O agricultor Ma Sanxiao, hoje com 74 anos, transformou colinas áridas do condado de Jingxing, na província de Hebei, ao plantar mais de 17.000 árvores em 19 anos. A área, antes marcada pela desertificação, tornou-se uma floresta que ocupa cerca de 800 mu, aproximadamente 53 hectares.
Como começou a transformação das colinas em Hebei?
O projeto teve início em 2000, quando Ma decidiu reflorestar a região próxima à Vila Mayu. Na época, as encostas eram rochosas e quase nada crescia. Ao longo dos anos, ele cavou buracos, carregou água e plantou mudas praticamente todos os dias.
O resultado foi a recuperação ambiental de dezenas de hectares, alterando a paisagem de marrom árido para verde denso. Ao final de 19 anos, o número documentado ultrapassava 17 mil árvores, consolidando uma das iniciativas individuais mais persistentes da região.

Quais fatos marcaram a trajetória de Ma Sanxiao?
Antes de iniciar o plantio, Ma já havia enfrentado décadas de dificuldades. Ex-soldado do Exército Popular de Libertação, ele sofreu septicemia após infecção contraída durante o serviço militar, o que resultou em múltiplas cirurgias e amputações. Os principais marcos incluem:
- 1985: amputação da perna direita após anos de complicações médicas.
- 2005: amputação da perna esquerda, tornando-se duplo amputado aos 54 anos.
- Sete cirurgias: despesas médicas levaram a família a vender bens e acumular dívidas.
Como é a rotina de plantio sem as duas pernas?
A jornada começa por volta das 5h, quando ele prepara os cotos das pernas e ajusta próteses desgastadas. Com pá e picareta, caminha cerca de 1 hora até o pé da montanha, levando apenas pães cozidos no vapor para as pausas.
A subida de algumas centenas de metros pode levar mais de 40 minutos, exigindo uso de muletas e, em certos trechos, rastejamento por valas e encostas com espinhos. As luvas grossas resistem apenas cinco dias antes de serem destruídas pelo trabalho.

Como evoluíram os números ao longo dos anos?
Os registros mostram crescimento contínuo da floresta e mudanças na dinâmica de trabalho. Com o passar do tempo, surgiram voluntários e reconhecimento público. A progressão documentada pode ser resumida nos dados a seguir.
- 2011: mais de 3.000 árvores plantadas após 10 anos de trabalho individual.
- 2019: mais de 17.000 árvores registradas ao completar 19 anos de plantio.
- 2023: estimativa superior a 20.000 árvores, já com apoio de voluntários.
Qual foi o impacto ambiental e o reconhecimento?
A nova cobertura vegetal passou a reduzir erosão do solo, melhorar a qualidade do ar e criar habitat para vida selvagem. Em uma província marcada por forte atividade industrial, a floresta ajuda na retenção de poeira e no sequestro de carbono.
Reportagens publicadas a partir de 2011 ampliaram a visibilidade do trabalho, atraindo doações e, em 2018, mais de 30 voluntários. Ma afirma que suas árvores são como “soldados” sob seu comando e que continuará plantando enquanto tiver forças.




