As ruas de pedra e os casarões coloridos do século XIX recebem quem chega a Lençóis, no coração da Bahia, a 420 km de Salvador. A antiga capital das Lavras Diamantinas é hoje a principal porta de entrada para o Parque Nacional da Chapada Diamantina, com cachoeiras, grutas e trilhas entre três biomas diferentes.
Do garimpo ao turismo na serra do Sincorá
Entre 1845 e 1871, Lençóis liderou a produção mundial de diamantes e chegou a ser a terceira cidade mais importante da Bahia. A riqueza atraiu comerciantes europeus, e um vice-consulado francês funcionou ali para facilitar a exportação de pedras preciosas. O nome da cidade nasceu nessa época: as barracas brancas dos garimpeiros, vistas de longe, pareciam lençóis estendidos sobre a serra.
Com o esgotamento das jazidas, a cidade entrou em declínio. A virada veio em 1973, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o conjunto arquitetônico, protegendo 570 imóveis. Foi o primeiro tombamento do IPHAN proposto pela própria comunidade local. Em 1985, a criação do Parque Nacional consolidou o turismo como motor econômico da região.

Quais são as atrações imperdíveis da Chapada Diamantina?
Lençóis funciona como base para passeios que cobrem dezenas de quilômetros ao redor. A maioria pode ser feita em bate-volta, com apoio de agências locais. Algumas atrações ficam fora do município, mas partem da cidade.
- Morro do Pai Inácio: cartão-postal da Chapada a 1.120 m de altitude, com vista de 360 graus. Trilha curta e pôr do sol inesquecível, a 26 km de Lençóis.
- Cachoeira da Fumaça: uma das maiores do país, com cerca de 380 m de queda livre. A trilha de 12 km (ida e volta) parte do Vale do Capão, no município vizinho de Palmeiras.
- Gruta da Pratinha e Gruta Azul: águas cristalinas em cavernas calcárias na região de Iraquara, com opção de flutuação e tirolesa.
- Cachoeira do Mosquito: queda de 70 m sobre paredão rochoso folhado, a 40 km da cidade. O nome vem dos pequenos diamantes que os garimpeiros chamavam de “mosquitos”.
- Marimbus: conhecido como o Pantanal da Bahia, o alagado é percorrido de canoa a partir da comunidade quilombola do Remanso, a 22 km de Lençóis.
Quem deseja explorar a Chapada Diamantina, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Lucas da Chapada, que é referência em Ecoturismo, onde Lucas mostra os encantos e a infraestrutura da cidade de Lençóis:
O que fazer dentro da cidade entre um passeio e outro?
O Parque Municipal da Muritiba fica colado ao centro e oferece um circuito de 5 km com piscinas naturais no rio Serrano, os chamados caldeirões, que funcionam como hidromassagem entre rochas coloridas. O trajeto passa pelo Salão de Areias Coloridas, pela Cachoeirinha e por um mirante com vista panorâmica da cidade.
O centro histórico merece caminhada sem pressa. A Praça das Nagôs abriga o Mercado Cultural, com apresentações de capoeira à noite. Ao redor, ruas fechadas para carros viram palco de músicos de rua que tocam jazz, blues e MPB enquanto turistas jantam nas mesas dos restaurantes. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário e a Praça do Coreto completam o roteiro a pé.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Lençóis fica a 394 m de altitude, com temperaturas amenas o ano inteiro. O período seco, de maio a outubro, é o mais procurado para trilhas longas. No verão, as cachoeiras ganham volume, mas chuvas à tarde podem alterar roteiros.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Lençóis saindo de Salvador?
De carro, o trajeto de 420 km pela BR-324 e BR-242 leva cerca de 6 horas. Ônibus da Real Expresso partem da Rodoviária de Salvador com três horários diários e duram aproximadamente 7 horas. A Azul opera voos para o Aeroporto Horácio de Matos, a 24 km do centro, com saídas de Salvador às quintas e domingos. O ICMBio recomenda contratar guias locais para trilhas dentro do Parque Nacional.
Leia também: A capital mais arborizada do Brasil tem 91% das ruas com árvores e o maior aquário de água doce do mundo
A Chapada espera quem busca natureza de verdade
Lençóis reúne numa só viagem o que poucos destinos brasileiros oferecem: história viva no casario colonial, gastronomia de raiz e paisagens que vão de cavernas azuis a cânions de 380 m. A cidade pequena, de pouco mais de 11 mil habitantes, mantém o ritmo calmo e o céu limpo que fazem qualquer trilha valer a pena.
Você precisa calçar a bota, cruzar a ponte sobre o rio Lençóis e sentir de perto por que a antiga capital dos diamantes brilha ainda mais sem as pedras.




