Não gostar de dormir com alguém é mais comum do que parece e não significa, necessariamente, falta de afeto. A psicologia do sono aponta que fatores biológicos, emocionais e comportamentais influenciam a preferência por dormir sozinho e priorizar a qualidade do descanso.
Não querer dividir a cama significa falta de amor?
Do ponto de vista da psicologia, compartilhar a cama costuma ser associado à proximidade emocional. No entanto, essa escolha envolve também aspectos fisiológicos ligados à regulação do sono, segurança e conforto individual.
Especialistas explicam que o descanso é uma necessidade biológica essencial, não apenas um gesto simbólico de conexão. Dormir sozinho pode representar busca por eficiência no repouso, e não rejeição afetiva ou distanciamento emocional.

Quais fatores podem explicar essa preferência?
De acordo com o neurofisiologista e especialista em sono Eduard Estivill, dividir a cama pode provocar interrupções involuntárias que afetam o descanso. O médico já afirmou em publicações que, para evitar perturbações constantes, o ideal muitas vezes é dormir sozinho, especialmente quando há hábitos diferentes, como você vê a seguir.
- Interrupções noturnas: movimentos, mudanças de posição e ronco fragmentam o ciclo do sono.
- Diferença de hábitos: horários distintos, cronotipos e preferências de temperatura interferem no repouso.
- Controle ambiental: dormir sozinho permite ajustar luz, ruído e clima conforme a necessidade individual.
O que a ciência do sono diz sobre dormir acompanhado?
Segundo Eduard Estivill, muitas pessoas sofrem microdespertares sem perceber quando dividem o leito. Essas interrupções reduzem a profundidade do sono e podem gerar sensação de cansaço mesmo após horas aparentemente suficientes de descanso.
A literatura sobre qualidade do sono mostra que a compatibilidade de hábitos influencia diretamente o repouso. Quando há discrepâncias de ritmo biológico ou padrões comportamentais, o impacto pode ser cumulativo e gerar irritação ou frustração.

Quais motivos emocionais podem estar por trás disso?
Além dos fatores fisiológicos, psicólogos do sono indicam que experiências passadas, associações inconscientes e necessidade de autonomia podem influenciar a decisão. Nem sempre se trata de conflito no relacionamento, mas de autorregulação emocional e física, como detalhado abaixo.
- Experiências anteriores: memórias negativas associadas a interrupções ou insegurança noturna.
- Busca por estabilidade: desejo de manter rotina previsível para reduzir ansiedade.
- Priorização do bem-estar: foco na eficiência do descanso em vez do simbolismo da proximidade.
Dormir separado pode ser saudável para o casal?
Evidências sugerem que, para algumas pessoas, dormir em camas ou até quartos separados melhora o bem-estar físico e emocional. Quando o descanso é restaurador, a convivência durante o dia tende a ser mais harmoniosa e equilibrada.
Portanto, a decisão de dormir sozinho pode refletir maturidade na gestão das próprias necessidades. O essencial é diálogo e respeito às diferenças, reconhecendo que qualidade do sono também é cuidado com a saúde mental e com o relacionamento.




