Entre os diversos sinais que o corpo emite no dia a dia, o inchaço nas pernas costuma ser um dos mais visíveis e, ao mesmo tempo, um dos mais subestimados. Embora muitas vezes seja associado apenas a cansaço ou ao fato de a pessoa permanecer muito tempo em pé, quando aparece com frequência, aumenta ao longo do dia ou demora a regredir, pode indicar alterações mais amplas na circulação, no equilíbrio de líquidos e no metabolismo do organismo.
O que o inchaço nas pernas realmente significa
Separamos este vídeo do @Edson Jaworski porque ele explica, de forma clara e objetiva, por que o inchaço nas pernas vai além do cansaço cotidiano, abordando causas, sinais de alerta e cuidados necessários.
A expressão inchaço nas pernas descreve o acúmulo anormal de líquido nos tecidos abaixo do joelho, mais evidente em torno dos tornozelos e pés. Esse fluido se concentra no espaço entre as células, chamado de interstício, onde ocorre um fluxo contínuo de entrada e saída de água dos vasos sanguíneos.
Quando esse equilíbrio é rompido, o volume de líquido que sai dos vasos passa a ser maior do que o que retorna por veias e vasos linfáticos. O resultado é o edema, que pode ser discreto ou intenso, deixando a pele brilhante e tensionada, especialmente em pessoas que passam muitas horas sentadas ou em pé, vencendo a gravidade para o retorno venoso.
Quais mecanismos do corpo controlam o inchaço nas pernas
O controle do inchaço nas pernas depende de proteínas sanguíneas, como a albumina, que ajudam a manter a água dentro dos vasos. Quando a concentração de albumina cai, o líquido escapa com mais facilidade para os tecidos, o que pode ocorrer em dietas pobres em proteína, má absorção intestinal ou doenças hepáticas.
O equilíbrio de sais minerais, como sódio, potássio e magnésio, também é decisivo para regular a entrada e a saída de líquidos das células. Já o sistema linfático funciona como uma “drenagem interna”, dependente da contração muscular e da movimentação corporal, sendo prejudicado pelo sedentarismo e por longo período parado.
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Qual é a relação entre metabolismo, açúcar no sangue e inchaço nas pernas
Alterações metabólicas, como resistência à insulina e glicemia elevada, tornam os vasos sanguíneos mais suscetíveis a danos. A exposição crônica ao excesso de açúcar pode deixar as paredes vasculares mais rígidas e permeáveis, facilitando a passagem de líquido para os tecidos e favorecendo o edema.
Valores elevados de insulina também estimulam a retenção de sódio pelos rins, aumentando o volume de líquido circulante e, em certas situações, o acúmulo nos tecidos periféricos. Essa combinação, somada ao sobrepeso e a hábitos alimentares inadequados, contribui para o inchaço nas pernas e tornozelos, sobretudo ao final do dia.
Quais fatores do dia a dia favorecem o inchaço nas pernas
Diversos elementos cotidianos podem funcionar como gatilhos ou agravar um edema já existente, principalmente quando se associam a predisposição individual ou doenças prévias. Entre eles estão hábitos de trabalho, escolhas alimentares, roupas utilizadas e o nível de hidratação diária.
- Longos período parado, seja sentado ou em pé, sem movimentar as pernas.
- Consumo frequente de alimentos muito salgados, como embutidos, snacks industrializados e refeições prontas.
- Uso de roupas ou calçados apertados, que dificultam o retorno venoso.
- Baixa ingestão de proteínas e alimentos frescos, com predominância de ultraprocessados.
- Hidratação inadequada, que pode levar o corpo a reter mais líquido.
Quais estratégias ajudam a reduzir o inchaço nas pernas no dia a dia

Algumas mudanças de rotina podem colaborar para o controle do inchaço nas pernas, principalmente quando ligadas ao estilo de vida e à organização do trabalho. Essas medidas não substituem o acompanhamento médico, mas costumam ser recomendadas como parte do cuidado global, ao lado de avaliação vascular e clínica quando necessário.
- Movimentar as pernas com frequência: pausar a cada 1 ou 2 horas para caminhar alguns minutos, flexionar tornozelos e alternar o apoio dos pés ajuda a ativar a panturrilha, importante para o retorno venoso.
- Elevar os membros inferiores: em alguns momentos do dia, deitar-se e apoiar as pernas um pouco acima do nível do coração favorece a drenagem do líquido acumulado.
- Ajustar a alimentação: reduzir o consumo de sal de adição e de ultraprocessados, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados, pode diminuir a retenção hídrica.
- Priorizar fontes de proteína e minerais: incluir carnes magras, ovos, leguminosas, laticínios, verduras e frutas ricas em potássio ajuda a manter o equilíbrio de líquidos e nutrientes essenciais.
- Manter hidratação adequada: ingerir água de forma regular ao longo do dia, ajustando às necessidades individuais, auxilia a função renal e a regulação do volume de líquidos corporais.
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Quando o inchaço nas pernas merece atenção médica imediata
Nem todo edema é benigno, e alguns sinais exigem avaliação rápida por um profissional de saúde. O inchaço nas pernas merece atenção imediata quando surge de forma súbita, acomete apenas um lado ou se associa a dor intensa, vermelhidão ou aumento de temperatura local, quadro compatível com trombose venosa profunda.
Outros sinais de alerta incluem falta de ar, sensação de aperto no peito, ganho rápido de peso em poucos dias ou aumento marcante do inchaço com cansaço extremo. Nesses cenários, o edema pode estar relacionado a alterações cardíacas, renais ou hepáticas, e registrar o padrão do inchaço ajuda o profissional na investigação das causas e na definição da melhor conduta.




