou a liquidação de estoques e unidades da rede esportiva
Do total de cerca de 120 pontos de venda na Espanha, apenas 30 eram lojas próprias — 14 na Península Ibérica e 16 nas ilhas —, enquanto o restante operava como franquias. Com o avanço da falência, parte dessas unidades manteve as portas abertas sob supervisão, enquanto outras iniciaram um fechamento gradual, com forte impacto em regiões onde a marca era referência.
Esse processo foi acompanhado por campanhas intensas de liquidação de estoque em várias regiões, como Galícia e Astúrias. Em geral, a estratégia adotada em grandes redes de varejo esportivo em fase de encerramento inclui iniciativas como:
- Redução progressiva de preços em roupas, calçados e equipamentos esportivos.
- Ofertas pontuais para desocupar estoques de temporada rapidamente.
- Renegociação ou devolução de imóveis comerciais para cortar custos fixos.
- Encerramento escalonado de contratos de trabalho conforme a venda das unidades.

O que deve acontecer com as antigas lojas da Intersport e os empregos
Parte das 30 lojas próprias foi colocada à venda, atraindo o interesse de compradores do setor esportivo e de outros segmentos do varejo. Uma parcela relevante dos ativos chamou a atenção da Decathlon, líder do varejo esportivo na Espanha, que entrou em fase final de aquisição dos ativos da Intersport CCS, em operação submetida à Comissão Nacional do Mercado de Capitais e da Concorrência.
Se a transação for aprovada, algumas das antigas lojas da Intersport poderão ser integradas à rede da Decathlon, que já conta com 176 unidades no país. Isso reforçaria a presença geográfica da marca francesa em regiões estratégicas e poderia absorver parte dos trabalhadores afetados, embora muitos empregos devam ser definitivamente encerrados.
Como o fechamento da Intersport muda o mercado esportivo espanhol
O fim da Intersport na Espanha intensifica a concentração de mercado, reduzindo o número de grandes concorrentes diretos e redistribuindo franqueados, consumidores e fornecedores. Marcas como Nike, Adidas e Puma tendem a fortalecer parcerias com redes mais sólidas financeiramente, enquanto pequenos operadores locais tentam ocupar nichos deixados pela gigante que sai de cena.
Esse caso mostra como decisões de crédito, estratégias de expansão e mudanças no comportamento de consumo podem transformar, em poucos anos, um cenário que parecia estável. Se você atua ou pretende atuar no varejo esportivo, o momento de rever planos, acelerar inovação e buscar novos parceiros é agora — cada mês de inércia pode significar perder espaço em um mercado que está se redefinindo com rapidez e sem espaço para quem demora a reagir.




