A ansiedade faz parte da conversa de todo dia, especialmente em contextos de alta pressão, e não precisa ser tratada como um inimigo a ser eliminado. Em vez de tentar “zerar” qualquer desconforto, a proposta atual é entender como esse estado funciona, reconhecer quando passa do ponto e aprender a administrá-lo de forma mais saudável e possível na rotina real.
O que é ansiedade e por que ela pode ser funcional
A ansiedade é uma resposta de proteção: o corpo entra em alerta, o coração acelera, a atenção aumenta e o organismo se prepara para agir. Esse mecanismo foi essencial para a sobrevivência da espécie humana diante de perigos reais, por isso não é um “defeito”, mas um sistema de alerta que pode ser útil em determinadas situações.
O problema surge quando esse sistema permanece ligado mesmo sem ameaça concreta, levando a antecipações negativas constantes. A partir desse ponto, a ansiedade deixa de ser funcional e começa a limitar decisões, relações e desempenho, sinalizando que é hora de rever hábitos e buscar novas estratégias de manejo.

Como mudar a relação com a ansiedade na prática
Na psicoterapia moderna, o foco tem sido transformar a relação com a ansiedade, em vez de entrar em guerra com ela. Isso envolve reconhecer que medo, preocupação e tensão fazem parte da experiência humana, mas não precisam comandar todas as escolhas, nem definir quem a pessoa é.
Uma forma prática de começar é adotar uma postura de curiosidade diante dos sintomas, observando o que acontece no corpo e na mente. Nesse movimento, algumas atitudes simples podem ajudar a criar espaço interno para agir com mais liberdade, mesmo sentindo ansiedade:
- Nomear o que está acontecendo: identificar pensamentos ansiosos e sensações físicas sem julgamento.
- Questionar interpretações automáticas: avaliar se o perigo é real, provável ou apenas imaginado.
- Permitir certo grau de desconforto: aceitar que sentir ansiedade em situações novas ou desafiadoras é esperado.
Como regular o corpo para reduzir a ansiedade
Antes de qualquer pensamento elaborado, o corpo reage: músculos se tensionam, a respiração encurta, a sudorese aumenta. Esses sinais físicos enviam ao cérebro a mensagem de que algo está errado, reforçando a sensação de ameaça e, muitas vezes, disparando ou intensificando crises de ansiedade ou pânico.
Por isso, a regulação corporal é vista como um passo estratégico no manejo da ansiedade. Ajustar respiração, movimento, sono e pequenos rituais de relaxamento ajuda a enviar sinais de segurança ao cérebro, criando melhor condições para pensar com clareza e tomar decisões menos impulsivas ou guiadas pelo medo.
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Como lidar com pensamentos ansiosos e incertezas
A ansiedade costuma aparecer como pensamentos repetitivos, antecipações catastróficas e preocupação excessiva com o futuro. A mente frequentemente trata cada pensamento como se fosse um fato, o que amplia o impacto emocional e faz a pessoa superestimar riscos e subestimar seus recursos para lidar com eles.
Uma estratégia útil é registrar por escrito os pensamentos ansiosos e observar o que realmente se concretiza ao longo do tempo. Esse tipo de registro ajuda a perceber que a maioria das preocupações não se confirma, além de revelar padrões, gatilhos e horários críticos, favorecendo o treino gradual da tolerância à incerteza e a redução da necessidade de controlar tudo.
Como conviver melhor com a ansiedade no dia a dia
Conviver melhor com a ansiedade envolve combinar cuidado com o corpo, questionamento de pensamentos automáticos e ajustes de rotina, recorrendo a ajuda profissional quando os sintomas começam a comprometer relações, trabalho ou bem-estar. A ideia não é eliminar a ansiedade, mas aprender a viver com ela sem que ela dite cada passo.
Se você percebe que a ansiedade está roubando oportunidades, isolando você ou travando decisões importantes, não adie o pedido de ajuda. Busque apoio psicológico ou médico ainda hoje, organize pequenas mudanças na rotina e dê a si mesmo a chance de retomar o controle da própria história enquanto ainda é possível virar o jogo.




