O infarto silencioso chama a atenção de cardiologistas por ocorrer sem os sinais clássicos que costumam levar alguém ao pronto atendimento. Em muitos casos, a pessoa continua a rotina normalmente, sem imaginar que uma parte do músculo cardíaco foi lesionada por falta de sangue, e esse tipo de infarto é frequentemente identificado anos depois, em exames de rotina, quando já deixou cicatrizes no coração e aumentou o risco de novos problemas.
O que é infarto silencioso e por que essa condição preocupa
Separamos esse vídeo do @Dr Alberto Ivo Cardiologista para explicar o que é o infarto silencioso, quais sinais costumam passar despercebidos e por que a prevenção e o acompanhamento são essenciais.
O infarto silencioso ocorre quando uma artéria do coração entope parcial ou totalmente, reduzindo o fluxo sanguíneo ao miocárdio, mas sem provocar a dor intensa no peito típica do infarto “clássico”. A lesão no músculo cardíaco acontece da mesma forma, porém com manifestações discretas, confundidas com cansaço, mal-estar passageiro ou problemas digestivos.
A principal preocupação é que o coração fica mais vulnerável, pois áreas que sofreram infarto podem bater com menor força ou de forma desorganizada. Isso favorece arritmias, insuficiência cardíaca e risco aumentado de morte súbita, especialmente quando não há diagnóstico e acompanhamento adequados.
Quais são os sinais mais comuns do infarto silencioso
Os sinais do infarto silencioso costumam ser sutis e pouco específicos, muitas vezes atribuídos ao estresse, a noites mal dormidas ou a problemas gastrointestinais. Ainda assim, alguns padrões chamam a atenção dos especialistas, sobretudo quando surgem de forma súbita em pessoas com fatores de risco.
Quando esses sintomas aparecem de forma repetida ou associados entre si, é importante valorizá-los e buscar atendimento médico, especialmente em indivíduos com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou tabagismo.
- Desconforto torácico leve: sensação de aperto discreto, peso ou pressão no centro ou no lado esquerdo do peito, que pode ir e voltar.
- Dor em regiões atípicas: incômodo na mandíbula, pescoço, braços ou costas, especialmente na parte alta das costas, sem causa musculoesquelética evidente.
- Cansaço fora do habitual: fadiga para atividades simples, como subir poucos degraus ou caminhar curtas distâncias, mesmo em quem dorme bem.
- Sensação de má digestão: queimação, peso no estômago ou enjoo após refeições comuns, sem histórico prévio de doenças digestivas.
- Tonturas e desmaios: episódios de vertigem, visão escurecida ou perda momentânea de consciência, principalmente acompanhados de palpitações.
- Sudorese inesperada: suor abundante sem relação com calor, atividade física ou ambiente fechado.
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Quem tem maior risco de apresentar um infarto silencioso
Embora qualquer pessoa possa sofrer um infarto sem dor típica, alguns grupos têm maior probabilidade de manifestar formas silenciosas ou atípicas da doença coronariana. Isso ocorre por alterações na sensibilidade à dor, no padrão hormonal ou na forma como o organismo reage à falta de irrigação no coração.
Pessoas com múltiplos fatores de risco, como tabagismo, hipertensão, colesterol elevado e obesidade, também entram nessa lista, sobretudo quando não fazem acompanhamento regular ou abandonam tratamentos prescritos.
- Pessoas com diabetes: o diabetes pode danificar nervos responsáveis pela percepção da dor, fazendo com que o coração sofra sem enviar sinais claros.
- Idosos: em faixas etárias mais avançadas, os sintomas costumam ser menos específicos e muitas vezes confundidos com limitações próprias da idade.
- Mulheres: nelas, o infarto, silencioso ou não, é mais frequentemente acompanhado de fadiga intensa, náuseas, tonturas e desconforto difuso, e menos por dor torácica típica.
- Pessoas com histórico familiar de doença cardíaca precoce: parentes de primeiro grau que tiveram infarto antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres) indicam risco aumentado.
- Transplantados cardíacos: nesses casos, o novo coração pode não ter a mesma inervação sensitiva, o que reduz ou elimina a percepção da dor torácica.
Como o infarto silencioso é identificado nos exames

Geralmente, o infarto silencioso é descoberto em consultas de rotina ou durante a investigação de queixas inespecíficas. Como o episódio agudo passa despercebido, os exames de imagem e de função cardíaca são essenciais para revelar se o coração já sofreu uma lesão antiga.
O cardiologista seleciona os métodos de avaliação com base na história clínica, nos fatores de risco e nos sintomas relatados. A combinação de exames aumenta a chance de identificar cicatrizes, medir a extensão do dano e orientar a melhor estratégia de prevenção de novos eventos.
- Eletrocardiograma (ECG): pode mostrar alterações de ondas e segmentos que sugerem infarto prévio, mesmo em quem nunca relatou dor no peito.
- Ecocardiograma: avalia o movimento das paredes cardíacas; áreas que se contraem pouco ou não se contraem podem indicar cicatriz de infarto antigo.
- Cintilografia miocárdica: exame de medicina nuclear que analisa a chegada de sangue ao músculo cardíaco, evidenciando regiões com perfusão reduzida.
- Ressonância magnética cardíaca: mostra com precisão áreas de fibrose no coração, ajudando a mapear a extensão do dano.
- Cateterismo coronariano: avalia diretamente as artérias que irrigam o coração, identificando entupimentos relevantes e orientando o tratamento.
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Como prevenir o infarto silencioso no dia a dia
A prevenção do infarto silencioso segue os mesmos princípios de proteção contra qualquer ataque cardíaco, com foco em estilo de vida saudável e controle rígido de doenças crônicas. Por não apresentar sinais evidentes, a atenção aos fatores de risco e a realização de check-ups periódicos tornam-se ainda mais importantes.
Medidas simples, mantidas de forma contínua, ajudam a reduzir a formação de placas nas artérias e a preservar o músculo cardíaco. Ajustes na rotina, aliados ao seguimento médico, podem diminuir significativamente a chance de eventos silenciosos e de complicações futuras.
- Alimentação equilibrada: priorizar frutas, legumes, verduras, grãos integrais e gorduras boas; reduzir consumo de sal, açúcar, frituras e alimentos ultraprocessados.
- Atividade física regular: manter, sempre que liberado pelo médico, ao menos 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos moderados, como caminhada, ciclismo leve ou natação.
- Abandono do tabagismo: parar de fumar diminui de forma significativa o risco de infarto e outras doenças cardiovasculares, mesmo em quem fumou por muitos anos.
- Controle da pressão arterial e do colesterol: aferições periódicas e uso correto de medicamentos prescritos reduzem sobrecarga nas artérias do coração.
- Monitoramento da glicemia: manter o diabetes dentro das metas definidas pelo médico é essencial para evitar lesões silenciosas no coração e em outros órgãos.
- Acompanhamento médico regular: consultas com clínico ou cardiologista permitem ajustar tratamentos, revisar exames e identificar sinais precoces de doença coronariana.




