Nos últimos anos, os energéticos saíram do nicho das baladas e invadiram mesas de estudo, escritórios e treinos, com a promessa de mais foco e menos sono. Mas, por trás dessa “dose de disposição”, existe um conjunto de efeitos reais sobre o cérebro, o coração e até sobre a forma como o corpo reage ao álcool, que nem sempre aparece no rótulo.
O que realmente acontece no corpo quando alguém toma energético
Apesar do nome, o energético não funciona como comida, que oferece calorias e nutrientes para gerar combustível. Seu papel principal é estimular o sistema nervoso central, deixando a mente mais acesa e reduzindo, temporariamente, a sensação de cansaço.
Esse efeito vem sobretudo da cafeína, a mesma presente no café, no chá-mate e em alguns refrigerantes. Ela não entrega “gás” extra, mas altera sinais de fadiga, o que muitos usam para virar a noite estudando, em plantões de trabalho ou em festas longas.

Como a cafeína interfere no sono e acelera o organismo
No cérebro, a cafeína compete com a adenosina, molécula que se acumula ao longo do dia e favorece o sono. Quando a adenosina se liga aos receptores, o corpo entende que é hora de desacelerar; com o energético, essa ligação é bloqueada, silenciando por um tempo a mensagem de “fim de bateria”.
Ao mesmo tempo, o corpo todo responde: a frequência cardíaca tende a subir, a pressão pode aumentar e o sistema cardiovascular fica mais exigido. Em pessoas sensíveis ou com doenças cardíacas ocultas, isso pode ser o gatilho para arritmias e outros quadros que exigem atenção imediata.
Quando o consumo de energético começa a fazer mal
Para adultos saudáveis, costuma-se considerar até 400 mg de cafeína por dia como limite seguro aproximado. Porém, nessa conta entram café, refrigerantes, chás, pré-treinos e até certos medicamentos, o que faz muita gente ultrapassar o limite sem perceber.
Acima desse patamar, aumentam irritação, ansiedade, insônia, palpitações e taquicardia, que podem se intensificar em exageros pontuais. Para entender como a rotina ultrapassa o limite com facilidade, veja alguns valores médios de cafeína em bebidas comuns:
- Lata comum de energético (250 ml): cerca de 80 mg de cafeína.
- Café expresso: geralmente entre 60 e 70 mg por dose.
- Refrigerante à base de cola: aproximadamente 35 mg por lata.
- Versões grandes de energético podem concentrar bem mais cafeína em uma única embalagem.
- Combinar várias dessas bebidas em poucas horas eleva muito a carga total no organismo.
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Por que misturar energético com álcool é tão arriscado
A mistura de energético com bebida alcoólica combina um depressor do sistema nervoso com um estimulante, criando uma percepção enganosa de controle. A pessoa se sente mais desperta, mas o nível de álcool no sangue continua alto, o que facilita decisões perigosas, como dirigir ou beber em excesso.
Além disso, álcool e cafeína aumentam a produção de urina, favorecendo desidratação em festas longas, especialmente em ambientes quentes. O sistema cardiovascular trabalha sob maior pressão e sinais de mal-estar podem demorar a ser percebidos, atrasando a busca por ajuda médica.

Quais são as alternativas mais seguras e quando buscar ajuda
Comparado ao energético, o café costuma ser uma opção mais simples para um estímulo leve, oferecendo cafeína em dose mais previsível e compostos antioxidantes. Já muitos energéticos somam cafeína, açúcar, taurina e outros aditivos, aumentando o impacto sobre o coração, especialmente em uso frequente e em altas doses.
Para ter disposição real e duradoura, o caminho passa por sono adequado, alimentação equilibrada e boa hidratação, com cuidado redobrado em crianças e adolescentes. Se, após grande ingestão de cafeína, surgirem dor no peito, falta de ar, sudorese intensa, palpitações fortes ou sensação de desmaio, procure atendimento médico imediatamente. Não espere “passar sozinho”: sua próxima lata pode ser o limite que o corpo não consegue segurar.




