A segurança alimentar é um tema cada vez mais relevante, especialmente em uma época em que a população está mais consciente dos riscos associados a práticas inadequadas de higiene na manipulação de alimentos. No Brasil, essa preocupação se traduz em dados alarmantes sobre os hábitos de higiene e manuseio de alimentos nos lares. Uma pesquisa nacional revelou que muitos brasileiros ainda adotam práticas que podem colocar em risco a saúde de suas famílias, como lavar carnes na pia ou negligenciar a correta higienização de vegetais.
Este estudo, conduzido pelo FoRC (Centro de Pesquisa em Alimentos), mapeou o comportamento de 5 mil domicílios de diferentes níveis de renda em todas as regiões do país. Os resultados sublinham a necessidade de campanhas educativas e de políticas públicas voltadas à promoção de práticas seguras de manipulação de alimentos, especialmente em um cenário onde doenças transmitidas por alimentos (DTAs) são uma ameaça constante.
Quais são os erros comuns na manipulação de carnes e vegetais?
Um dos erros mais comuns identificados pelo estudo é o hábito de lavar carnes na pia da cozinha. Tal prática desacertada pode levar à contaminação cruzada, dispersando bactérias como Salmonella e Campylobacter por respingos de água. Simultaneamente, a higienização inadequada de vegetais é outro ponto crítico. Muitos relatam apenas lavar com água, ou pior, utilizar sabão e detergentes que não são indicados para consumo.

A Anvisa recomenda uma abordagem mais rigorosa: lavar os alimentos em água corrente e, em seguida, submergi-los em uma solução sanitizante por cerca de 15 minutos antes de um novo enxágue com água potável. Essa etapa é crucial, visto que vegetais frequentemente fazem parte de dietas que preferem alimentos crus.
Como praticar o armazenamento seguro de alimentos?
Armazenar alimentos de maneira inadequada também contribui para o aumento dos riscos de doenças alimentares. Cerca de 39% dos brasileiros ainda descongelam alimentos em temperatura ambiente, enquanto uma parcela significativa só guarda sobras na geladeira após um largo período. Essas práticas favorecem a proliferação de microrganismos que podem levar a intoxicações alimentares.
A regra geral é refrigerar alimentos perecíveis rapidamente, dentro de um período de até duas horas. Mantê-los fora dessa faixa coloca os alimentos na chamada “zona de perigo”, onde o crescimento bacteriano se acelera exponencialmente. Para garantir essa segurança, um monitoramento constante da temperatura dos refrigeradores é aconselhado.
Qual a influência da renda nos hábitos de higiene alimentar?
A relação entre renda e práticas de higiene alimentar também foi um ponto destacado pelo estudo. Lares com renda mais elevada têm maior acesso a soluções sanitizantes eficazes e práticas mais seguras. Em contraste, famílias de renda mais baixa tendem a usar métodos inadequados, como apenas o vinagre diluído na higienização de vegetais ou descongelamento fora da geladeira.
- Uso de soluções cloradas para vegetais em famílias de renda alta.
- Dependência de métodos menos eficazes em famílias de renda baixa.
Esses hábitos mostram a importância de se ampliar o acesso a informações de qualidade sobre segurança alimentar, além de incentivar práticas seguras universalmente. Essa compreensão pode não só minimizar riscos de doenças, mas também inspirar políticas públicas ajustadas às necessidades variadas da população.
A seguridade alimentar no Brasil é um desafio contínuo que demanda ação conjunta entre governo, sociedade e entidades acadêmicas. Promover a conscientização e fornecer meios acessíveis para práticas seguras e eficientes se mostram como pilares essenciais para a redução dos riscos associados ao manuseio inadequado de alimentos.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271




