Quando o governo militar estatizou quase todas as operadoras de telefonia do país nos anos 1970, uma empresa de Uberlândia se recusou a entregar o controle. A Companhia de Telefones do Brasil Central (CTBC), hoje Algar, manteve-se privada enquanto todas as outras passavam para as mãos da Telebrás. A história dessa resistência começa em uma cidade do Triângulo Mineiro que acumulou pioneirismos improváveis para quem nunca saiu do interior de Minas Gerais.
Como uma cidade do interior virou laboratório de telecomunicações?
Em 1954, o imigrante português Alexandrino Garcia fundou a CTBC em Uberlândia. Garcia tinha 47 anos e começou vendendo linhas telefônicas de porta em porta. Em 1960, a cidade se tornou a primeira do interior do Brasil a usar sistema de micro-ondas para se conectar ao Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Em 1984, a mesma empresa instalou a primeira rede de fibra óptica do país, interligando centrais telefônicas na própria Uberlândia.
Os pioneirismos continuaram: em 1998, a CTBC lançou o primeiro celular pré-pago do Brasil. Em 2021, já como Algar, ativou o primeiro 5G comercial do país na frequência de 2,3 GHz. O nome “Algar” é uma homenagem direta ao fundador: as iniciais de Alexandrino Garcia.

A única operadora que o regime militar não conseguiu estatizar
Nos anos 1970, a criação da Telebrás centralizou o controle das telecomunicações brasileiras. Operadoras de todo o país foram incorporadas ao sistema estatal. A CTBC foi a única exceção. A empresa manteve o controle privado durante todo o período, caso raro na história das telecomunicações do Brasil. A resistência veio da articulação da família Garcia com a comunidade local e da importância estratégica da operadora para a região do Triângulo Mineiro, que já dependia da CTBC para comunicação interurbana.
Quando Alexandrino Garcia faleceu em 1993, seu filho Luiz Alberto Garcia assumiu a presidência e reestruturou o grupo. Hoje a Algar opera em mais de 370 cidades de 16 estados, com cerca de 131 mil km de fibra óptica, incluindo cabos submarinos que ligam o Brasil aos Estados Unidos.
Congado desde 1874 e um nome que nasceu de plebiscito
Antes de se chamar Uberlândia, a cidade era São Pedro de Uberabinha, distrito de Uberaba emancipado em 31 de agosto de 1888. O nome atual veio por plebiscito em 1929, unindo o latim “uber” (fértil) a “lândia” (terra). A região, aliás, pertenceu à província de Goiás até 1816, quando o Triângulo Mineiro foi incorporado a Minas Gerais.
Há um Uberlândia anterior às telecomunicações. Desde 1874, o Congado é celebrado na cidade. Os primeiros grupos se reuniam sob uma grande árvore onde hoje fica a Praça Tubal Vilela e seguiam em cortejo até a Capela de Nossa Senhora do Rosário, construída de pau-a-pique e buritis. É uma das manifestações afro-brasileiras mais antigas do interior do Sudeste, ainda viva e ativa.

Números que não combinam com “cidade do interior”
Uberlândia tem cerca de 761 mil habitantes segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025, sendo a segunda maior cidade de Minas Gerais. O território municipal, com 4.115 km², é maior que o de 29 países, incluindo Luxemburgo. O Parque do Sabiá ocupa 1,8 milhão de metros quadrados e abriga o oitavo maior estádio do Brasil.
No Índice de Progresso Social (IPS) de 2025, a cidade ficou entre as três melhores do país na faixa de 500 mil a 1 milhão de habitantes, com nota 93,05 em saneamento básico. O IDHM é de 0,789 e a Prefeitura de Uberlândia aparece entre as dez cidades com menores taxas de homicídio acima de 100 mil moradores. Para quem busca qualidade de vida longe das capitais, Uberlândia entrega o que muita metrópole promete e não cumpre.
Quem busca descobrir os segredos de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Dell Por Aqui, que conta com mais de 24 mil inscritos, onde o apresentador mostra o lado surpreendente de Uberlândia, incluindo o Mercado Municipal e o moderno Pátio Sabiá:
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A terra fértil que merece mais do que uma parada na estrada
Uberlândia não é só ponto de passagem entre Belo Horizonte e Goiânia. É a cidade que conectou o interior do Brasil quando o próprio governo não conseguiu, que celebra o Congado há 150 anos e que mantém índices de desenvolvimento acima de quase todas as capitais do país.
Você precisa tirar Uberlândia da lista de “cidades que eu passo” e colocá-la na de “cidades que eu conheço”.




