Você já ouviu alguém dizer que “se usássemos 100% do cérebro teríamos superpoderes”? Essa frase aparece em filmes, palestras e posts nas redes sociais, e muitas vezes é tratada como verdade absoluta. Mas, quando olhamos para o que a ciência realmente mostra sobre o funcionamento do cérebro, descobrimos uma história bem diferente — e até mais interessante do que a ficção.
O cérebro humano usa só 10% ou está sempre em atividade?
A ideia de que usamos apenas uma pequena parte do cérebro simplifica demais algo muito complexo. Exames modernos mostram que praticamente todas as áreas cerebrais têm alguma função e são acionadas em diferentes momentos do dia. Mesmo tarefas simples, como reconhecer um rosto ou lembrar uma senha, ativam várias regiões ao mesmo tempo.
Isso não quer dizer que tudo esteja “no máximo” o tempo todo. Assim como uma cidade nunca tem todas as luzes acesas em todos os prédios ao mesmo tempo, o cérebro alterna áreas mais ativas e outras em descanso. Ao longo de um dia comum, porém, quase todas as estruturas entram em ação em algum momento.
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O cérebro usa 100% de sua capacidade ou ainda guarda algum segredo?
Quando falamos em “usar 100% do cérebro”, podemos estar misturando duas coisas: o uso físico do órgão e o potencial mental, como aprender, lembrar e raciocinar. Do ponto de vista físico, técnicas como ressonância magnética funcional e PET scan mostram que todas as regiões são usadas em algum grau, mesmo que não ao mesmo tempo.
Isso não significa inteligência infinita ou poderes escondidos, e sim um sistema bem distribuído e dinâmico. O cérebro é como um time: nem todos os jogadores correm o tempo todo, mas todos têm função e entram em jogo conforme a necessidade.
Como surgiu o mito de que usamos só 10 por cento do cérebro?
Esse mito não tem um “culpado oficial”, mas deve ter nascido de interpretações exageradas ou distorcidas de estudos antigos. Frases vagas como “usamos apenas parte do nosso potencial” podem ter sido transformadas em um número específico, fácil de lembrar e repetir.
Livros de autoajuda, palestras motivacionais e filmes ajudaram a espalhar a ideia de que 90% do cérebro estão “adormecidos”, à espera de serem despertados. Esse tipo de narrativa vende a promessa de habilidades extraordinárias, mas não encontra apoio nas evidências científicas atuais.

O que a ciência observa no cérebro em funcionamento diário?
Para entender o que realmente acontece lá dentro, pesquisadores usam diferentes formas de “olhar” o cérebro trabalhando. Mesmo quando estamos descansando, com os olhos fechados, existe uma forte atividade chamada rede em modo padrão, ligada a lembranças, planos e pensamentos internos.
Estudos com lesões mostram que quase nenhuma área é dispensável: danos pequenos podem afetar fala, visão, movimentos ou decisões. Se 90% do cérebro fossem inúteis, muitas lesões não fariam diferença — mas não é isso que se vê na prática em hospitais e clínicas.
Para você que gosta de aprofundar, separamos um vídeo do canal do Paulo Jubilut com a explicação de como nosso corpo usa o cérebro:
Capacidade do cérebro significa inteligência ilimitada?
Muita gente associa “capacidade do cérebro” apenas à inteligência ou ao desempenho nos estudos, mas o cérebro faz muito mais do que isso. Ele precisa dar conta de emoções, movimentos, memória, sentidos, tomada de decisões e ainda controlar funções automáticas, como batimentos cardíacos e respiração.
Esse conjunto de tarefas consome bastante energia, cerca de 20% de tudo o que o corpo gasta por dia. Por isso, não seria saudável nem eficiente manter tudo em extrema atividade o tempo inteiro; o cérebro gerencia recursos, aumentando ou reduzindo a atividade conforme a necessidade do momento.
Quais hábitos ajudam a cuidar melhor do cérebro no dia a dia?
Se não existem partes “ociosas” esperando para serem ligadas, a grande pergunta passa a ser: o que podemos fazer para preservar e estimular o cérebro ao longo da vida? Em vez de truques milagrosos, estudos em saúde cerebral apontam para hábitos simples e consistentes.
Algumas práticas do cotidiano podem ajudar o cérebro a funcionar de forma mais eficiente e por mais tempo:
- Manter um sono de qualidade, com horários relativamente regulares.
- Praticar atividade física, mesmo que sejam caminhadas frequentes.
- Estimular a mente com leitura, estudos, jogos de raciocínio e novas habilidades.
- Ter uma alimentação equilibrada, reduzindo excesso de ultraprocessados.
- Manter contatos sociais, conversar, conviver e compartilhar experiências.




