A menopausa cirúrgica é uma realidade para muitas mulheres que passam por procedimentos ginecológicos e têm os ovários removidos. Diferente da menopausa espontânea, que costuma chegar aos poucos, essa forma de menopausa aparece de forma repentina, geralmente logo após a cirurgia, e provoca mudanças hormonais imediatas. Esse cenário costuma exigir acompanhamento próximo, tanto do ponto de vista físico quanto emocional, para que a qualidade de vida seja preservada e o tratamento, seja planejado com segurança.
O que é menopausa cirúrgica e quando ela ocorre
Separamos esse vídeo do @Valdirene Jácomo, onde explica o que é a menopausa cirúrgica, por que ela ocorre de forma abrupta e quais cuidados são necessários após a retirada dos ovários para preservar a saúde e a qualidade de vida.
A palavra-chave central aqui é menopausa cirúrgica, termo usado quando a parada definitiva da função dos ovários não ocorre por envelhecimento natural, mas como consequência direta de uma cirurgia. Após a remoção dos ovários, a produção de estradiol, progesterona e testosterona cai de forma quase imediata, levando o organismo a um estado menopausal, independentemente da idade da mulher.
Quando apenas o útero é retirado e os ovários são preservados, não se fala em menopausa cirúrgica, porque a produção hormonal continua ativa. Já a remoção bilateral dos ovários é o evento que marca essa mudança hormonal brusca, exigindo acompanhamento médico para avaliar sintomas, riscos a longo prazo e estratégias de reposição hormonal, quando indicadas.
Principais causas da menopausa cirúrgica
As causas da menopausa induzida por cirurgia costumam estar ligadas a problemas ginecológicos que exigem intervenção mais agressiva, muitas vezes para preservação da saúde ou prevenção de doenças graves. Em situações programadas, é possível discutir previamente com a equipe médica sobre efeitos hormonais e planejamento de tratamento após o procedimento.
Entre as situações mais comuns que levam à remoção dos ovários, estão:
- Tumores ovarianos benignos ou malignos;
- Endometriose de difícil controle, com acometimento dos ovários;
- Cistos ovarianos volumosos ou com risco de ruptura;
- Complicações como torção do ovário ou sangramentos internos;
- Cirurgias de prevenção em mulheres com alto risco genético para câncer de ovário ou de mama.
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Principais sintomas após a menopausa cirúrgica
Os sintomas da menopausa provocada por cirurgia costumam ser semelhantes aos da menopausa espontânea, porém mais concentrados em um curto período. Como estradiol, progesterona e testosterona caem quase ao mesmo tempo, o corpo perde de uma só vez o apoio hormonal que ajudava em várias funções metabólicas, sexuais e emocionais.
Além das alterações físicas, muitas pacientes relatam um tipo de “luto hormonal”, marcado pela percepção de perda da fertilidade e por mudanças na autoimagem. Quando a cirurgia acontece sem preparo prévio, esse impacto emocional pode ser ainda maior e exigir acompanhamento psicológico estruturado para apoio nessa fase de adaptação.
Como é feito o tratamento da menopausa cirúrgica

O eixo central do cuidado na menopausa cirúrgica é avaliar se há indicação para terapia de reposição hormonal e qual é a forma mais segura de conduzi-la. Em cirurgias programadas, sem ligação com câncer hormônio-dependente, a equipe médica costuma planejar o início da reposição logo após o procedimento, reduzindo a intensidade dos sintomas.
De modo geral, o tratamento pode incluir diferentes frentes de cuidado integradas, sempre individualizadas conforme idade, histórico pessoal e familiar, risco cardiovascular e presença de outras doenças associadas:
- Terapia hormonal individualizada: uso de estradiol, progesterona e, em alguns casos, testosterona em doses ajustadas, com escolha cuidadosa da via de administração.
- Suplementação direcionada: vitamina D, cálcio, magnésio, ômega-3 e vitaminas do complexo B podem ser considerados para saúde óssea, muscular e metabolismo energético.
- Cuidados com o sono e a saúde mental: higiene do sono, técnicas de manejo de estresse e, quando necessário, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
- Atenção à saúde sexual: lubrificantes, hidratantes vaginais e, se indicado, terapias locais com hormônios em baixas doses auxiliam no conforto e na vida sexual.
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Hábitos que ajudam a preservar a qualidade de vida após a cirurgia
Além do tratamento medicamentoso, a rotina diária exerce papel relevante na adaptação ao novo cenário hormonal, ajudando a controlar sintomas e reduzir riscos a longo prazo, como osteoporose e problemas cardiovasculares. Um plano de cuidados que combine mudanças de estilo de vida com acompanhamento profissional tende a oferecer melhores resultados.
Algumas estratégias costumam ser recomendadas por profissionais de saúde como parte do cuidado global após a menopausa cirúrgica:
- Atividade física regular, com destaque para exercícios de força e atividades aeróbicas leves a moderadas;
- Alimentação rica em proteínas, vegetais, frutas e gorduras de boa qualidade, com redução de ultraprocessados e excesso de açúcar;
- Hidratação adequada ao longo do dia, ajudando na regulação da temperatura corporal e no funcionamento do organismo;
- Rotina de sono organizada, com horários regulares para dormir e acordar e ambiente propício ao descanso;
- Acompanhamento médico periódico, incluindo avaliação ginecológica, exames laboratoriais e controle da saúde óssea e cardiovascular.




