Menopausa e perimenopausa são temas que ganharam um destaque sem precedentes no Brasil, registrando um aumento de 60% nas buscas nos últimos cinco anos. Essa transição hormonal deixa de ser um tabu silencioso para se tornar uma pauta de saúde pública que exige informação de qualidade e acolhimento médico especializado.
Como identificar o início da perimenopausa?
A perimenopausa é o período de transição que antecede a interrupção total da menstruação, marcada por oscilações intensas de estrogênio e progesterona. Diferente do que muitos pensam, essa fase pode durar anos e os sintomas surgem muito antes da menopausa de fato, que é confirmada após 12 meses consecutivos sem ciclos menstruais.
Nesta fase, os ovários reduzem a produção hormonal de forma irregular, funcionando como uma verdadeira montanha-russa biológica. É comum que as mulheres sintam as primeiras mudanças por volta dos 40 a 45 anos, embora o fator genético e o estilo de vida influenciem diretamente no cronograma de cada organismo.

Quais são os principais sintomas físicos e emocionais?
Embora os fogachos (ondas de calor) atinjam 80% das mulheres, a ciência moderna já mapeou mais de 70 sintomas diferentes associados ao declínio hormonal. Muitas vezes, o cansaço extremo e a ansiedade são confundidos com estresse profissional ou burnout, mascarando a real causa do problema.
Confira abaixo os sinais mais relatados durante essa transição hormonal:
- Sudorese noturna e insônia persistente.
- Queda de cabelo e ressecamento severo da pele.
- Palpitações cardíacas e dores articulares frequentes.
- Lapsos de memória e a sensação de névoa mental.
- Perda de libido e alterações bruscas no humor.
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Como a menopausa afeta o funcionamento do cérebro?
Entender que os sintomas da menopausa têm uma base biológica clara é o primeiro passo para buscar o tratamento adequado e viver essa fase com mais liberdade e menos sofrimento. No vídeo a seguir, do canal g1, é explicado como lidar com a menopausa e a perimenopausa ajuda a fortalecer o organismo e proteger sua saúde.
Estudos da neurocientista Lisa Mosconi revelam que a menopausa é, essencialmente, uma transição neuroendócrina. O cérebro feminino pode sofrer uma queda de até 30% nos níveis de energia logo após a perda da função ovariana, já que o estrogênio atua como um combustível para as células cerebrais.
Esse processo é comparado a uma poda neural, similar ao que ocorre na puberdade e na gestação. Embora assustadora, essa fadiga cognitiva tende a ser temporária, pois o sistema nervoso busca novas formas de se adaptar à ausência dos hormônios reprodutivos para estabilizar as funções cognitivas a longo prazo.
Existem diferenças de sintomas entre grupos raciais?
Dados epidemiológicos indicam que a experiência da menopausa não é uniforme e sofre influência de recortes raciais e socioeconômicos. A sobrecarga de trabalho e o estresse crônico são fatores que agravam a percepção dos sintomas e a saúde geral da mulher durante o climatério.
Veja as principais disparidades observadas em levantamentos de saúde:
O que o Brasil oferece de suporte pelo SUS?
Com cerca de 30 milhões de mulheres vivendo essa fase no país, o cenário de políticas públicas começa a mudar lentamente. Apenas no primeiro semestre de 2025, o SUS realizou quase 300 mil atendimentos focados em climatério, refletindo a busca ativa por tratamentos e reposições hormonais seguras.
O Ministério da Saúde trabalha na criação de manuais de diretrizes para que o diagnóstico seja prioritariamente clínico, valorizando a escuta dos sintomas relatados pela paciente. A intenção é evitar que mulheres saiam de consultórios ouvindo que o sofrimento é normal, garantindo o acesso a terapias que devolvam a qualidade de vida e o bem-estar físico.




