O cheiro de chocolate artesanal e a neblina que escorre pelas araucárias recebem quem sobe os últimos 30 km de serra até Monte Verde, distrito de Camanducaia, no sul de Minas Gerais. A 1.554 metros de altitude, a vila nasceu do sonho de um imigrante da Letônia e carrega no nome a tradução de seu sobrenome: Grinberg, que em alemão significa Grün (verde) e Berg (monte).
O letão que subiu a serra no lombo de um burro
Verner Grinberg chegou ao Brasil em 1913 com a família, ainda criança. Duas décadas depois, ao ouvir falar de um lugar chamado Campos do Jaguari, subiu a Serra da Mantiqueira abrindo picada no mato. Em 1938, comprou as primeiras terras e começou a erguer o que seria a vila. O nome veio por sugestão de sua esposa, Emília.
A eletricidade só chegou ao distrito em 1969. Antes disso, um motor a vapor alimentava a serraria durante o dia e gerava luz à noite. Às dez horas, Verner fazia a lâmpada piscar três vezes, avisando que o gerador iria parar. Depois dele, imigrantes da Hungria, Suíça, Alemanha e Itália encontraram na serra o lugar ideal para recomeçar, segundo o Portal de Monte Verde.

Flores pintadas à mão que viraram patrimônio da vila
Bancos da avenida principal, fachadas de lojas e até pontes carregam flores coloridas pintadas à mão. É a Bauernmalerei, técnica de pintura camponesa de origem alemã trazida pela artista plástica Maria Carmem Osterne. Em 2009, o município de Camanducaia registrou o estilo como patrimônio cultural de natureza imaterial. Hoje, mais de uma dezena de ateliês mantém a tradição viva, e a Semana do Bauer, em outubro, reúne oficinas e aulas abertas ao público.
Por que a Booking elegeu Monte Verde entre os melhores do planeta?
A Booking.com elegeu a vila como o 6º destino mais acolhedor do mundo em 2022, único representante das Américas na lista. O reconhecimento se baseia em mais de 232 milhões de avaliações de viajantes reais. O segredo está na proporção: são cerca de 200 meios de hospedagem para pouco mais de 4.800 moradores, uma das maiores do país.
O cotidiano da Suíça Mineira mistura hospitalidade de interior com estrutura de destino consolidado. A avenida principal concentra cafeterias, lojas de chocolate, casas de queijos e vinhos. A vida corre devagar, mas a oferta gastronômica e hoteleira rivaliza com cidades muito maiores.

O que fazer entre picos e araucárias na serra?
A serra guarda trilhas para todos os níveis, mirantes acima de 2.000 metros e experiências que vão do contemplativo ao radical. Estes são os passeios que merecem destaque:
- Pedra Redonda: trilha de 926 metros até um mirante a 1.990 m de altitude, na divisa entre Minas e São Paulo. A vista de 360 graus no pôr do sol é o cartão-postal da região.
- Trilha do Pinheiro Velho: caminhada curta (600 m ida e volta) até uma araucária centenária de aproximadamente 500 anos e 1,70 m de diâmetro.
- Pico do Selado: ponto mais alto da área, a 2.080 m. A subida leva cerca de 2 horas a partir do Platô e exige guia.
- Parque Oschin: 50 mil m² de área verde no centro, com lhamas, playground de madeira, gruta e cascata.
- Aeroporto de Monte Verde: a pista de pouso mais alta do Brasil, a 1.560 m, com restaurante e vista panorâmica.
Quem planeja um roteiro romântico ou de inverno, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 295 mil visualizações, onde Fabi Cassol mostra o que fazer, onde comer e os preços em Monte Verde, na Serra Mineira:
Fondue, truta e chocolate ao pé da lareira
A gastronomia da vila combina a fartura da cozinha mineira com receitas trazidas pelos imigrantes europeus. O frio constante faz do fondue quase um prato obrigatório, mas a serra reserva outras surpresas:
- Fondue: presente em dezenas de restaurantes ao longo da avenida, com versões de queijo, carne e chocolate.
- Truta: criada em tanques de água gelada da serra desde os anos 1950. Alguns restaurantes permitem visitar o criatório antes da refeição.
- Apfelstrudel: torta de maçã com massa folhada que sai do forno em horários anunciados na porta da Casa do Strudel.
- Chocolate artesanal: a Gressoney, fundada em 1978, é a fábrica mais antiga do distrito. Seu carro-chefe é a Prímula, doce semelhante ao pão de mel.
Quando o frio favorece cada tipo de passeio?
Monte Verde tem clima subtropical de altitude, com invernos secos e frios e verões amenos e chuvosos. A menor temperatura registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) foi de −4,5°C em julho de 2021. Esta tabela ajuda a planejar a viagem:
Temperaturas aproximadas com base em dados do INMET. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Suíça Mineira saindo de São Paulo?
Monte Verde fica a cerca de 168 km de São Paulo. O trajeto segue pela Rodovia Fernão Dias (BR-381) até Camanducaia, de onde se sobe mais 30 km de estrada asfaltada e sinuosa até o distrito. A viagem dura aproximadamente 2h30. Quem vem de Belo Horizonte percorre cerca de 484 km pela mesma Fernão Dias, em sentido oposto. Não há ônibus direto; é preciso ir até Camanducaia e pegar transporte local. O aeroporto mais próximo é o de Guarulhos (GRU), a 170 km.
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Uma vila que transforma fim de semana em memória de anos
Monte Verde tem o raro mérito de unir uma história improvável, natureza de altitude e hospitalidade reconhecida no mundo inteiro. A herança leta e europeia se mistura à mineiridade de um jeito que só existe ali, naquele vale cercado de araucárias onde a lâmpada de Verner ainda parece piscar.
Você precisa subir a serra e sentir o frio de Monte Verde, a vila que um imigrante sonhador construiu no topo da Mantiqueira.




