O som de um saxofone ao ar livre e o cheiro de maresia recebem quem chega a Rio das Ostras. A cidade da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, carrega um título raro: é a Capital Estadual do Jazz e Blues por força de lei estadual. Sob a areia, guarda vestígios de povos que viveram ali quatro milênios atrás.
De Leripe a Capital do Jazz no litoral fluminense
Muito antes de receber seu nome atual, a região era chamada de Leripe pelos indígenas Tamoios e Goitacases. Em tupi-guarani, o termo significa “Lugar de Ostra”. A ocupação humana remonta a cerca de 4 mil anos, comprovada por sambaquis mapeados em 1967 pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB).
No século XIX, a vila era conhecida como Baía Formosa e servia de rota para tropeiros e comerciantes. Em 1847, o imperador Dom Pedro II passou pela vila e descansou sob uma figueira à beira-mar, árvore que existe até hoje no centro da cidade.
A emancipação veio em 1992, quando Rio das Ostras se separou de Casimiro de Abreu. De lá para cá, a antiga vila de pescadores cresceu e hoje abriga mais de 156 mil habitantes, segundo o IBGE.

Por que Rio das Ostras é chamada de Capital do Jazz?
Porque o título é oficial. Uma lei estadual de 2011 reconheceu a cidade como Capital Estadual do Jazz e Blues, graças ao festival que nasceu em 2003 nas areias da Praia de Costazul. Desde então, o Rio das Ostras Jazz e Blues Festival acumulou mais de 600 shows e atraiu cerca de 1,2 milhão de espectadores em suas mais de 20 edições.
A repercussão internacional é real. Em abril de 2024, a revista americana DownBeat, considerada a principal publicação de jazz do mundo, dedicou uma reportagem ao festival com entrevista ao fundador Stênio Mattos. A publicação já havia incluído o evento entre os 10 melhores festivais de jazz e blues do planeta.
A programação acontece em cinco palcos ao ar livre e é inteiramente gratuita. A 22ª edição está confirmada para 4 a 7 de junho de 2026, no feriado de Corpus Christi, conforme o portal da Prefeitura.

Como é morar na cidade que toca jazz à beira-mar?
A rotina em Rio das Ostras equilibra o ritmo litorâneo com uma infraestrutura que cresceu rápido. A cidade recebe royalties do petróleo pela proximidade com a Bacia de Campos, e parte desses recursos foi investida em urbanização e saneamento. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,773, acima da média nacional.
Muitos moradores trabalham em Macaé, a menos de 30 km, e vivem o dia a dia entre ciclovias na orla, parques arborizados e praias de acesso fácil. O custo de vida é mais baixo que o da capital fluminense, e o trânsito raramente atrapalha.
Fora do verão e do festival, a cidade mantém um clima tranquilo. Bares e restaurantes se concentram em Costazul e no Centro, e uma street band de jazz e blues toca semanalmente nas orlas, reforçando a identidade musical do município.
Quem busca o que fazer em Rio das Ostras, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rio Para Pobres, que conta com mais de 200 mil inscritos, onde Will Braga mostra um roteiro de 24 horas econômico por praias e pontos históricos de Rio das Ostras:
O que visitar além das praias da costa riostrense?
As 15 praias distribuídas por 28 km de litoral atendem surfistas, famílias e quem busca sossego. Porém, a cidade tem atrações que vão muito além da faixa de areia. Veja os destaques:
- Praça da Baleia: escultura de jubarte com 20 m de comprimento, feita em bronze pelo artista Roberto Sá.
- Museu Sambaqui da Tarioba: museu arqueológico a céu aberto, um dos únicos “in situ” do Brasil, com vestígios de até 4 mil anos.
- Lagoa do Iriry: apelidada de “Lagoa da Coca-Cola” pela coloração escura das águas, rica em iodo e raízes. Ideal para stand-up paddle.
- Praia da Joana: enseada protegida por rochas que formam piscinas naturais na maré baixa.
- Reserva Biológica União: 7.756 hectares de Mata Atlântica com população silvestre de mico-leão-dourado, administrados pelo ICMBio. Visitação mediante agendamento.
- Píer de Costazul: avança 200 m sobre o mar, perfeito para caminhadas ao nascer do sol e pesca amadora.
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Como é o clima de Rio das Ostras?
O clima é tropical litorâneo, com verões quentes e chuvas concentradas entre novembro e março. O inverno é seco e ameno, favorecendo passeios ao ar livre. Confira a variação ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo e em dados recentes do Meteored. Condições podem variar.
Como chegar a Rio das Ostras saindo de Belo Horizonte?
A distância entre Belo Horizonte e Rio das Ostras é de aproximadamente 526 km. O trajeto de carro leva cerca de 7 horas pela BR-040 até o Rio de Janeiro, seguindo pela RJ-106 (Rodovia Amaral Peixoto) pelo litoral.
De ônibus, não há linha direta. O caminho mais comum passa pela Rodoviária Novo Rio, na capital fluminense, com conexão para Rio das Ostras. Quem prefere voar pode embarcar de Confins (CNF) até o Galeão (GIG) e seguir de ônibus ou carro alugado por mais 170 km até o litoral.
Vale a pena conhecer a cidade que toca jazz na areia
Rio das Ostras reúne o que poucos destinos do litoral fluminense oferecem ao mesmo tempo: história milenar sob os pés, natureza preservada a poucos minutos do centro e um festival de projeção mundial que transforma a orla em palco a céu aberto.
Você precisa ouvir o som dessa cidade, seja no saxofone de Costazul ou no silêncio da Praia da Joana, e entender por que tanta gente sai de Minas para ficar.




