A responsabilidade de cuidar de indivíduos com Doenças Raras ou Crônicas pode impactar profundamente a saúde dos cuidadores, afetando sua rotina, vida profissional, relações sociais e bem-estar emocional, muitas vezes sem o devido apoio especializado.
Impactos das doenças raras e crônicas na saúde dos cuidadores?
Pesquisas apontam que a carga de cuidar não afeta somente os pacientes, mas também seus familiares e cuidadores, que enfrentam desafios físicos e emocionais significativos. O estudo “Retrato da AME no Brasil” informa que 90% dos cuidadores declararam ter desenvolvido algum problema de saúde relacionado ao intenso cotidiano de cuidados.
No cenário dos cuidadores de pessoas com atrofia muscular espinhal (AME), são recorrentes ansiedade, dor lombar, insônia e depressão. A rotina inclui vigilância constante, adaptações na residência, consultas médicas frequentes e reorganização da vida pessoal e profissional, o que recai majoritariamente sobre mulheres, com impactos relevantes na saúde mental e física.
Como as doenças crônicas afetam emocionalmente os cuidadores?
A pressão emocional sobre os cuidadores não é restrita a doenças raras, estendendo-se a diversas doenças crônicas. Na hemofilia, por exemplo, o monitoramento constante para evitar sangramentos leva a um estado de alerta permanente, causando irritabilidade, dificuldades de sono e isolamento social.

A Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia destaca que 71% dos cuidadores não possuem acesso a apoio psicológico, evidenciando uma lacuna importante na rede de cuidado. Esse cenário amplia a sobrecarga emocional, aumenta o risco de adoecimento e reduz a qualidade de vida de quem cuida.
Principais desafios na saúde mental de quem cuida?
Outras condições, como o câncer de mama, também geram desafios significativos aos cuidadores, que lidam com questões econômicas, mudanças na imagem corporal do paciente e conflitos pessoais. Esses fatores influenciam diretamente o bem-estar psicológico de ambos, paciente e cuidador.
Entre os desafios mais comuns enfrentados pelos cuidadores, destacam-se aspectos emocionais, sociais e práticos do dia a dia, que frequentemente são negligenciados pelas redes de apoio formais. Esses pontos ajudam a entender a dimensão da sobrecarga:
- Sentimentos constantes de medo, angústia e culpa ao lidar com a evolução da doença.
- Redução do convívio social e abandono de atividades de lazer e autocuidado.
- Dificuldades financeiras associadas a tratamentos, deslocamentos e perda de renda.
- Cansaço físico crônico, dores musculares e alterações no sono devido à rotina intensa.
Importância do suporte emocional e das políticas públicas para cuidadores?
É essencial que a abordagem em saúde inclua não só o tratamento clínico da doença, mas também o suporte emocional para pacientes e familiares. Programas voltados ao bem-estar psicológico podem aliviar os efeitos adversos enfrentados pelos cuidadores e favorecer uma atenção mais integral e humanizada.
Estratégias de políticas públicas que apoiem a saúde mental, a formação e o descanso dos cuidadores podem prepará-los melhor para os desafios diários. Medidas como acesso facilitado a terapia, grupos de apoio, orientações multiprofissionais e benefícios sociais contribuem para melhorar a qualidade de vida de todos os envolvidos no cuidado.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271




