Fósseis com cerca de 150 milhões de anos e mais de mil pegadas de dinossauros revelados em um único sítio paleontológico estão chamando a atenção de pesquisadores ao redor do mundo. A descoberta, feita na região de El Castellar, em Teruel, na Espanha, reúne restos de pterossauros e trilhas deixadas por diferentes grupos de dinossauros, oferecendo um retrato raro e detalhado de um antigo ambiente costeiro no fim do período Jurássico.
O que torna essa descoberta de 150 milhões de anos tão especial?
A descoberta ganha relevância não apenas pelo volume de material, mas pela qualidade das evidências preservadas. Fragmentos ósseos delicados, como partes de mandíbulas e vértebras, foram encontrados em associação com rastros no solo fossilizado, algo considerado incomum em um único sítio.
Esse conjunto de informações permite reconstruir comportamentos, tipos de fauna presentes e até aspectos do clima da época. Com isso, cientistas conseguem aproximar o público de um mundo muito anterior ao surgimento dos seres humanos, ampliando o entendimento sobre a história profunda da Terra.

O que foi encontrado no sítio El Pozo em El Castellar?
No sítio conhecido como “El Pozo”, pesquisadores identificaram mais de uma centena de fósseis atribuídos a pterossauros, répteis voadores que sobrevoavam o antigo arquipélago europeu. Entre os materiais descritos estão fragmentos de mandíbula, vértebras, úmeros, falanges das asas e uma escápula-coracoide, todos com ossos finos e ocos, raramente preservados no registro geológico.
Além dos restos de pterossauros, o local já era reconhecido pela presença de aproximadamente 1.000 pegadas de dinossauro, atribuídas a saurópodes, ornitópodes e terópodes. A combinação de ossos e trilhas preservadas permite observar não só quais animais viveram ali, mas também como se movimentavam, caminhando, correndo ou se deslocando em grupo.
Por que a presença de pterossauros e pegadas de dinossauros é tão importante?
O registro de pterossauros do Jurássico Superior na Península Ibérica é raro, o que torna esse conjunto de fósseis especialmente valioso para entender a evolução e a dispersão desses répteis voadores. Em boa parte da Europa, materiais dessa idade são escassos, limitando as reconstruções de antigos ambientes costeiros.
Ao reunir ossos de pterossauros e icnofósseis de dinossauros no mesmo local, os pesquisadores conseguem cruzar diferentes tipos de evidência. Assim, é possível montar cenários mais completos de ecossistemas mesozoicos, relacionando fauna terrestre, aérea e interações em áreas costeiras utilizadas como rotas de voo e alimentação.

Como é feito o estudo detalhado desses fósseis frágeis?
O trabalho em um sítio com fósseis frágeis exige procedimentos específicos de campo e laboratório, para evitar que materiais de milhões de anos se desfaçam ao serem expostos. A equipe utilizou técnicas delicadas de consolidação, aplicando substâncias que endurecem e protegem o osso ainda no local de escavação, além de moldes de silicone para registrar superfícies em detalhe.
Em laboratório, os pesquisadores seguem etapas padronizadas, que ajudam a garantir a preservação e a documentação minuciosa de cada peça encontrada:
- Limpeza cuidadosa com ferramentas finas e pincéis;
- Aplicação de consolidantes adicionais para estabilizar rachaduras;
- Registro fotográfico e escaneamento em 3D para documentação digital;
- Comparação com coleções de museus e descrições científicas anteriores;
- Identificação do grupo ao qual cada osso pode pertencer.
Quais impactos essa descoberta pode trazer e por que ela importa agora?
A descoberta de fósseis de 150 milhões de anos e 1.000 pegadas de dinossauro em El Castellar reforça o papel da região como um ponto-chave para a paleontologia europeia. Os novos dados sobre pterossauros do Jurássico Superior ajudam a refinar hipóteses sobre origem, diversificação e distribuição desses animais entre ilhas e costas do antigo arquipélago europeu, além de apoiar reconstruções mais precisas de ambientes costeiros mesozoicos.
As escavações e análises ainda estão em andamento, e cada nova temporada pode revelar peças cruciais que faltam nessa história. Apoiar museus, projetos de pesquisa e ações de preservação agora é essencial para que esses registros não se percam; procure instituições sérias, participe de visitas guiadas e incentive a divulgação científica, porque as próximas descobertas podem depender diretamente do envolvimento da sociedade hoje.



