Receber uma multa de velocidade sempre gera preocupação com dinheiro, pontos na CNH e até risco de suspensão. Mas entender de verdade como funciona a multa por excesso de velocidade, como os radares operam, quais são os prazos de defesa e quais erros podem anular a autuação é o que faz a diferença entre apenas pagar a penalidade ou usar, com estratégia, todos os direitos que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) garante ao motorista em 2026 e nos anos seguintes.
Como funciona a multa por excesso de velocidade no Brasil
A multa por excesso de velocidade está prevista principalmente no artigo 218 do CTB, que classifica a infração pelo percentual de ultrapassagem sobre o limite da via. O enquadramento considera a relação entre a velocidade aferida e o limite máximo permitido, e não apenas o número em km/h registrado no radar.
O CTB define três faixas principais: excesso de até 20% acima do limite, de mais de 20% até 50% e acima de 50%. Cada faixa gera valores de multa e pontos diferentes, podendo chegar à suspensão do direito de dirigir quando o excesso é superior a 50%, especialmente se houver reincidência no período de 12 meses.

Quais são os valores, pontos e consequências da multa de velocidade
Na prática, a multa por excesso de velocidade é aplicada em três níveis: infração média (até 20%) R$ 130,16 e 4 pontos, grave (de mais de 20% até 50%) R$ 195,23 e 5 pontos e gravíssima (acima de 50%) R$ 880,41, 7 pontos, suspensão do direito de dirigir e apreensão da CNH.
Em uma via de 80 km/h, por exemplo, ser flagrado em até 96 km/h configura infração média; acima disso e até 120 km/h, passa a ser grave; ao exceder 120 km/h, torna-se gravíssima, com sete pontos e possibilidade de suspensão. Esse raciocínio vale para qualquer limite, bastando calcular o percentual excedido com base na velocidade considerada após o desconto previsto em norma.
Quando a multa de radar pode ser contestada por falhas na fiscalização
Radares fixos, móveis ou portáteis só podem gerar autuações válidas se estiverem dentro das normas técnicas, homologados e com verificação periódica em dia pelo Inmetro. Falhas como certificação vencida, equipamento irregular ou ausência de identificação adequada podem ser usadas como argumento em recurso administrativo.
A sinalização da via também é determinante, e muitos recursos se baseiam justamente em problemas de placas de velocidade: ausência, má visibilidade ou posicionamento inadequado. Nessas situações, o condutor pode organizar provas para demonstrar que não teve condições reais de identificar o limite vigente no trecho fiscalizado, como fotos e vídeos do local.
- Placas encobertas por árvores, sujeira ou obras na via;
- Sinalização desgastada, apagada ou mal posicionada;
- Diferença entre o limite indicado no aplicativo de navegação e o limite real da via;
- Radar sem placa de advertência quando exigido pela regulamentação vigente.

Como recorrer de multa por excesso de velocidade dentro do prazo
O processo de contestação costuma começar pela defesa prévia, na qual o motorista verifica dados da notificação, regularidade do radar e respeito aos prazos legais. Erros em placa, local, horário, enquadramento da infração, datas de expedição ou ausência de comprovação técnica do equipamento podem fundamentar o pedido de cancelamento da autuação.
Se a defesa prévia for rejeitada, ainda é possível recorrer à Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI) e, depois, em segunda instância, ao Cetran ou órgão equivalente. Em todas as etapas, é essencial observar o prazo indicado na notificação, manter o endereço atualizado no Detran e anexar provas como fotos da via, cópias das notificações e documentos do veículo e do condutor.
Por que agir rápido pode salvar sua CNH e evitar a suspensão
A soma de pontos por infrações de velocidade pode levar rapidamente à suspensão da CNH, especialmente quando há várias autuações em pouco tempo ou excesso superior a 50%. Conhecer a lei, checar cada detalhe da notificação e usar todos os recursos disponíveis dentro do prazo é o que separa quem apenas paga a multa de quem consegue reverter uma penalidade injusta.
Se você recebeu uma notificação, não espere o prazo vencer: organize os documentos hoje, reúna provas do local e consulte imediatamente as regras do CTB e do órgão de trânsito responsável. Cada dia conta, e uma defesa bem feita agora pode ser decisiva para manter seu direito de dirigir, evitar gastos desnecessários e proteger sua rotina pessoal e profissional em 2026, quando a fiscalização tende a estar cada vez mais tecnológica e rigorosa.




