O debate sobre o passageiro indisciplinado ganhou força no setor aéreo brasileiro com novas normas da Anac e um projeto de lei no Senado que pode proibir o embarque em voos comerciais por até 10 anos, diante do aumento de conflitos a bordo e em aeroportos, que vão de desobediência a regras até agressões e riscos reais à segurança.
O que muda com o projeto do Senado sobre passageiros indisciplinados
O projeto em tramitação no Senado altera o Código Brasileiro de Aeronáutica para permitir que passageiros considerados indisciplinados sejam proibidos de embarcar em voos comerciais com origem no Brasil por até 10 anos. O tempo de bloqueio varia conforme a gravidade do comportamento, indo de desrespeito às normas até episódios de violência física ou verbal.
O substitutivo ao PL 1.524/2025, relatado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), já foi aprovado em comissão temática e segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A regulamentação específica da Anac deverá detalhar os critérios objetivos de enquadramento e definir, caso a caso, a duração das sanções.

Como será aplicada a proibição de embarque e o compartilhamento de dados
As sanções alcançam voos que partem de aeroportos brasileiros, inclusive internacionais, mas não operações inteiramente estrangeiras. A proibição de embarque vale para voos comerciais com origem no território nacional, incluindo aqueles com destino ao exterior, evitando custos e barreiras operacionais em voos sob outra jurisdição.
O texto prevê compartilhamento de informações entre companhias aéreas e um prazo de 90 dias para adaptação de sistemas de venda, check-in e embarque após eventual sanção presidencial. Na prática, bancos de dados de empresas e da Anac tendem a ser integrados, facilitando a identificação de reincidências e a aplicação uniforme das penalidades.
Como as novas regras se relacionam com a atuação da Anac
Enquanto o projeto avança no Legislativo, a Anac já aplica punições administrativas ao passageiro indisciplinado, com multa que pode chegar a cerca de R$ 17,5 mil e suspensão do direito de voar por seis a doze meses. Nesse período, as empresas são obrigadas a bloquear a venda de passagens, o check-in e o acesso à aeronave.
Se o projeto do Senado for aprovado, essa estrutura servirá de base para restrições bem mais longas, de até 10 anos. A Anac terá papel central na definição de parâmetros de gravidade, padronização de registros de incidentes e orientação das empresas sobre prazos, recursos e comunicação com os passageiros sancionados.
Quais atitudes caracterizam um passageiro indisciplinado na prática
Para entender o impacto das novas regras, é essencial saber o que pode enquadrar alguém como passageiro indisciplinado, tanto em áreas de aeroporto quanto dentro da aeronave. Em solo, entram nesse grupo atos como desobedecer orientações de segurança, causar danos às operações, ameaçar pessoas ou interferir em dispositivos de segurança.

Em voo, qualquer conduta que comprometa a ordem a bordo pode gerar sanções. De forma simplificada, as normas costumam agrupar essas condutas em três níveis principais, hoje usados como referência pela Anac e que tendem a ser alinhados ao PL 1.524/2025:
- atos de indisciplina em solo ou a bordo (desrespeito a regras e instruções da tripulação);
- atos graves (agressões físicas, fumo a bordo, dano intencional a equipamentos e falsas ameaças de bomba ou armas);
- atos gravíssimos (violência contra tripulantes, adulteração de dispositivos de segurança, manipulação de explosivos ou armas e tentativa de assumir o controle da aeronave).
Por que o tema exige atenção imediata de companhias e passageiros
A combinação entre lei e normas da Anac aponta para margens de tolerância cada vez menores a agressões, ameaças e desrespeito a normas. Companhias ganham respaldo mais firme para negar embarque e acionar autoridades, enquanto passageiros convivem com punições financeiras e restrições de longo prazo ao transporte aéreo.
Se você atua ou viaja no setor aéreo, adapte procedimentos e atitudes agora: informe-se sobre as regras, registre e reporte incidentes corretamente e não relativize comportamentos de risco. Cada voo sem registro de indisciplina é resultado direto de decisões tomadas hoje — participe ativamente dessa mudança e ajude a garantir um ambiente de viagem mais seguro antes que um novo incidente grave aconteça.




