O assédio moral atrelado à cobrança de metas está cada vez mais em evidência na Justiça do Trabalho brasileira, especialmente no setor financeiro, em que a pressão por resultados e a exposição em redes sociais como TikTok e Instagram escancaram práticas de gestão abusivas, levando empresas a rever com urgência sua forma de cobrar desempenho e se comunicar com suas equipes.
O que é assédio moral por metas no setor bancário
Assédio moral, quando vinculado à cobrança de metas, é a conduta reiterada que expõe o empregado a humilhações, constrangimentos ou situações degradantes no trabalho, sob o pretexto de busca por resultados. No ambiente bancário, isso costuma aparecer em cobranças diárias, vigilância excessiva, metas inalcançáveis e exposição pública de desempenho.
Em recente decisão da Décima Primeira Turma do TRT-MG, a pressão desmedida por resultados, aliada ao uso da imagem da empregada sem verdadeiro consentimento, foi reconhecida como violação à dignidade e à honra subjetiva da trabalhadora, gerando condenação de R$ 10 mil por dano moral a uma instituição bancária.

Quais práticas caracterizam o assédio moral por metas
No caso julgado, a ex-bancária descreveu um ambiente marcado por cobranças intensas, monitoramento constante e situações constrangedoras, tanto diante de colegas quanto em ambientes virtuais. A prova testemunhal evidenciou um padrão de gestão abusiva, indo muito além do legítimo poder diretivo do empregador.
Nesse contexto, os tribunais têm reconhecido como indicativos de assédio moral por metas diversas condutas que extrapolam o simples acompanhamento de resultados, configurando humilhação e medo contínuo no ambiente de trabalho:
- cobranças diárias e insistentes de resultados;
- comparações públicas entre empregados com divulgação de rankings;
- ameaças de dispensa ou transferência por não cumprimento de metas;
- imposição de atividades vexatórias como forma de “motivação”;
- campanhas “motivacionais” gravadas e divulgadas nas redes sociais, sob pressão velada ou explícita.
Como o uso de redes sociais impacta a exposição do trabalhador
O uso de redes sociais, como TikTok e Instagram, para divulgar vídeos de comemoração de resultados tem ampliado o alcance do constrangimento e sofisticado a forma de pressão. Empregados são instados a participar de coreografias, dublagens e desafios, rotulados como pouco engajados caso rejeitem a exposição.
Quando não há consentimento livre e real, ou quando a recusa pode gerar represálias, o uso da imagem viola direitos de personalidade, como honra e imagem. No caso em que o banco foi condenado, o Tribunal concluiu que a “autorização” era inválida, pois obtida em contexto de cobrança agressiva, medo de perda do emprego e intenso controle de metas.

Quais elementos justificaram a condenação por dano moral
A condenação da instituição bancária ao pagamento de R$ 10 mil por dano moral resultou da convergência de depoimentos, inclusive de testemunha do próprio banco, que confirmaram práticas abusivas e humilhantes ligadas às metas. Ficou claro que a cobrança extrapolava a razoabilidade, gerando sofrimento psíquico e ambiente de medo.
Pesaram na decisão: cobranças abusivas, reuniões diárias com exposição de rankings, ambiente competitivo exacerbado, ameaças de dispensa, situações “angustiantes” em reuniões coletivas e participação forçada em vídeos. O Tribunal reforçou que a busca por resultados deve respeitar a saúde mental do trabalhador, sob pena de configurar ato ilícito indenizável.
Quais lições o caso traz e o que fazer diante de metas abusivas
O caso do TRT-MG oferece parâmetros objetivos para empresas e trabalhadores: campanhas de incentivo, treinamentos de liderança e políticas de uso de imagem precisam ser revistas, assegurando consentimento real, prevenção ao assédio e canais de denúncia sem retaliação. Investir em compliance trabalhista, clima organizacional saudável e regras claras para conteúdo digital é hoje questão de sobrevivência jurídica e reputacional.
Se você está submetido a metas humilhantes ou exposições constrangedoras, não normalize o abuso: registre provas (testemunhas, mensagens, e-mails, prints) e busque orientação jurídica imediatamente. Proteger agora sua saúde mental e sua dignidade é urgente — agir hoje pode evitar danos mais graves para você e para colegas que vivem o mesmo tipo de violência psicológica silenciosa.




