A decisão da Ultrafarma de encerrar suas sete lojas físicas e apostar em uma megaloja conceito marca uma virada no varejo farmacêutico brasileiro, alinhada ao avanço do e-commerce, à busca por operações mais enxutas e à necessidade de recuperar a imagem da marca em meio à investigação envolvendo seu fundador, Sidney Oliveira.
O que está por trás do fechamento das lojas da Ultrafarma
A Ultrafarma, rede conhecida por descontos agressivos em medicamentos e forte presença em mídia. O fechamento das sete unidades na avenida Jabaquara, na zona sul de São Paulo, indica uma tentativa de simplificar a operação, reduzir custos fixos e concentrar esforços em poucos ativos estratégicos.
As unidades que serão fechadas ficam em um endereço simbólico, onde a companhia iniciou suas operações há cerca de 25 anos. A empresa afirma que esse movimento faz parte de uma reorganização do modelo de negócios, com foco em uma única megaloja física e no fortalecimento das vendas online, sem detalhar prazos para o encerramento das lojas atuais.

Como será a nova loja conceito da Ultrafarma
Segundo a empresa, os investimentos em estrutura física serão redirecionados para uma megaloja na zona norte de São Paulo, com área estimada em 3 mil metros quadrados. O objetivo é criar um espaço multipropósito que combine farmácia tradicional, serviços de bem-estar e suporte logístico para o e-commerce.
Inspirada em modelos de varejo multicanal como a “megaloja Magalu”, essa unidade pretende aproximar a experiência presencial do ambiente digital. A seguir, estão os principais serviços previstos para a nova loja conceito, integrando saúde, conveniência e tecnologia:
- Venda de medicamentos convencionais, incluindo genéricos e de marca;
- Serviços de ótica própria, com atendimento especializado para cuidados com a visão;
- Farmácia de manipulação, voltada a fórmulas personalizadas e prescrições específicas;
- Sistema de entrega expressa para a região metropolitana de São Paulo, conectado ao estoque da megaloja e ao e-commerce.
Como a operação digital da Ultrafarma ganha mais força
Com a reformulação, o e-commerce farmacêutico passa a ser explicitamente o eixo central da estratégia comercial. A rede, que já tem presença relevante nas vendas online, pretende ampliar a integração entre plataforma digital, megaloja e sistema logístico, respondendo ao aumento das compras de saúde e bem-estar pela internet.
Para o restante do país, a empresa manterá o atendimento por meio do centro de distribuição já existente, reforçando o comércio eletrônico. Além disso, cerca de 100 farmácias licenciadas no estado de São Paulo continuarão operando com a marca Ultrafarma, em um modelo mais flexível que franquias tradicionais, preservando a capilaridade regional.

Qual é a situação jurídica atual de Sidney Oliveira
O reposicionamento da Ultrafarma ocorre após a prisão de Sidney Oliveira, fundador da rede, em agosto de 2025, sob suspeita de envolvimento em um esquema de pagamento de propinas a auditores fiscais da Secretaria da Fazenda de São Paulo. Segundo o Ministério Público Estadual, o grupo investigado teria facilitado o ressarcimento indevido de créditos de ICMS para beneficiar empresas do varejo.
Oliveira foi preso em 12 de agosto de 2025 e liberado três dias depois, após pagamento de fiança de R$ 25 milhões e cumprimento inicial de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica. Em 22 de agosto, a defesa obteve habeas corpus que suspendeu a obrigação de fiança, e em 29 de agosto o Tribunal de Justiça de São Paulo revogou as demais restrições; o processo segue em tramitação, sem decisão definitiva.
Como essa transição impacta consumidores e mercado
Nesse cenário, a Ultrafarma enfrenta simultaneamente uma mudança profunda de modelo de negócios e o desgaste de uma investigação criminal envolvendo seu fundador. A combinação desses fatores tende a afetar a percepção do público, as relações com fornecedores e o ritmo de novas parcerias, ao mesmo tempo em que a empresa aposta em uma atuação mais enxuta e centrada no ambiente online.
Consumidores e parceiros precisam acompanhar de perto essa fase de transição para avaliar preços, qualidade de atendimento e confiabilidade dos serviços digitais. Se você depende da Ultrafarma para acesso a medicamentos com desconto, é hora de monitorar as mudanças, testar os novos canais e agir rapidamente para garantir que suas necessidades de saúde continuem sendo atendidas com segurança e transparência.




